Piangers: Cadê a mãe?

Foto: Pexels, reprodução
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Quem já passou por essa sabe como é engraçado. Acontece o tempo todo no pediatra. O pai chega com a criança, e o médico pergunta: Cadê a mãe?. Se o pai fica uns segundos sem saber o que dizer o médico insiste: Foi ao banheiro? Está chegando? Foi pegar algo no carro?

Na agenda da criança, mesmo que seja sempre o pai respondendo os recados, no dia seguinte a mensagem começará com: “Mamãe, …”. Uma vez, um amigo escreveu: “Querida professora, aqui em casa é o papai que lê a agenda”. No dia seguinte, “Papai, …”. Meu amigo ficou todo feliz por uma semana. Depois disso, a agenda voltou a ser endereçada para a mãe.

Reunião da escola: “Cadê a mãe?”. Natação: “A mãe não vem?”. Dentista: “Mamãe tá chegando?”. Médico da coluna: “Quer voltar outro dia quando a mãe estiver junto?”.

Isso acontece, obviamente, porque homens acompanhando seus filhos são minoria. São exceções, seres estranhos. Homens são, em geral, mais distantes que as mulheres na criação dos filhos. São mais ausentes, menos envolvidos com todas as tretas do dia a dia da criança.

Dia desses, uma amiga que mora no Canadá disse que levou seu filho para um parquinho. Chegou lá, e todas – eu disse “todas” – as crianças estavam acompanhadas dos pais. Ela, mãe, se sentiu excluída, intimidada. Mais ou menos como se sentem todos os dias os pais participativos no Brasil.

Ainda não descobri qual a resposta correta para quando me perguntam “Cadê a mãe?”. Já experimentei dizer um educado “Hoje sou só eu”; já tentei um “Mamãe está trabalhando”. Uma vez larguei um “mamãe está bêbada”, e recebi um olhar de reprovação da pediatra.

O que responder quando perguntam: “Cadê a mãe?”. Acredito que, baseado na quantidade de novos pais amorosos e participativos que está surgindo todos os dias, tenha chegado na melhor resposta. Ela é: “Pode ir se acostumando”.

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