Ou tudo ou nada: é o fim do meio termo na moda | Ana Clara Garmendia

Não fica pedra sobre pedra nessa virada de ano. A moda foi pro brejo total. Fala-se muito, mas muito sobre isso. Imperaram tantos excessos que cansou. De verdade. Mas claro que uma saída genial sempre chega. Nada de desespero para quem, como eu, ainda tem um amor forte batendo dentro do peito sobre o assunto. O meu amor ainda aposta, acredita e prevê. A moda é como um temporal de fim de tarde de verão. Acontece e não se sabe se o que vem é o estrago ou um lindo arco-íris. A vida, aliás, é também assim. Não podemos separá-la de nosso jeito de vestir. Para o começo de 2015, brilham então, o excêntrico total e o simples absoluto. Ou oito ou oitenta. O céu e o inferno. Para os dois jeitos temos maneiras de gastar bem diferentes.

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De um lado ficam os sem grana que correm para as lojas de fast-fashion, que nada mais é que roupa barata com cara de cara e tempo de utilização no limite da estação. Não tem dinheiro no bolso de muita gente que ama se vestir bem. Corre para as grandes lojas e imitações baratas! Lá você pode comprar o basicão e fazer a linha apenas simples. Lá você pode ser a excêntrica moça da rua, do trabalho, do elevador, da rua, do café e da academia. A “ryca”. É com você.

Já que essa realidade de pagar fortunas por uma roupa quase da mesma qualidade que a vendida na loja barata acabou, vista-se no barato. Mas bem, o mundo empobreceu, mas não todo mundo. Então vamos ter o que é caríssimo aparecendo para fazer a gente babar. Vamos ter desfiles de mulheres lindíssimas com novos modelos de bolsas, de pequenos brinquedos para enfeitá-las. A riqueza mostrada agora contraria o luxo da época em que Gabrielle Chanel começou (mais de um século atrás). Ela amava coisas simples e preciosas.

Detalhes escondidos em roupas e acessórios que apenas quem os usasse poderia apreciar. Era o “luxe cachée” , luxo escondido para traduzir. Esse, por hora acabou, mas tem momento certo para voltar. E há quem conte as horas para ele acontecer! Enquanto ele não vem, dois detalhes importantes para finalizar o assunto de hoje. Tilda Swinton, atriz cultuada pelo estilo minimalista e intérprete das boas, foi eleita a mulher do ano pela revista GQ.

Sim, uma publicação masculina elege uma mulher magérrima, de cabelos curtos e extremamente simples como ícone. É um tremendo preste atenção. Forte indício de virada. A outra ponta da corda. Para pensar. Semana que vem tem mais. Fica uma rodada de fotos, sem caminho do meio para você se posicionar.
#ficacomigo #diretodeparis @anagarmendia

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É simples

Boa onda de seguir para quem não quer gastar e ficar na discrição. Uma camisa xadrez, uma calça de alfaitaria e vamos embora viver a vida!

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Nada simples

Ok, você ama a excentricidade. Vai fundo nela. Pode tudo. Pode ser o melhor personagem que você tenha capacidade de criar para você mesmo. Seja inimitável ao menos.

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Nada barato

Tecidos finos, brilhos, joias, tudo com as mãos da alta-costura. Ela sobe. Desce o prêt-à-porter.

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Única

Babados, chapéu, muito blush na maquiagem. O estilo russo toma conta e comprova: luxo à mostra, pelo momento, é a pegada.

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Telúrica

Resgates e mais resgates. Misturas e a valorização total do que você tem de mais belo. É o exagero combinado com a perfeição.
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Mostra-te a ti mesma

As bolsas de marcas são símbolos de poder. Misturá-las com bonecos de pele com a cara de Karl Lagerfeld então…Você entra para a turma do luxo pulverizado. Uma das pontas da corda. Apenas não se enforque com ela.

*Fotos: Ana Clara Garmendia

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