Viviane Bevilacqua: amigo secreto

No ano que vem o chefe vai sugerir um outro tipo de festa, para não criar climão

Natal lembra família reunida, presentes, saudade de quem está longe, mesa farta e o cheiro adocidado do tender
Natal lembra família reunida, presentes, saudade de quem está longe, mesa farta e o cheiro adocidado do tender Foto: Divulgação

O que não pode faltar no final do ano? Quem pensou em amigo secreto, ou amigo oculto, ou amigo qualquer coisa, acertou. Ninguém escapa de participar de pelo menos uma brincadeira deste tipo. Não teve amigo secreto na sua empresa? Ah, então o fim de ano foi sem graça!

O melhor nem é a troca de presentes – os quais, até mesmo pela limitação de valores – são sempre os mesmos: livros, CDs, bombons, chinelos, camisetas… E é preciso limitar, mesmo, quanto cada um deve gastar, para evitar constrangimentos posteriores. O que eu acho engraçado, de verdade, são as saias-justas, que também fazem parte da brincadeira.

Se no final do amigo secreto, quando o último presente tiver sido aberto, todos ainda continuarem se dando bem, bingo! A festinha cumpriu seu papel. Mas se você ficou decepcionado com o presente que recebeu, ou ficou magoado com as palavras que seu “amigo” usou para descrevê-lo durante a brincadeira de adivinhação, só lhe resta esperar pelo fim do ano que vem. E, quem sabe, então, se vingar, dando um pinguim de geladeira de presente, ou aquela camiseta cor de abóbora com gola verde limão que você ganhou no amigo secreto do ano passado e que ainda nem tirou do pacote, que está escondido no fundo da gaveta.

Na hora de revelar:

? Meu amigo secreto é um cara… um cara… legal. Mas muito pão-duro!

Todos os outros já apontam para o Pedro, conhecido por ser realmente mesquinho, daqueles que não dividem nem um sorriso de bom-dia.

Aí, é a vez do Pedro dizer quem ele pegou.

? Meu amigo secreto é… uma mulher. A mais tagarela de todas. Não cala a boca nunca e deixa qualquer um zonzo!

? É a Marlene, a Marlene – gritam todos, em coro.

Marlene se levanta, meio sem jeito, claro. Afinal, foi chamada de tagarela por todos. Pior do que isto: recebeu um presente do cara mais pão-duro do escritório. Abriu o pacotinho (um envelope pardo, destes de correspondência) e deu um sorriso amarelo de agradecimento. Ganhou um calendário, uma régua e uma caneta vagabunda, tudo coisa que o Pedro deve ter ganho de brinde.

Todos riram, e o pão-duro retrucou:

? Ué, gente. Vai dizer que não é útil? Quem não precisa de caneta?

E foi a vez da Marlene dar as características de seu amigo secreto.

? Ela é… arrumada. Gosta de se produzir, está sempre no salto.

Todos apontaram para a Lili e começaram a bater com as mãos na mesa, gritando:

? Perua, perua, perua!

Lili ficou vermelha ? dava para ver, mesmo com toda aquela camada de base, pó e blush. Chegou a vez dela revelar quem era o seu amigo.

? Ele é… um cara… gente boa. Amigo, sincero, competente.

Todos se olharam, cada um sugeriu um nome. Como ninguém acertava, Lili falou:

? É o chefe, gente!

Foi uma vaia só.

0151 Puxa-saco! Puxa-saco! Puxa-saco!

Até o chefe ficou constrangido. No ano que vem ele vai sugerir um outro tipo de festa. Sem amigo secreto, para não criar climão na empresa.

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