Piangers: Um mundo amigável

Foto: reprodução, Pexels
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Estamos de férias em Floripa, e a Aurora na praia cumprimenta a todos, da menina com biquíni da Ladybug até o bebê de oito meses que dorme nos braços da mãe e tem alguns brinquedos coloridos dando sopa na areia. Ela dá tchauzinho de longe para crianças mais velhas do que ela, na esperança de que a chamem pra brincar.

Ela viu um senhor barrigudo de barbas longas e brancas e foi e voltou na frente do seu guarda-sol umas três vezes, suspeitando de que fosse o Papai Noel. Quando ele a olhou, levantou os polegares, fazendo joinha. Recebeu um joinha simpático de volta.

No mar, a Aurora me perguntou: “O que o mar está nos dizendo, pai? Tu é bom de entender o que o mar está nos dizendo”. Eu disse que o mar estava feliz por ela estar brincando nele. “Tu sabe entender o mar, né, pai?”. Ela leva a sério a natureza. Quando eu provoco as ondas dizendo que não são de nada, que são muito fraquinhas, que eu quero que venham ondas mais fortes, ela pede pra que eu respeite o mar. “Ele pode mandar tubarões, pai.” Ela, então, pede desculpas ao oceano por qualquer mal-entendido e explica que seu pai estava brincando. Canta músicas pra acalmar as ondas.

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Tem medo e curiosidade pelas tatuíras. Acha muito engraçado fazer xixi no mar. Ganhou um picolé da avó, que foi lambido pela metade; a outra derreteu-se pelo corpo da menina. Questionei se queria um milho verde, e ela perguntou se não podia ser milho amarelo. Ao devorar o milho cozido, faz elogios constantes ao sabor da espiga.

Tenho a impressão de que ela sabe que eu acho ela a coisa mais fofa do mundo, que eu olho pra ela com deslumbre sempre que faz qualquer coisa à distância. Não sei se ela é realmente doce assim o tempo todo ou se está apenas me conquistando, se faz isso só pra mim.

Na saída da praia, perguntou novamente o que o mar estava nos dizendo. “Está dando tchau, dizendo que te espera pra brincar amanhã”. Ela fez um tchauzinho com a mão, como se o mundo fosse um lugar amigável.

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