Reencontros que aquecem a alma

Muitas vezes me peguei pensando sobre como estariam as minhas antigas amigas de infância. Os colegas das várias escolas por onde passei, já que nos mudávamos com uma certa frequência por causa da profissão do meu pai. Embora cada vez que saísse de um lugar eu jurasse de pés juntos que nunca me separaria dos meus amigos, é claro que isso sempre acabava acontecendo.
– A gente nunca vai separar. Seremos melhores amigas para sempre – prometíamos umas para as outras. Na época, acreditávamos mesmo que seria assim.
Mas a vida tratava de nos separar, e da grande maioria fiquei sem saber nada durante dezenas de anos. Mudei de Estado, casei, tive filhos, segui meu destino. Elas, com toda a certeza fizeram a mesma coisa.
Vieram outras escolas, os novos amigos – que depois também se tornariam os melhores, e de quem jurava nunca esquecer, sempre que chegava a hora de dizer adeus. E novamente vinha a vida me provar que nada é eterno, muito menos as amizades infantis e da adolescência, com raras exceções.
Mas eu nunca esqueci de meus melhores amigos, de todas as épocas. Volta e meia lembrava deles, mexia nas minhas caixas de recordações, das quais nunca me separei, e lá estavam as cartinhas, as fotos de um passeio ao zoológico, ao planetário, às festas, os desfiles de 7 de setembro…
Tenho também as fotos da época da adolescência, dos acampamentos na praia nas férias de verão, os bailes, os churrascos, os primeiros amores. Tudo guardado, em lembranças físicas mas, principalmente, na memória e no coração.
Mesmo assim, ainda faltava alguma coisa. Até a chegada das redes sociais, especialmente da popularização do Facebook. Agora, um dos meus passatempos preferidos é encontrar antigos amigos que havia muito tempo não sabia por onde andavam. Fico feliz quando os reencontro e percebo que eles também não haviam esquecido de mim – as lembranças ficam apenas “adormecidas” num cantinho qualquer da alma, até que alguma coisa as reavive.
Encontrei várias amigas queridas, algumas delas colegas desde a terceira série do fundamental, quando tínhamos só oito anos de idade. Que coisa mais boa trocar fotos e lembranças… É como se o tempo pudesse voltar atrás, pelo menos por algumas breves horas.
– Tua mãe ainda faz rosquinhas fritas de polvilho, Celeste? – perguntei, assim que encontrei esta amiga com quem passava as tardes andando de bicicleta, num tempo em que ir pra aula e brincar ocupava todo o meu dia.
– Tu lembras dos nossos ensaios da banda, Janice?
– Ana Cláudia, olha essa foto com nossos primeiros namorados…
– Carmen, lembra de como trocávamos peças de roupa antes de ir para a boate, para parecer que sempre estávamos de roupa nova?
São muitas as lembranças, que surgem cada vez que abro o Facebook e encontro meus amigos, de antes, de agora, de sempre. Eles ajudam a aquecer meu coração, especialmente nestas tardes frias de inverno.

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