Que fim levou a velha e boa festinha?

Convite para chá de fraldas. Amélia ficou feliz, gostava muito da colega que estava esperando bebê, e queria participar daquele momento gostoso na companhia das amigas do escritório. Quando abriu o envelope para ler qual presentinho deveria levar para a futura mamãe, ficou surpresa: “abajur rosa, com cúpula branca, tamanho médio. Está à venda na loja tal.”

Como assim, abajur? Não se presenteia mais com fraldas, coadores, mamadeiras, talquinhos? Estipular presente é muito deselegante, a menos que o convidado peça uma opinião sobre o que comprar. Aí, vale dar várias opções, de diferentes preços, para a pessoa escolher o que prefere, ou o que cabe no seu orçamento. Segundo contou Amélia, mais da metade da turma inventou uma desculpa e não apareceu. Nem mandou presente, óbvio.

Chá de panela deveria seguir as mesmas regras: lembrancinhas, presentinhos úteis para ajudar as equipar a cozinha da futura dona da casa, desculpa para reunir as amigas e fazer festa. Mas virou coisa séria – até demais. Convites formais, espaços locados para eventos, decoração profissional e… presentes caros. De repente, ficou feio dar um conjunto de bacias ou potinhos plásticos. A amiga mais pobre se sente constrangida diante do glamour da festa e dos embrulhos requintados levados pelas outras convidadas.

Reza a lenda que o chá de panelas surgiu quando um humilde holandês apaixonou-se por uma jovem rica e os dois queriam casar. O pai dela, desaprovando a união, avisou que não contribuiria em nada para o casamento. Amigos dos noivos, então, juntaram-se e ofereceram-lhes um chá, com itens básicos para montar a cozinha. Já o chá de fraldas (ou de bebês), conta-se, é ainda mais antigo: teve início na Inglaterra da Rainha Vitória. Parentes muito próximos da jovem mãe e amigas íntimas se reuniam para visitar a ela e ao recém-nascido, oferecendo presentes básicos e conselhos, ao redor de uma mesa com guloseimas.

As coisas mudaram muito nos últimos tempos. Parece que tudo, hoje, tem que ser um “megashow” para ser bom, do batizado às Bodas de Ouro – começando com os antes singelos chás que reuniam as amigas para uma tarde de muitas risadas e confissões. Primeira comunhão, noivado, formatura, casamento… Muita produção, muito glamour e presentes vistosos. Não sei se é só impressão, mas me parece que o essencial, que é a emoção genuína, a alegria de estar entre amigos, não é mais a principal razão de se festejar.

Leia mais
Comente

Hot no Donna