Piangers: A geração que se curte

Foto: Pexels
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Tenho opiniões bem contundentes a respeito dos efeitos que as redes sociais têm na nossa sociedade, na forma como a gente se relaciona, na nossa constante insatisfação com a vida e no resultado das eleições americanas, mas não quero aborrecer ninguém com opiniões contundentes e por isso vou encher esse texto com frases bem-humoradas, longas e autorreferentes, como esta aqui.

O certo é que Facebook, Instagram e YouTube, pra não citar outras redes em que eu não sei mexer mas poderia citar aqui apenas para me conferir um falso ar de modernidade, foram feitos para que a gente passe muito tempo olhando as coisas mais bobas e desinteressantes, mas, por alguma razão, hipnotizantes. Você abre o navegador e, como se estivesse no mar do Campeche, quando menos espera foi levado pelo repuxo de conteúdo em sequência e está há horas afogado em vídeos ao vivo de algum lugar do mundo ou opiniões indignadas de amigos que não entendem absolutamente nada do assunto.

Só há um salva-vidas para o afogamento nas redes sociais, que é quando cai a internet. Se não cair a internet você passará dias sem comer ou dormir, mergulhado em conteúdo que não preenche em nada a sua alma, apenas lhe estimula a perceber o quão desinteressante é a sua vida e tudo o que a rodeia. De um lado da tela, estarão pessoas frustradas com seus trabalhos curtindo freneticamente toda foto ou todo vídeo das viagens dos amigos, na esperança de, um dia, poder conhecer esses lugares incríveis. Do outro lado, está o amigo que viaja apenas tirando selfies, viciado na adrenalina de colocar as fotos e vídeos na rede e esperar ansiosamente pelas curtidas e comentários. Nenhum dos lados está realmente aproveitando a vida.

Dizem que as novas gerações substituíram a necessidade de ter pela necessidade de ser. Não é uma geração que almeja uma mansão, um barco ou um carro caríssimo, mas é uma geração que quer um emprego dos sonhos, viajar pelo mundo, estar nos maiores festivais, ter experiências deslumbrantes. Minha impressão é que apenas substituímos uma forma de status – carro, casa, dinheiro – por outra, tão vazia quanto. Assim como achamos boba a busca dos nossos pais por estabilidade financeira, talvez nossos filhos riam do nosso desespero por uma vida com mais significado.

Que droga, acabei dando uma opinião contundente e aborrecendo vocês.

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