Piangers: Férias!

Enquanto estiver só você e um filho de férias indo pra praia todo os dias a coisa é até tranquila, todo
problema é contornável e o maior desafio será um colo quando a areia está quente demais. Mas adicione à equação mais gente, e teremos horários quebrados e desentendimentos constantes. Minha mãe quer ir pra praia cedíssimo, eu quero apenas cedo, minha esposa quer bem tarde e as crianças não querem ir pra praia, querem ficar vendo vídeos no YouTube, já estão até bronzeadas da luz azul da tela do celular.

Minha mãe desfaz tudo aquilo que fizemos arduamente durante o ano: empresta o celular, libera televisão, oferece chocolate e bala e doce e sorvete. Este parece ser o trabalho de uma avó, trazer os filhos para a estaca zero em termos de educação. Nesse sentido, minha mãe é uma avó incrível.

Depois de muito choro, conseguimos colocar a roupa de banho nas meninas, passar protetor solar, chinelo, onde está o guarda-sol, e a cadeira, e os brinquedos, óculos de sol, me alcança ali minha carteira, espera que eu vou ter que trocar esse maiô que esse maiô tá com uma marquinha aqui, ó. Para desespero dos dermatologistas saímos ao meio-dia para a beira do mar, todos com fome, na esperança de que algum ambulante nos ofereça almoço.

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Foto: reprodução Pexels

O cardápio é variado: o queijo coalho assado em uma gaiola de passarinho; o pão com linguiça fria; e até o camarão de plástico sem sabor, uma iguaria tão cafona quanto irresistível. Os ambulantes são ótimos de papo, especialmente os que vendem cangas, os que vendem óculos e os que vendem chapéu. Alguns passam horas tentando me convencer que este Ray-Ban combina com meu tipo nórdico, e quando pergunto o motivo deste incrível modelo ter a marca escrita com um i no lugar do y, o vendedor me diz que é porque veio da Ásia. Ele não sabe qual país da Ásia, não tem esta informação. Imagina que seja do Japão.

À medida que o sol vai se movendo, a sombra do guarda-sol se transforma, exigindo certo malabarismo. Me peguei em posição fetal deitado na toalha, cuidando pra que o furioso Astro Rei não queimasse meus dedinhos do pé. Estou besuntado de protetor solar, camiseta e chapéu de abas longas que acabei comprando de um simpático ambulante chamado Severino que fez um preço muito abaixo do mercado e ainda me prometeu garantia. Quando ouvi o primeiro trovão, a areia já estava em polvorosa, todo mundo correndo pra arrumar as coisas e partir antes da chuva.

Junta os brinquedos do chão, fecha a cadeira, o vento levou o guarda-sol, corre lá, Anita sai da água, ai meu deus meu chapéu novo voou pro mato. Corremos pra casa com canga, toalha e camiseta encharcada, não entendo pra que tanto escândalo se a ideia da praia era mesmo se molhar. Briga pra ver quem toma banho antes, minha mãe pergunta quem quer sorvete antes da janta, eu estou com a pele cor-de-rosa. Ficou pra amanhã comprar aquele óculos Rai-Ban.

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