Conheça a brasileira que criou uma rede para ajudar as pessoas com cartas escritas à mão

No meio do caminho tinha uma pedra. E nela estavam escritas palavras de incentivo como “Você é mágico” ou “Pense em tudo de bonito que ainda há por aí e você será feliz”. Há quatro anos, a jornalista e terapeuta floral Carolina Arêas criou o projeto Word Rocks, que distribui mensagens calorosas para surpreender desconhecidos mundo afora, na praia, no parque ou no banco da praça. Mas ela não parou aí. Hoje, a brasileira radicada em San Diego já tem mais um projeto para ajudar quem não conhece, o Love It Forward List: toda semana, ela e um grupo de voluntários enviam pelo correio cartas escritas à mão para pessoas que estejam passando por maus bocados.

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Essa corrente do bem teve início quando a própria Carolina estava vivendo um momento complicado. Um dia, ela foi andar na praia para espairecer e deparou com pedras na areia. Decidiu catar algumas, pintar palavras positivas e espalhar pela casa para servir de motivação. Quando o filho, Antônio, hoje com 14 anos, viu a novidade, deu a ideia:

– Ele disse: “Mamãe, isto é muito legal. Vamos fazer um monte para espalhar pela cidade e fazer mais gente feliz” – lembra Carolina em entrevista por e-mail.

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E assim a ideia começou e foi ganhando adeptos, como se vê pesquisando a hashtag #wordrocks no Instagram. O Love It Forward List também já se espalhou pelo globo: em seis meses, a iniciativa de Carolina mobilizou quase 2 mil pessoas – a maioria do Brasil, de todos os Estados. Semanalmente, ela envia um e-mail para essa lista com, em média, duas histórias de pessoas que precisam de ajuda e seus respectivos endereços. E aí os participantes mandam cartas, cartões, fotos, desenhos, origamis, flores, presentes.

(Arquivo pessoal)

(Arquivo pessoal)

– Imagina, neste momento tão digital, você passar a receber 10, 15 cartas por dia? Envelopes coloridos, manuscritos! A carta escrita à mão traz nela a personalidade da pessoa, mostra o tempo que ela dedicou às palavras e quem recebe sente este carinho de maneira bem mais profunda – afirma Carolina.

Se você leu até aqui, gostou da iniciativa e pensou que bom seria se tivesse tempo para tomar parte em um projeto assim, Carolina também tem um recado a dar:

– Acho que falta de tempo virou uma desculpa dos tempos de hoje. É quase chique dizer que não tem tempo para nada, que vive ocupado. Mas quem quer faz. Os últimos seis meses foram os mais difíceis da minha vida e ainda assim nunca abri mão de pintar e espalhar as pedras e organizar a lista e escrever as cartas. Cansei de fazer isso muito tarde da noite ou às cinco da manhã.

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E o resultado?

– Fazer isso me dá uma alegria sem medidas. E os voluntários das cartas dizem sentir exatamente o mesmo: a gente envia amor aos outros e se sente plenamente preenchido de bons sentimentos. Minha maior motivação foram meus momentos difíceis. Tive depressão há quatro anos, depois de enfrentar muitas adversidades. Na época, imaginava o quanto seria bom receber uma mensagem que me dissesse: “Não se preocupe, vai passar”. E é isso que faço com as pedras espalhadas e as cartas enviadas.

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