Sem esperança: as células malditas não morrem jamais!

Na sala de espera de um consultório médico comecei a folhear uma destas revistas de “vida saudável”, cheia de dicas para quem quer emagrecer. A gente olha as figuras daquelas mulheres sorrindo, felizes da vida, e lê um título do tipo “eu emagreci 20 quilos em seis meses, sem fazer força” e pensa: ah, não deve ser tão difícil assim. Mas é. Difícil e caro. Já cheguei à conclusão de que pobre só fica magra se a genética contribui – ou, então, se passa fome, o que não desejo a ninguém.

Nunca entendi o porquê dos alimentos para dietas serem mais caros do que os comuns. Pão sem glúten, sem gordura, sem lactose e sem açúcar custa bem mais do que o pão feito com tudo isso. Por que? Se tirar tudo, deixar só farinha e água, então, vai custar uma fortuna.

Chocolate meio amargo é mais caro do que o ao leite, mesmo tendo menos leite e menos açúcar. Iogurte desnatado, a mesma coisa. Cereais integrais são outro mistério pra mim. Custam quase o dobro dos outros porque não passaram pelo processo de refinamento. Não tinham que ser mais baratos, então? Sei lá. Acho estranho isso. Só sei que tudo o que faz bem para a saúde é mais caro do que aquilo que faz mal. Frutas e verduras orgânicas estão nesta lista também.

Passei para outra página da revista. Falava sobre os poderes das frutas vermelhas. Uau! Nunca imaginei que elas fizessem tanto bem para o organismo – pelo menos até que alguma outra pesquisa comprove o contrário, como já aconteceu com vários alimentos, que passaram de vilões a heróis, ou vice-versa.

A frutinha da moda agora é a gojy berry, “um superalimento de origem asiática com 50 vezes mais vitamina C do que a laranja”. A nutricionista da revista diz para comer um punhadinho por dia. E nem poderia ser mais mesmo. Quem pode pagar cerca de R$ 30 por 50 gramas do produto? É só fazer as contas e calcular quanto custa o quilo da tal frutinha… Como diz uma amiga minha, fruta vermelha de pobre é melancia. E olhe lá.

Além da dieta é preciso também exercício físico para emagrecer. O ideal, dizem os entendidos, é combinar exercícios aeróbicos e anaeróbicos, que dão força muscular. Ou seja: só aquela caminhada no parque, que não custa nada, não basta. Acrescente na conta o custo da academia, do pilates, ou de qualquer outra nova modalidade trazida não sei de onde que pipoca por aí antes de cada verão.

Modismos à parte, se o bolso e a força de vontade forem grandes, você até pode chegar lá. Um dia, sobe na balança e comemora os quilos a menos. Ufa! Dá para dar uma relaxada, então, depois de tanto esforço? Nananinanão. “As células de gordura não morrem nem desaparecem. Elas ficam dentro do seu corpo, só esperando para começar a inchar de novo. Isso é desumano!

“Dieta é para a vida toda”, avisa o médico, num tom ameaçador. Você até enxerga as células de gordura ali na sua barriga, de boca aberta, só esperando a primeira garfada naquela torta de chocolate para explodir de vez. Que horror! Você pensa no sacrifício de comer pouco e pagar caro, no prazer momentâneo de brigadeiros, chocolates, churrascos, cervejinhas… Começa a salivar e… Pronto. Mais gastos. Vai precisar de ajuda psicológica para descobrir se isso é compulsão, ou se é apenas inveja de quem pode comer de tudo – e o quanto quiser – sem engordar.

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