Piangers: Que trabalho inglório é ser pai

Foto: Pexels
Foto: Pexels

Que trabalho inglório ser pai. Tenho certeza de que, todos os pais que leem isso, concordam que foi a melhor coisa que nos aconteceu. Nos deu significado, alegrias, memórias maravilhosas. Mas que trabalho inglório! Vocês hão de concordar!

A começar com o bebê. Apenas chora e suga e produz xixi e cocô. Apenas devolve todo o leite mamado na sua roupa. Você vira noites, troca fraldas, atende a todos os gritos, corre para dar conta de tudo, e o bebê nem pra aprender a falar “obrigado”. Uma amiga, depois de dar de mamar por dias sem nenhuma recompensa, percebeu que o neném ensaiava um sorrisinho. “O primeiro sorriso dele!”, pensou. Para descobrir, segundos depois, que era apenas mais um cocozão saindo na fralda.

Depois vem a infância. Você vai a restaurantes apenas para ver sua comida esfriando enquanto a criança corre pelo ambiente aterrorizando garçons. Passam os dias e nada parece estar bom. O infante não valoriza nada: sua comida está ruim, sua roupa pinica, o local está chato, papai e mamãe só querem dormir! Acordem! Já é seis da manhã!

Mas, calma, que piora. Virá a adolescência e o desprezo completo. A falta de mão dada, o nojo de abraço, o desdenhar dos carinhos. O constrangimento em ser visto ao lado dos pais em público, a vergonha de todo e qualquer comentário dos pais, que, de um dia pro outro, viraram antigos e patéticos. E nem um obrigado recebemos por tudo o que fizemos.

E tudo é estudo e amigos e namoradas, e, quando você vê, o bebê vai morar sozinho ou fazer intercâmbio, ou casar. “Mas você é muito novo!”, diremos para nossos filhos de 40 anos. Eles não telefonarão nem aos domingos, estarão na Europa durante as datas comemorativas, receberemos vídeos mal filmados no WhatsApp.

E, então, vêm os netos. E os filhos voltam a aparecer. E querem que a gente cuide dos pequenos para que possam resolver coisas do trabalho ou ir ao cinema. E cuidaremos felizes daquelas crianças ingratas, mas fantasticamente fofas. E nossos filhos virão pegar seus próprios filhos com pressa, as crianças gritando, aquela confusão que preencherá a vida. E, já indo embora e acenando, sem nem olhar pra gente direito, nossos filhos gritarão de longe: “Obrigado pela força!”. E pensaremos: “Não foi nada”.

Leia mais colunas do Piangers:
:: Piangers: Quando falamos sobre família, estamos falando sobre nossos sentimentos mais íntimos
:: Nada me aumenta mais o coração do que um pai que se flagra da importância de estar perto dos filhos
:: “Nada deixa um pai mais orgulhoso do que ouvir um elogio aos filhos”

Leia mais
Comente

Hot no Donna