Piangers: Em todos os lugares do mundo, as pessoas estão olhando para seus celulares

Foto: Pexels, reprodução
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Meu amigo Beto estava no metrô de Tóquio em 2009 e viu uma cena bizarra: todas as pessoas do vagão, sem exceção, estavam olhando para seus aparelhos celulares. Era uma cena tão ridícula que o Beto tirou uma selfie. Na foto, a cara dele de estranhamento cômico rodeada de uns 15 japoneses viciados na tela do telefone. Em 2009, o Beto achava que aquilo era impensável de acontecer no Brasil. Beto, o ingênuo.

Em todos os lugares do mundo, as pessoas estão olhando para seus celulares. Viramos Tóquio. Temos sempre algo acontecendo na nossa tela de bolso. Gastamos mais tempo em aplicativos que nos deprimem do que em aplicativos que nos colocam pra cima. Trocamos viagens nossas por viagens de outras pessoas. Perdemos um pôr do sol real na nossa frente porque estávamos olhando um outro pôr do sol no Instagram.

Essa coisa nos viciou. Alguns amigos meus não sabem nem a cor dos olhos dos filhos. “Só sei que esse é o moreno, e aquele é o loirinho. Eles estão sempre olhando pro iPad, então só dá pra reconhecer pela cor do cabelo.” É a primeira coisa que pegamos pela manhã. É a última coisa que largamos de noite. É pra onde estamos olhando enquanto a vida acontece. Ele nos consola com curtidas e comentários. Nos tira da solidão que criamos pra nós mesmos.

Essa é uma ferramenta fantástica que você tem na mão. Podemos escrever textos, fazer filmes, aprender uma nova língua usando apenas aplicativos. Mas, na maior parte do tempo, é isso: polegar empurrando a vida pra cima, timeline que nunca acaba. Dois cliques na foto. Próxima. Dois cliques na foto. Próxima.

Apague agora os aplicativos de jogos. Esconda os aplicativos e as redes sociais em uma pasta. Desabilite todas as notificações. Saia dos grupos de WhatsApp. Coloque em modo avião quando estiver com amigos e família.

Comece a aprender idiomas e fazer cursos online. Baixe um app de meditação. Deixe sempre no silencioso. Não curta este post, se estiver lendo na internet. Não compartilhe. Deixe o celular carregando em outro cômodo. Ou melhor, deixe acabar a bateria. Desligue isso. Aperte o botão ali do lado. Segure por alguns segundos. Pronto. Você está livre.

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