Piangers: Não era você que eu esperava

O Filho Eterno, divulgação Sony
O Filho Eterno, divulgação Sony

Me descontrolei chorando poucas vezes na vida. Quando a minha primeira filha nasceu, e tudo me deixava sensível. Quando vi aquela foto do bebê refugiado morto na praia. Quando contei minha história em um palco pela primeira vez. Quando achei que ia perder minha mãe. Quando estava do outro lado do mundo e fiz vídeo calls com minhas filhas. Quando assisti ao documentário Stories We Tell, sobre uma menina que vai atrás de seu pai biológico. E essa semana, quando acabei de ler Não Era Você Que Eu Esperava, uma história em quadrinho sobre um pai de uma menina linda com síndrome de Down.

Li O Filho Eterno, do Cristóvão Tezza, em 2012. Um tapa na cara. O pai é sincero demais sobre tudo o que passa na sua cabeça quando descobre que o filho tem trissomia. É dor, raiva e vergonha. Em Não Era Você Que Eu Esperava acontece a mesma coisa: o pai chora por dias quando a filha nasce. Não sente vontade de pegar a filha no colo. Só consegue dar banho na filha quando ela já tem 10 meses de idade. O maior medo dele é ter que cuidar da filha pelo resto da vida. Ter que ficar sempre por perto.

Acho que jamais vou sentir toda essa tempestade de emoções. Lendo o livro senti vontade de adotar uma criança trissômica. Passar por todos os desafios e dificuldades e também por todas as maravilhas. Alguns pais já me disseram que foi a melhor coisa que lhes aconteceu. Eu acredito. Acredito com convicção emocionada. Vivemos em um mundo tão cruel que a beleza às vezes passa despercebida. Não para esses pais.

Quando convivo com crianças trissômicas, elas parecem mesmo especiais. Parecem ser mais doces, mais graciosas. Algumas pessoas dizem que não são os pais que têm uma criança com trissomia, é a criança que escolhe os pais. Elas são chamadas de crianças-amor. São dóceis, engraçadas, divertidas, amorosas. Vêm com todos os desafios de uma criança com problemas de saúde, mas dificuldades nos fazem amar mais. Os momentos mais difíceis da vida nos transformam em pessoas melhores e mais empáticas. Eu jamais vou saber das dificuldades que vocês passam, pais de crianças-amor, mas imagino as alegrias. Imagino as alegrias e desejo-os uma vida longa e plenamente feliz. Que bom que vocês vieram.

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