Appartidárias: plataforma mapeia perfil das candidaturas femininas em busca de representatividade na política

Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE
Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE

As mulheres somam 51% do total da população brasileira, estimada em 208,5 milhões de habitantes, conforme dados divulgados em agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Atualmente, somos cerca de 4,5 milhões a mais em relação ao número de homens no país.

Também somos maioria em número de eleitores neste domingo, 7 de outubro: 52,5% do total, informa o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mas esse predomínio não se reflete em representatividade na política. Um exemplo é que apenas 10% do legislativo federal, formado por Câmara e Senado, é composto por mulheres.

Buscando reverter esse cenário, ou ao menos aumentar um pouco esse percentual, entrou no ar a plataforma Appartidárias, com o objetivo de apresentar um panorama das candidaturas de mulheres – cerca de 8 mil nestas eleições.

O site é uma iniciativa do Grupo Mulheres do Brasil, um movimento sem vínculos partidários, presidido pela empresária Luiza Trajano.

– O objetivo final da plataforma, com a identificação apenas de candidaturas femininas, é aumentar a representatividade das mulheres no espaço legislativo – afirma uma das líderes do Comitê de Políticas Públicas, do Grupo Mulheres do Brasil, Lígia Pinto Sica.

Na página, o eleitor pode filtrar a busca por cargo, Estado e partido. Além de apresentar as concorrentes, é possível conferir quais são os partidos que apoiam a trajetória de mulheres na política nacional, respeitando e cumprindo as cotas de 30% de exigência para candidaturas femininas e para o repasse de recursos do fundo partidário às suas campanhas.

O projeto se sustentou com um mutirão de mulheres. Nos últimos meses, mais de 200 voluntárias se debruçaram sobre o tema e pesquisaram sobre cada postulante aos cargos de deputada estadual e federal e suas pautas. A ideia era detalhar o perfil de cada uma: escolaridade, ocupação, total de bens, o valor que recebeu para financiar sua campanha e o quanto gastou.

–  O trabalho desenvolvido pelas voluntárias buscou descobrir quais eram as pautas defendidas pelas candidatas, conferir se as suas redes sociais são atualizadas e identificar se, de fato, elas estão em campanha – explica Alexandra Segantin, que também integra o Comitê de Políticas Públicas, do Grupo Mulheres do Brasil.

Depois do levantamento, realizado por meio de dados fornecidos pelo TSE, elas eram procuradas diretamente pelas voluntárias, para responder a um questionário. No entanto, ao longo do trabalho, muitas sequer foram localizadas.

– O trabalho de busca ativa das candidatas visa possibilitar a todas um espaço igual de divulgação das suas candidaturas. Mas muitas vezes sequer conseguimos estabelecer contato com elas, já que os endereços de e-mail fornecidos pelo TSE retornam e não localizamos essas mulheres nas redes sociais _ diz Alexandra.

Com isso, a ferramenta foi ampliada para monitorar se a candidatura é fictícia ou não e será usada para emitir alertas para partidos e Ministério Público a respeito de possíveis fraudes no processo eleitoral

– Além de cumprir o nosso papel principal, que é aumentar a visibilidade e dar voz a essas mulheres, vamos verificar se há indícios de candidatas laranja, que são anunciadas apenas para cumprir a cota –destaca Lígia.

Mesmo após o pleito, o Mulheres do Brasil quer continuar atuando na política. Além de acompanhar as eleitas, o movimento usará os dados colhidos na campanha eleitoral de 2018 para traçar novas estratégias em busca de inserir mais mulheres no cenário.

– A intenção para o pós-eleições é fazer uma apuração e seguir adiante neste movimento de estímulo contínuo para a real participação das mulheres na política institucional, além de pressionar os partidos políticos para a abertura de espaço e apoio a essas candidaturas.

ACESSE: www.appartidarias.com.br

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