Piangers: “Junto com as tendências vêm os nomes repetidos”

Foto: Pexels
Foto: Pexels

Todas as Ana Paulas nasceram por volta dos anos 1980. As Marianas e as Brunas, um pouquinho depois. Depois vieram Matheus e Thiagos, e esses agás já demonstravam uma tendência ao experimentalismo. Nos anos 1990, a moda eram nomes italianos, como Enzo e Lorenzo. Os Luccas pipocaram nessa época. Todas as Sofias e Bernardos nasceram no começo dos anos 2000. Estávamos nostálgicos. Era o início de uma tendência que agora nos dão Benícios e Joaquins, Benjamins e Franciscos. Nomes antigos, homenagens aos avós. Anita e Aurora. Nomes com cara de anos 1940.

Não estou dizendo que vamos voltar no tempo e começar a batizar nossos bebês de Bartolomeu ou Zulmira. Quem sabe? Um bebê chamado Zulmira já nasce com 70 anos. Já nasce de óculos e manta, corcundinha. Apesar de serem nomes lindos, não me entenda mal. Mas acredito que a tendência nostálgica não vai tão longe. Atualmente, sinto uma vibe de Arthurs e Alices. Um amigo teve um filho chamado Otto. Duas conhecidas tiveram Isabellas, com dois eles.

E aí está o cuidado que devemos tomar. Junto com as tendências vêm os nomes repetidos. Inevitavelmente, você vai encontrar outras crianças com o mesmo nome do seu filho. Mesmo que seja um nome antigo. Mesmo que tenha agá e dois eles. Mesmo que seja uma homenagem pra sua avó. Mesmo que seja Zulmira.

Entre os pais, existe uma regra não declarada que é a regra do “peguei primeiro!”. Ao decidir o nome da criança os pais devem anunciar alto e rapidamente para todos os chegados. Nenhuma mulher grávida nesta mesma época, no círculo de amigos e conhecidos, poderá usar o mesmo nome que você escolheu.
É importante que, quando anunciado o nome escolhido, seja sempre repetida a informação várias vezes. No trabalho, no condomínio, no churrasco de família, sempre de forma clara e em alto volume: “É João Pedro! João Pedro! Esse será o nome do meu garoto! Não coloquem este nome no filho de vocês, ouviram?”. Os outros poderão pegar João Paulo, João Miguel, João Vitor, João Gabriel. Mas João Pedro, não. Seria uma falta de educação, uma deselegância terrível. De acabar amizade.

Pais ficam magoados com outros pais até se o nome for apenas parecido. Vizinhas que ficaram grávidas ao mesmo tempo e colocaram o nome de Vitor e Victor, terminarão falando mal uma da outra. “Mas o meu é sem cê!”, dirá a vizinha mal-intencionada, se fazendo de inocente. “O golpe da letrinha diferente! Não me venha com essa!”, dirá a mãe que anunciou primeiro.

Vitor e Victor é a mesma coisa, me desculpe. Eloisa e Heloisa, também. Sofia e Sophia, também. Isabela já anula qualquer possibilidade de outra mãe escolher Isabella, por exemplo. E, eu diria, até Isabeli. Que nome de criança é coisa séria e pai e mãe são dois bichos enciumados.

Leia mais colunas do Piangers:
:: Piangers: “Somos todos pais da próxima geração”
:: Piangers: “O que perde um homem que abandona uma mulher grávida?”
:: Piangers: “Precisamos dar o nome certo para as coisas. Se é como filho, é filho. Se é como pai, é pai”

Leia mais
Comente

Hot no Donna