Representatividade: Oprah fala da importância de referências negras e femininas em discurso no Globo de Ouro

Foto: AFP
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O Globo de Ouro é uma das maiores premiações do cinema e televisão do mundo. E neste domingo quem se destacou foi o ativismo feminino. A maioria dos presentes aderiu à campanha Time’s Up, que pede o fim das agressões sexuais, assédio e desigualdade no local de trabalho. O ponto alto da noite foi o discurso forte e emocionante de Oprah Winfrey, que recebeu o prêmio Cecil B. DeMille, pelo conjunto da obra.

Oprah é a mulher negra mais influente do mundo. Por muitos anos foi a apresentadora mais poderosa da TV norte-americana. Além de apresentadora, ela é atriz, cantora, dona de um canal de televisão, está à frente de diversos projeto sociais e é dona de revistas, entre tantos outros atributos.

Ao receber o prêmio pelas mãos da atriz Reesse Witherspoon, Oprah fez um discurso de quase 10 minutos em que relatou a importância das mulheres e de uma referência negra, além de falar de um caso de abuso em especial e se solidarizar com a campanha Time’s Up.

Ela iniciou sua fala lembrando de quando era criança e assistiu Sidney Poitier, ator e diretor negro, ganhar uma estatueta do Oscar. Ela nunca havia visto um homem negro ser premiado dessa maneira e lembra o quanto isso era importante para quem estava assistindo na época e o quanto a inspirou. Lembrou que, anos depois, o mesmo Sidney ganhou o prêmio que ela própria estava recebendo nessa noite, como primeira mulher negra homenageada, e o quão importante é para as crianças que a estão assistindo também.

Eu digo e repito que ter referências positivas como essa mudam completamente o futuro dos jovens. Principalmente jovens negros que já nascem com imagens determinadas e estereótipos a serem mantidos. Oprah é um exemplo gigante do que podemos nos tornar. Ela tem uma história de batalhas, infância e juventude bem simples e com conflitos, que foram superados principalmente através da educação.

Disse estar orgulhosa e inspirada pelas mulheres corajosas que compartilharam suas histórias pessoais de abuso. E gratidão para aquelas mulheres fora da mídia que aguentaram qualquer tipo de “desaforo” por ter uma casa a sustentar e filhos a criar.

Contou a história de Recy Taylor, jovem negra do Alabama que foi sequestrada e estuprada em 1944. Que, mesmo sofrendo ameaças, contou sua história à Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor, onde uma jovem chamada Rosa Parks se tornou a investigadora principal e juntas buscaram justiça. Infelizmente ela morreu há 10 dias e sem que os homens que a abusaram realmente perseguidos.

Mostrou que homens poderosos e impunes não serão mais tolerados, pois time’s up (tradução: “a hora chegou”), e as mulheres não irão mais se calar e aceitar a insubordinação.

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Oprah finalizou seu discurso com a esperança de que as meninas e mulheres que a assistiam naquele momento saibam que há um novo horizonte e isso se deve a muitas mulheres e homens que estavam no auditório, lutando para garantir que não sejam mais dito #metoo. É, temos que segurar as lágrimas e fôlego depois das palavras de Oprah. Afinal ela ressaltou nossas principais lutas atuais, contra o racismo e a opressão e abuso de mulheres.

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