Claudia Tajes: “Seja lá qual for a sua escolha, desejo que traga paz e alguma estabilidade para o país inteiro”

Pixabay, Divulgação
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Quando esta coluna for publicada, a semana mais tensa do ano estará no fim. Ia dizer semana explosiva, mas é melhor não usar palavras desse tipo quando a coisa está explosiva. Para ninguém ter a mais mínima ilusão de que os dias pré-eleição seriam fáceis, a chuva nos pegou desprevenidos na segunda de manhã.

Em instantes, o trânsito virou um caos, as ruas se alagaram e restou aos pedestres correr pelas calçadas em busca de algum abrigo. Buscando um cantinho de marquise, vi uma carteira vermelha de matelassê atirada na entrada de uma loja ainda fechada. Toda molhada, o forro saindo para fora como em um bolso revirado na busca pela última moeda.

Além da tensão, da chuva, da correria, uma mulher foi roubada na segunda-feira de manhã. A essa altura eu não sabia que, na metade da tarde, também perderia a minha com todos os documentos, cartões e até o telefone dentro.

Depois de um fim de semana de milhares na Redenção pelo #EleNão e dos apoiadores do outro reunidos no Parcão, debate dos presidenciáveis no final do domingo. As mesmas perguntas, as mesmas respostas e algumas acusações sem chance de resposta para os acusados, mas também sem qualquer repercussão fora do estúdio.

Alguém disse que deveria ser proibido candidato chato perguntar para candidato chato. Os chatos, obrigatoriamente, teriam que perguntar para os doidos e garantir alguns minutos interessantes em suas campanhas sonolentas. Falando em doido, ninguém bate o candidato cabo, que pelo menos declara amar as mulheres e passou um tempo nas montanhas fazendo transmissões engraçadíssimas.

Passadas as eleições, o homem precisa ser incorporado urgentemente como roteirista e ator ao Porta dos Fundos. Glória a Deus.

Semana que começou com uma perda. Charles Aznavour morreu na primeira madrugada. Tinha 94 anos e alguns logo disseram: estava na hora, viveu o bastante. Coisa nenhuma. Mesmo passando por alguns problemas de saúde, ele havia chegado naquela mesma noite de uma turnê pelo Japão. Planejava vir ao Brasil em 2019. Daqueles casos em que falta tempo para tanta vida.

Foi mais uma semana em que o dólar e as bolsas sambaram na cara da sociedade, oscilando ao sabor das pesquisas, denúncias, delações vazadas e ameaças disso e daquilo. O tal mercado é perverso. A maneira que encontra para nos forçar a fazer o que é melhor para ele é torturar o país inteiro com a sombra de dias piores. Seja lá o que isso signifique quando já se está beijando o fundo. Acho mesmo que setores afinados deveriam se unir e lançar desde já a campanha Mercado para Presidente em 2022. Acabar com os testas de ferro, é disso que se trata.

Quando esta coluna for publicada, mais um debate entre os candidatos terá acontecido e sabe-se lá que novas e bombásticas notícias estarão nas páginas, nas telas e nas redes. Pensando bem, é melhor não falar bombásticas quando as coisas estão bombásticas. Estaremos a um dia de votar pelo nosso destino nos próximos quatro anos.

Seja lá qual for a sua escolha, desejo que traga paz e alguma estabilidade não só para a sua turma ou para minha, mas para o país inteiro. Montanha-russa é ótima nos primórdios da paixão, quando o coração saindo pela boca promete grandes emoções – e só por um breve período, depois o que todo mundo prefere é se aquietar e ver um filme no sofá da sala. Na política, em geral, turbilhão só promete mais turbilhão. Bom voto. E que a semana termine bem.

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