Piangers: Nós, trogloditas reclusos, estamos ultrapassados

Foto: Pexels
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Não faz muito tempo perguntei pro meu amigo Gustavo, pequeno empresário, quantos funcionários homens ele tinha. “Nenhum”, ele me disse. E completou com uma frase que me ficou marcada: “O futuro é feminino”.

A lógica é que teremos cada vez mais mulheres no mercado de trabalho. Cada vez mais mulheres optam por não ter filhos; cada vez mais mulheres assumem cargos de liderança; cada vez mais os trabalhos que exigem força física são substituídos por máquinas; mulheres são maioria nas universidades brasileiras; mulheres vivem mais; mulheres morrem menos de causas violentas e cometem menos crimes, por isso são presas em menor número do que os homens. Ao contrário do que se diz, mulheres dirigem melhor do que os homens, cometem menos acidentes e, por isso, pagam menor valor no seguro do carro.

Mulheres são melhores gestoras, e pesquisas indicam que cuidam melhor do dinheiro. (Curiosidade: na crise mundial de 2008, a Islândia entrou em colapso quando todos os bancos do país quebraram, menos um: que era totalmente administrado por mulheres).

Estive em Brasília palestrando há alguns meses e tive a chance de conversar com o embaixador sueco no Brasil, Per-Arne Hjelmborn. Quando perguntei se as mulheres usavam mesmo a licença parental de um ano e quatro meses ele disse: “Geralmente as mulheres voltam antes ao trabalho. Mais de 80% das mães suecas trabalham. Muitos pais acabam ficando em casa com as crianças depois que as mães voltam para o serviço”, ele disse. Uma amiga que mora no Canadá contou que levou o filho em um parque e, ao olhar ao redor, percebeu que era a única mãe no local. Todas as crianças estavam acompanhadas de seus papais.

Pois então, o que sobrará para os nós, homens? Nos tornarmos mais femininos. O leitor machão já ficará horrorizado, se imaginando de vestido e blush, mas não é isso. A verdade é que nós, homens, teremos que desenvolver nosso lado mais sensível e amistoso, controlar nosso lado competitivo e hostil. O futuro é compartilhável e abundante, criativo e sociável. Nós, trogloditas reclusos, trabalhadores mecânicos, provedores robóticos, transformadores de cerveja em mijo, musculosos abridores de potes de pepino, estamos ultrapassados. Que venha o futuro. E que chegue logo.

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