Ana Emília Cardoso: “Quando descobri as maravilhas de não usar anticoncepcionais”

Foto: Mateus Bruxel
Foto: Mateus Bruxel

Por Ana Emília Cardoso, jornalista, autora de Mamãe É Rock,
mãe de Anita, 11 anos, e Aurora, quatro

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Foto: Lufe Gomes, Divulgação

As pessoas ficam chocadas ao saber que eu não quero ter mais filhos. É como se eu dissesse que matei alguém. Há anos, tenho essa certeza dentro de mim. Meu útero já me avisou – somos amigos – que ele não quer mais gerar seres humanos. Minha cabeça disse que não dá mais conta de tanta logística. Minhas costas agradecem a decisão, meus seios idem e até a gerente do banco concorda plenamente. Chega de bebês nesta residência. Duas filhas, para mim, está mais do que bom.

Deve fazer uns três anos que descobri as maravilhas de não usar anticoncepcionais, algo que fazia desde os 15 anos. Sempre tomei pílula. Para não ter espinhas, para não ficar menstruada na praia e até para não engravidar. Só de lembrar sinto o gosto doce de um anticoncepcional cor-de-rosa na boca.

Essas pequenas doses de hormônios ingeridas todos os dias, por anos, interferem profundamente no nosso organismo. Pergunte a um homem o que ele acha de tomar uma pequena pílula todos os dias que pode aumentar o risco de acidentes vasculares, alterar o humor e reduzir a libido. Não é à toa que os testes são constantemente cancelados e não dão em nada. Enquanto houver mulheres dispostas a sofrer os efeitos, para que os homens vão arriscar a saúde deles com isso?

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É muito bom ser mulher. O nosso corpo é tão perfeito que se autolimpa uma vez por mês, eliminando os excessos. Se prestarmos atenção no que sentimos, podemos chorar mais quando estamos sensíveis e não acumular angústias e tristezas secas. Sentiremos desejo de comer algo que nosso corpo esteja precisando. Vamos nos proteger quando for necessário, quando tivermos alguma cólica ou fraqueza. Um chá e um abraço todo mês, na época certa, evitam anos de psiquiatra. E a melhor parte: a vontade de fazer sexo de verdade.

Como diz uma propaganda na Rádio Gaúcha, sexo é vida. Então, esse simples detalhe que envolve desejo, prazer e um instinto meio irracional, já vale o risco de não tomar anticoncepcional. Tenho um grupo de amigas, que também pararam de tomar pílula, com que discuto sobre as fases, o sexo e outros benefícios. Nenhuma jamais voltaria aos hormônios. É bom ser a gente mesma, recomendo.

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O uso da camisinha é muito importante no quadro apresentado. Aliás, deveria ser sempre. Em todos os relacionamentos e estados civis. Sem camisinha, o risco de engravidar é altíssimo. Porque quem toma pílula não ovula – nunca. Mas quem não toma ovula todo mês. E tem mais vontade de fazer sexo. E tem muito mais vontade quando está ovulando, porque a natureza está sempre em busca da continuidade.
Já recorri ao “pós-love”, a pílula do dia seguinte com esse sugestivo nome cafona. Uma paulada de hormônio capaz de evitar uma gravidez indesejada e me deixar tonta por um mês. Assim, neste ano encarei uma cirurgia que já deveria ter feito desde que a Aurora nasceu, a laqueadura.

A laqueadura não dói muito. Passei duas semanas de molho, um pouco inchada e sem fazer atividades físicas, mas agora estou livre de preocupações. Já apaguei os aplicativos que usava para controlar meu ciclo e não caibo em mim de felicidade. Mas as pessoas seguem ficando chocadas e tristes porque eu não quero mais ter filhos.

 

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