Os temidos dois anos: a fase de mudanças no comportamento das crianças

crédito: pixabay
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Conhecida como a adolescência dos bebês – ou “terrible two“, os terríveis dois em inglês – a crise dos dois anos é a fase em que a criança passa a se comportar de modo opositivo às solicitações dos pais.

A psicóloga Rafaela Jarros Missel explica que este é um processo natural no desenvolvimento da criança, pois é o momento onde ela descobre e exercita a sua autonomia. Seu desafio é se tornar um ser separado e individual. Nesse período, alguns comportamentos “estranhos” começam a ser percebidos pelos pais, que ficam em dúvida de como lidar com a situação. Gritar, jogar-se no chão ou querer fazer tudo sozinho são alguns exemplos.

Conversamos com a coach de família e especialista em sono Mariana Zanotto Alves para dar exemplos de situações que os pais costumam vivenciar nessa fase e explica como passar por ela sem grandes traumas.

Quanto mais passiva a criança é nas atividades diárias, maiores serão as chances de conflitos ocorrerem

Dos 18 meses até os 3 anos, aflora a independência e a necessidade da criança de identificar onde elas se encaixam na sociedade que é a família. Quando tudo é feito por ou para ela essa noção se torna confusa. Seu corpo e suas habilidades as permitem executar certas atividades, porém seus pais ou cuidadores impedem os processos naturais e essenciais de erros, acertos e solução de problemas. Atividades como tirar a roupa, se alimentar e higiene bucal são apenas alguns exemplos de situações que podem gerar estes conflitos. Ao tornar a criança mais responsável e participativa desafiando suas habilidades sem pressão ou julgamento estes tipos de conflitos tendem a diminuir.

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Quanto mais os sentimentos da criança forem temidos e diminuídos por seus cuidadores, mais manhosas e irritadiças a criança se tornará

Uma das aprendizagens mais importantes para o indivíduo é sem dúvidas conhecer e controlar seus sentimentos e impulsos. Para um adulto, com vivência e bagagem emocional, auxiliar a criança neste processo de forma saudável nem sempre é uma tarefa fácil pois acabamos confundindo nossas experiências com as da criança. Inconscientemente geramos grandes inseguranças em nossos pequenos sobre a normalidade de sentir. É importante lembrar que suas experiências não pertencem a mais ninguém e que por esta idade ser marcada por choros, manhas, frustrações, gritos somos muito rápidos para elaborar teorias mirabolantes sobre a causa destes comportamentos, quando na verdade eles são apenas reações ao novo.

Quanto mais solucionamos os problemas para nossos pequenos, mais frustrados eles se tornam

O corpo, sensações e emoções da criança nesta idade são desconhecidos para ela e isso assusta. Por isso, grande parte das vezes que tentamos ajudar acabamos piorando a situação. O importante não é a solução e sim o esforço necessário para chegar até ela. Por exemplo, uma criança não consegue alcançar o brinquedo, então, com muito esforço, ela encontra um banquinho, o arrasta até o armário e começa a subir para pegar o brinquedo. Nessa hora os pais normalmente optam por uma das duas situações: 1) aflitos retiram a criança e o banquinho de perto e ainda dão um “esporro” na criança pois a atividade é perigosa. 2) Coloca a criança em cima do banquinho e pega o brinquedo para ajudá-la. Ambas situações terão o mesmo resultado: Choro. Por que? Pois o importante não é o brinquedo em si ou conseguir alcançar o brinquedo. O importante é o raciocínio por trás do processo e o esforço desempenhado. Não a solução. Por isso nos deparamos com crianças extremamente ansiosas nessa idade pois julgamos eles incapazes. Precisamos na verdade assumir uma postura de co-piloto. Observar, guiar e somente quando necessário puxar o freio de mão.

Quanto mais nos colocamos no lugar da criança, mais fácil será o processo de lidar com elas

Sem empatia nada é possível, especialmente quando o assunto é a criação. As emoções são extremamente confusas para a criança e a tendência é reagirmos a grande parte das situações com emoções desproporcionais a o que estamos enfrentando. Isso é desgastante para a criança que precisa gerenciar as novas sensações que ela enfrenta e as emoções de seus cuidadores. Tentar mudar os sentimentos da criança ao em vez de aceitar os sentimentos gera o efeito inverso.

Quando a criança acorda de mal humor, por exemplo, deveríamos aceitar este comportamento e dizer “nossa, acho que você acordou de mau humor. Eu também acordo assim às vezes. Vou te dar uns minutos a mais para relaxar na cama.” Mas fazemos o oposto. “Vamos levantar! Chega de choro, levanta logo, vamos ficar feliz porque o dia está lindo! Isso é uma agressão muito grande para os sentimentos da criança que aos poucos aprende a mascarar e omitir seus sentimentos de seus cuidadores que só nutrem sentimentos positivos, mas descartam aqueles desconfortáveis pra eles.

Pexels

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Nosso maior desafio é, sem dúvidas, construir um relacionamento de troca e respeito. Para essas crianças (de até 3 anos) quanto mais desconectados nós estivermos das nossas necessidades físicas e emocionais mais difícil será conviver com eles.

– É importante que essa fase seja cuidadosamente orientada pelos pais, que devem estabelecer o diálogo constante com a criança, oferecendo limites e dando suporte às novas descobertas – finaliza psicóloga Rafaela Jarros Missel.

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