Os desejos para o novo ano mudam ao longo do caminho | Mariana Kalil

Lembro de mim nos primeiros dias de 2015. Estava sentada em uma escadaria que dava para a praia, de frente para o mar, e fiz algumas promessas para o ano que se iniciava. Queria voltar a tocar violão, fazer aula de canto e retomar as classes de ioga. Falta um pouco mais de um mês para acabar o ano – e não fiz nada disso. Já fiquei arrasada pelo “fracasso”. Mas também já passou.

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Passou porque resolvi ter uma atitude diferente diante daquilo que não consegui realizar. Passei a olhar para tudo o que efetivamente conquistei. E não foi pouca coisa. Posso não ter voltado para as aulas de violão, mas cumpri o desejo acalentado há anos de trabalhar em casa. Posso não ter iniciado as aulas de canto, mas escrevi meu terceiro livro. Posso não ter me organizado para retomar as classes de ioga, mas adotei uma cachorrinha linda que veio trazer muito amor e carinho para minha vida.

É importante ter foco, objetivos, ambições. É fundamental perseguir nossos ideais. Mas também é preciso compreender que o caminho é feito de curvas – e podemos encontrar outras histórias para serem vividas em muitas dessas curvas. Histórias que serão igualmente grandes (ou até maiores) para nosso espírito. Flexibilidade é a palavra-chave. Tomar as rédeas da vida, mas também deixar ela nos levar para ver onde tudo isso vai dar. Planejar, mas deixar surpreender-se.

Nos primeiros anos de 2016, estarei de novo sentada naquela escadaria que dava para a praia, de frente para o mar, e novamente desejarei voltar a tocar violão, fazer aula de canto e retomar as classes de ioga. Pode ser que, de novo, nada aconteça. Mas, com certeza, nada terá acontecida por novas grandes causas.

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