Marrakech, um destino exótico para curtir as férias | Luciane Garcia

Selman
Selman

Desembarquei em Marrakech e já no aeroporto o cheiro era de exotismo. Uma construção cheia de azulejos com um exterior ocre, combinando com a paisagem e um ar quente, me aguardavam. Ao longe, no caminho para o hotel, avistava as montanhas do alto Atlas.

Fui sozinha para uma feira, onde encontraria amigos e vários conhecidos. Ao contrário do que muitos diziam e me recomendaram, não me senti “acuada” por ser mulher em um país islâmico. Depois de me acomodar no hotel, encontrei a amiga que me faria companhia pelos próximos dias e rumamos a pé para a Praça Djemaa el-Fna, o coração da Medina da cidade. É claro que, no percurso, algumas pessoas nos olhavam com interesse e curiosidade, mas nada que nos desse qualquer receio de estarmos só as duas. Ao chegar no destino, fomos brindadas por um pôr do sol magnífico, completamente laranja, atrás da Mesquita Koutoubia.

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Chegar e atravessar a Praça Djeema é uma aventura. Tudo acontece ali, de barracas de comidas (fico com receio de comidas de ruas, mas pelo visto só eu tenho este medo, pois turistas do mundo inteiro se esbaldavam em grandes refeições) a encantadores de serpentes (minha amiga encarou uma cobra no pescoço dela! Eu, fora!), contadores de histórias, videntes… Conforme o dia vai caindo, e com a chegada da noite, o lugar entra em ebulição.

A praça é a entrada dos souks, os verdadeiros labirintos por onde pode-se passar horas passeando, comprando tecidos lindos, roupas, artesanato ou sentindo o cheiro – para mim, delicioso –  das especiarias.  Em outro horários é possível visitar as Madrassas. Adoro esse tipo de lugar, só detesto uma coisa: pechinchar. Chegava a ser cômico, pois para a minha amiga dava um preço, e quando eu chegava, logo atrás, me davam um preço maior! Brincávamos que ela era a “local” e eu a gringa burra e rica…

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Para jantar, pedimos uma indicação do concierge do nosso hotel e com certeza foi uma super dica. Fomos ao Jad Mahal. O local, de super bom gosto, com decoração bonita e ótima comida local (os tajines estavam uma delícia) é uma mistura de bar, restaurante com dança do ventre e, depois de certo horário, torna-se uma balada com bandas locais. Imperdível. Mas… o trabalho nos aguardava no dia seguinte. Falando em comer, para quem gosta do assunto, a cidade é um achado. Desde pequenos cafés em terraços debruçados sobre a cidade, como o Terrace dês Epices, passando por comidas de rua ou restaurantes super conceituados, os temperos são perfumados, os sabores intensos e para quem gosta, os doces são uma perdição.

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Outro passeio lindo demais, imperdível , é a visita aos Jardins Majorelle, um oásis no meio do caos. Depois de passar anos abandonado, o local foi comprado e restaurado pelo estilista Yves Saint-Laurent, cujas cinzas estão depositadas lá. O local mistura um jardim botânico, um museu – o Museu Berbere, que apresenta uma rica coleção de jóia, vestimentas, ferramentas e armas desse povo guerreiro que vive no norte africano há mais de 10 mil ano – café e loja. Na lojinha, por sinal, além de livros e artesanatos um dos itens que vende são as latinhas de tinta no tom azul Yves Klein (a cor que adorna os jardins).

Muitos me perguntaram sobre a infraestrutura hoteleira da cidade. Só tenho uma coisa a dizer: um arraso! É uma profusão de hotéis maravilhosos que chega a ser quase indescritível. De pequenos hotéis charmosos no meio da medina a verdadeiros resorts (daqueles de se tirar um dia inteiro para se esbaldar em spas, piscinas…) a cidade oferece o que há de melhor em acomodações e serviços. Para citar alguns: o Amanjena e o Selman, ambos um pouco afastados do centro, o Four Seasons e o icônico La Mamounia (caso não possa se hospedar nele, vá ao menos conhecê-lo), estes centrais mas igualmente paradisíacos.

Conheça os hotéis

Depois de bastante trabalho, no último dia fui fazer um passeio que é dos que mais me agrada ultimamente: contratei um guia só para mim e voltei com ele para a medina. Nosso passeio foi cheio de visitas interessantes, como uma padaria secular, daquelas que nem imaginamos ainda existir, escondida atrás de uma portinha que eu tinha que me abaixar para entrar e a Madrassa Ben Youssef, uma antiga escola islâmica fundada no século XIV onde os alunos memorizavam o alcorão, ao lado da mesquita de mesmo nome e que hoje é um dos mais belos exemplos de arte e arquitetura islâmica. Porém, além das explicações e visitas, a parte realmente mais interessante do passeio foi convidar meu guia para um café, ali em frente à praça, e ficar conversando sobre o dia a dia de uma família islâmica.

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Ele me contou que, apesar de formado em física na Inglaterra, resolveu voltar para o Marrocos para ali criar suas filhas… e que pelo destino acabou virando guia de viagem. Disse que as filhas são bem independentes, que ambas estão na faculdade e que ele quer que elas sejam mulheres importantes. Ao mesmo tempo tradicional, me contou sobre os casamentos no dia de hoje, por amor, é claro, mas sim, com o dote. Ele me explicou que o dote é a maneira que o pai tem de saber se o futuro genro tem condições de suprir a vida de casados, mesmo que a esposa trabalhe, garantindo assim que as  e que sua filha não passará necessidade.

Estas conversas e aprendizados são a minha parte favorita das viagens. Seria capaz de passar uma tarde inteira assim, em um café, falando sobre a vida local… E para isso dedico a minha vida, desbravando lugares e dando a outra face ao destino.

“É com muito prazer que estreio esta coluna. Sempre escrevo notas pessoais, com minhas impressões das viagens, e será um grande prazer dividir minhas experiências com vocês.  Minha ideia é relatar as histórias como se estivesse contando sobre  a viagem para meus amigos, de forma intimista. Espero que aproveitem, sugiram temas, elogiem e sim, critiquem, pois só assim poderei constantemente melhorar”

Boa viagem a todos! 

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