Piangers: Mãe das minhas filhas

Giselle Sauer, divulgação
Giselle Sauer, divulgação

Eu e a Ana nos conhecemos em um Dia dos Namorados, e desde então é a nossa data comemorativa. Vai fazer 14 anos. Faz uns cinco anos, a gente não estava nada legal. Eu posso dizer aqui que foi por culpa do casal, que os dois não estavam se entendendo, que nós tínhamos muitas mágoas e defeitos e problemas não resolvidos. Mas vou ser sincero: a culpa era minha. A culpa quase sempre é nossa, porque a gente sempre acha que tem razão e tudo o que a gente faz é importante e nossa mulher é maluca. Quando a gente diz “Você é louca” é porque a gente tá errado. Pode escrever.

É que só existem duas coisas na vida, as que a gente controla e as que a gente não pode controlar, e se você quiser que todo mundo mude, o maluco é você. As pessoas me dizem: “Mas eu sou assim mesmo, eu falo o que eu penso, eu tenho orgulho de ser autêntico”. Às vezes, quem acha que é autêntico no fundo é só um mal-educado do cacete que ninguém aguenta. Só outros mal-educados do cacete.

Então eu digo: todo mundo tem que mudar, melhorar, se ajoelhar e reconhecer os erros. Talvez se ajoelhar seja um pouco demais, mas reconhecer os erros e tentar ser melhor. “Você não pode se anular”, as pessoas dizem, mas quando dizem isto querem dizer “EU não posso me anular!”. Minha mulher pode. Eu não posso faltar ao futebol de terça, não posso parar de beber, não posso faltar ao churrasco dos amigos, não posso ficar com o filho com febre porque tenho uma reunião importante. Minha mulher pode.

Minha mulher. A mulher não é nem nossa, a gente chama de “minha mulher”. A mulher é dela mesma. A mulher decide quando deu, quando não funciona mais. E aí que o homem se apavora. “Mas você é minha!”. A mulher não é sua, a mulher é dela. E se a mulher cansou, já era.

Quando a gente estava por um fio, eu mudei aquilo que podia mudar: eu mesmo. A gente se entendeu. Todo dia eu agradeço. Às vezes, a gente se desentende, mas acho que isso é normal. Fico feliz quando ela fala sobre ficarmos velhos juntos. Às vezes, parecemos dois namorados andando de mão dadas. Mês que vem faz 14 anos que estamos juntos.

 

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