Viviane Bevilacqua: E assim nascem os avós…

Arte: Ben Ami Scopinho/Agência RBS
Arte: Ben Ami Scopinho/Agência RBS

Mal deixamos a clínica onde recebemos a notícia de que estávamos grávidos e corremos para o telefone público mais próximo.

– Mãe, a gente vai ter um bebê!

Do outro lado da linha uma voz embargada pela emoção nos desejou muita saúde e felicidade.

Logo depois telefonamos para a outra “nova vovó”. Também quase caiu em prantos, largou o telefone e foi correndo contar para o marido, pois, até que enfim, um netinho estava à caminho.

Naquele momento nascia um pai e uma mãe de primeira viagem, e ao mesmo tempo, o coração dos “velhos” se enchia de ternura e felicidade com a notícia de que a família aumentaria em pouco tempo, e que a continuação da espécie, no que dependesse de nós, estava garantida.

Passados alguns dias começaram a chegar pelos Correios os casaquinhos, macacões e sapatinhos confeccionados em tricô pelas mãos hábeis e generosas de minha sogra. Um mais lindo do que o outro, em cores neutras, já que ainda não sabíamos o sexo do bebê. A vida dela parece que ganhou um novo sentido. Afinal, tinha seis filhos adultos, mas nenhum havia lhe presenteado com um neto, e ela sonhava com este momento fazia muito tempo. Minha mãe já tinha um netinho, mas nem por isso sua felicidade era menor.

Cercada pelo carinho das duas vovós, minha barriga foi crescendo, crescendo, crescendo. Até que chegou o dia.

– Mãe, vem pra cá!

Como ter um filho longe da mãe? Nem pensar! Queria ela ali, do meu lado. O marido também, lógico. Mas ela sabia como cuidar de um serzinho recém-nascido. Ele não tinha nem ideia. Nem eu.

Parto terminado, meus sogros, que moravam longe, receberam o telefonema tão esperado. A ansiedade dos últimos dias deu lugar à felicidade plena.

– O bebê chegou, e com saúde.

Estava tudo perfeito. Eles, lá longe, não viam a hora de ver o rostinho do neto. Naquele tempo a Internet estava nos seus primórdios e não havia como mandar fotos instantâneas – Facebook e Instagram eram coisa de ficção científica. Tentávamos descrever pelo telefone como o guri era: gordinho, de bochechas rosadas e olhos castanhos, cabelinho preto e esfomeado, mamava o dia inteiro…

Ao sair do hospital com meu filho nos braços fui direto para a casa da minha mãe. Eu morria de medo de não conseguir cuidar dele direito. O marido, claro, não desgrudou, pelo menos durante a licença-paternidade. A vovó ajudou no primeiro banho (e provavelmente no segundo, no terceiro, no quarto) e só saí da casa dela quando caiu o umbigo do bebê. Aí, senti que ele já era grande o suficiente para que eu encarasse o meu papel de mãe, com todas as delícias e aflições que este posto exige. Cheegamos em casa e… Surpresa! A outra avó não aguentou a ansiedade e foi conhecer o netinho. Ficou na minha casa por uma semana, o que, claro, foi uma benção, pra criança e pra mim.

Aos poucos, a vida foi voltando ao normal. Até que, passados alguns anos, meu segundo filho chegou. A emoção foi a mesma, o amor também, talvez só a ansiedade e as dúvidas tenham diminuído um pouquinho.

Tudo isso aconteceu há muito tempo.

Os vovôs/sogros tiveram outros netos e multiplicaram a alegria, mas já não estão mais aqui.

Meus pais têm cinco netos, moram bem pertinho de mim, e são referências para meus dois filhos, já adultos. Neste final de semana do Dia dos Avós, só me resta dizer: quando eu tiver meus netinhos, quero ser para eles tão importante quanto meus pais e sogros foram e são para a nossa família. Amamos vocês.

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