Namora um colega de trabalho? Veja dicas para não desgastar o relacionamento nem a carreira

(Banco de Dados)
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Natasha Heinz, especial

Você se veem todos os dias na empresa, têm habilidades parecidas e interesses que se completam: é natural que role um flerte. Mas e depois? Namorar um colega de trabalho é possível — uma pesquisa realizada pelo International Stress Management do Brasil (Isma-BR) aponta que casais que trabalham em uma mesma empresa possuem um relacionamento mais agradável. Dos entrevistados, 80% disseram sentir menor desgaste emocional porque compreendem melhor o trabalho, a carga horária e o estresse do outro. Entre os parceiros que trabalham em organizações diferentes, somente 37% têm a mesma estabilidade na relação.
O que não quer dizer que seja fácil: há regras a serem seguidas para não atrapalhar o rendimento e limites a serem estabelecidos para não desgastar a relação.

— Relacionamentos entre colegas de empresa são mais criteriosos e com maior chance de evoluir — afirma a psicóloga Débora S. de Oliveira, professora da PUCRS e Especialista em Terapia de Família e de Casal. — Os casais tendem a não investir em uma relação que não pode adiante, pois, no término, haveria o desconforto do convívio diário.

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Para evitar que um relacionamento entre colegas interfira na carreira — e que o trabalho interfira no relacionamento —, algumas atitudes precisam ser tomadas. Confira as dicas de Débora Oliveira, da psicóloga e coach executiva empresarial Nair Dias Gomes, da consultora de etiqueta empresarial Célia Leão e da professora da Unisinos Angela Marin, doutora em psicologia e especialista em terapia de casal e família:

Conte aos chefes e colegas

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Quando dois colegas se envolvem, o primeiro passo é saber a política da empresa sobre relacionamentos: algumas proíbem totalmente, outras têm restrições para casais do mesmo setor ou entre chefes e subordinados. A dica é comunicar o gestor e perguntar qual o melhor caminho a tomar, como uma transferência de departamento, por exemplo.

— Um namoro entre colegas de trabalho dificilmente passará despercebido por muito tempo. A maior proximidade do casal e a manifestação de comportamentos que não eram habituais passarão a ser notados pelos colegas e chefes — reflete Angela Marin, destacando que, se for algo passageiro e sem perspectivas de futuro, não vale comentar, até para não causar constrangimentos futuros.

Nair Gomes destaca que é melhor compartilhar antes que a notícia chegue de forma distorcida ou o casal seja comunicado que eles estão infringindo uma regra da empresa.

Cuidado com demonstrações de afeto

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A palavra de ordem é discrição, mesmo em ambientes de trabalho informais. Importante: festas de final de ano, por exemplo também são um compromisso de trabalho, sem lugar para beijos apaixonados.
Não caia na tentação do isolamento. No horário do almoço, por exemplo, não tem problema que o casal sente junto, desde que não fiquem só os dois.

— É importante agir como colegas, e não namorados, porque, nesse ambiente, o que é privilegiado é o perfil profissional — destaca Nair Dias Gomes.

Trabalho na empresa, relacionamento em casa

 

Existe uma linha que separa vida pessoal e profissional — que não deveria nunca ser ultrapassada, mas provavelmente será. Situações no trabalho irão afetar o relacionamento e vice-versa. Então, é necessário que o casal faça acordos que limitem essa interferência: assuntos de trabalho que não podem ser comentados em casa e discussões conjugais que não sejam levadas para o ambiente profissional. A psicóloga Débora S. de Oliveira dá algumas dicas práticas para não misturar os dois âmbitos:

– Definir com clareza funções, regras e atividades.

– Intensificar a comunicação para conhecer melhor a linguagem um do outro, mesmo em momentos de forte estresse;

– Respeitar e valorizar o ritmo de cada um no trabalho e em casa.

– Lembrar que o local de trabalho não é apropriado para apelidos carinhosos e demonstrações de afeto, pois irão gerar comentários na empresa e o chefe poderá ficar desconfiado da capacidade de concentração e de sua produção.

– Não comentar assuntos de noites passadas ou acontecimentos privados mesmo que por e-mail.

– Fazer de tudo para que vocês sejam vistos como profissionais independentes, com opinião própria.

– Não revelar confidências ou intimidades do companheiro para colegas.

Discordâncias x brigas

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Casais brigam por diferentes motivos. Quando trabalham juntos, há discordâncias profissionais, que devem ser tratadas como tal. Angela Marin ressalta que cautela é fundamental para não misturar as duas esferas.

A expectativa de apoio mútuo é esperada, devido ao envolvimento afetivo. Essa frustração pode acentuar o conflito — afirma a terapeuta de casais, explicando que um parceiro sempre vai esperar que o outro concorde com ele por causa da proximidade da relação.

— O casal precisará avaliar a situação na busca da melhor solução profissional em detrimento de questões pessoais e se questionar sobre os prós e contras de permanecerem em projetos comuns.

E quando termina?

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A consultora de etiqueta empresarial Célia Leão aconselha que o casal sempre considere que, caso o relacionamento não dê certo, eles terão que continuar convivendo de forma profissional, civilizada e produtiva. Por isso, a importância dos limites durante o relacionamento.

A psicóloga Débora Oliveira destaca que o rompimento implica adaptações e maturidade para não acarretar problemas profissionais. Ela indica algumas atitudes a ser tomadas em caso de separação:

– Avisar o chefe de imediato para evitar comentários inconvenientes pelos corredores.

– Não discutir questões da separação no local de trabalho nem por e-mail.

– Evitar fazer projetos juntos pode piorar a situação. Você deve ser vista como profissional independente, com opinião própria, independente de sua situação amorosa.

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