Como empreender? 10 dicas para mulheres começarem seu próprio negócio

(Adriana Franciosi/Agência RBS)
(Adriana Franciosi/Agência RBS)

Natasha Heinz, especial*

Cansou de trabalhar para os outros? Tem uma ideia inovadora e não sabe como tirá-la do papel? Dê um passo de cada vez. E não tenha medo de pedir ajuda. Afinal, você não está sozinha.

Uma pesquisa de 2015 da Serasa Experian aponta que as mulheres correspondem a 43% dos donos de negócios e são sócias de 30% das empresas ativas no país. Outro estudo, da proScore, mostra que, desde 2010, o número de empresas abertas por mulheres aumentou, em média, 10% ao ano. Para ajudar a quem quer fazer parte dessa estatística, conversamos com três empreendedoras que deixaram sua carteira assinada de lado para realizar um projeto profissional – e de vida. Elas contam suas histórias e dão dicas de como se tornar sua própria chefe.

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Dois pontos fundamentais

A administradora com pós-graduação em Empreendedorismo e Liderança Feminina Iva Cardinal, 41 anos, não lançou apenas um negócio – mas dois.

– Empreender é colocar em prática as minhas ideias e ter mais liberdade para desenvolvê-las – afirma ela.

(Mathews Pozolo/Divulgação)

(Mathews Pozolo/Divulgação)

Após anos como funcionária e gerente de grandes empresas, Iva decidiu empreender em busca de mais autonomia. Como sua própria chefe, poderia administrar seu tempo, trabalhar apenas com o que gostava e colocar seus projetos em primeiro lugar. Em 2004, ela abriu a IC Brasil para prestar consultoria e treinamento empresarial a clientes que havia atendido em seus antigos empregos. Em paralelo, investiu em outras paixões. Assim surgiu, em 2009, a Confraria do Batom: o projeto começou como uma reunião de amigas para organizar uma palestra que interessava a todas e hoje conta com 10 formatos de evento para debater independência financeira, educação, beleza, sedução e bem-estar.

Para Iva, dois pontos são fundamentais para investir nas próprias ideias e tocar um negócio próprio: o apoio da família e um planejamento detalhado.

– Quando comecei a minha empresa, me preparei para ter uma renda fixa, planejada – conta.

O planejamento, destaca Iva, é decisivo: pensar exatamente, e por bastante tempo, no que vai fazer, como vai fazer e quanto dinheiro precisa ser aplicado.

Quando a maternidade inspira o negócio

(Adriana Franciosi/Agência RBS)

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A engenheira de produção Susana Zaman, 32 anos, estava no final da licença-maternidade quando decidiu que queria se reinventar profissionalmente para passar mais tempo com a filha. Inspirada em seu próprio momento de vida, lançou um clube de assinaturas, modelo de negócios que já conhecia: o Nutrimãe envia produtos e conteúdos para gestantes e lactantes todos os meses, selecionados por Susana e duas nutricionistas.

 

– Hoje, fico 24 horas com clientes, mas no espaço digital. Com isso, sou dona do meu tempo – conta. – É gratificante poder, no meio da tarde, ir pra uma praça com a minha filha ou levá-la na natação: poder definir que aquele momento é meu e fazer uma atividade para mim ou para ela.

Ainda que amigos empreendedores repitam a Susana que seu o negócio está evoluindo rapidamente, ela diz conviver com uma ansiedade constante: o investimento está dando o retorno que deveria? Mas não tem dúvidas de sua escolha.

– Acho que, quando a gente empreende, está provando todos os dias que é capaz – avalia. – Minha família super apoiou, porque aqui em casa há o entendimento de que a educação dos filhos é fundamental. Acho que todo mundo via que ia dar certo, que eu tinha como avançar.

Virada aos 40

Em outubro de 2015, Claudia Barbosa, 44 anos, quase desistiu do negócio que havia iniciado três anos antes. Os motivos? Crise, desafios do mercado, cansaço e uma certa decepção por tudo não estar sendo exatamente como ela imaginava.

Mas Claudia persistiu e hoje não se arrepende. À frente da Nomedeiro, Boutique de Personalização, que cria marcas pessoais e corporativas, ela aprendeu que, como sua própria chefe, ainda vai errar muito e precisar pedir ajuda, que não vai conseguir avançar sempre e que as responsabilidades vão ser muito maiores do que qualquer cargo de gestão em uma empresa.

(Adriana Franciosi/Agência RBS)

(Adriana Franciosi/Agência RBS)

– A gente acha que vai ter liberdade para fazer o que quiser e receber mais, mas as obrigações com as outras pessoas são muito maiores – afirma Claudia.

Formada em Administração de Empresas, com pós-graduação em Comércio Internacional, ela teve bastante experiência com o mercado corporativo, principalmente na área de tecnologia. Quando chegou aos 40 anos, resolveu mudar tudo.

– É muito bom ver que está dando certo, que a gente criou um nicho de mercado que não existia. É ótimo conhecer gente nova, aprender a cooperar, ser criativo e ver que tu podes crescer com a tua empresa e as outras pessoas. Vejo que o mercado valoriza isso – garante. – É uma caminhada superlonga entre erros e acertos. Tem que pôr tudo na balança e, se no fim o resultado foi positivo, vale a pena.

Espia só 10 dicas para mulheres começaram seu próprio negócio:

  1. Faça o que goste

Para Iva Cardinal, se é para investir em um negócio, tem que buscar algo de que realmente goste. Ou vai se tornar um trabalho como qualquer outro, inclusive aquele que você se tinha anteriormente.

– Uma coisa é empreender para lucrar e outra é buscar algo de que realmente gosta, para o qual tenha se preparado – afirma. – Aí, sim, tem boas chances de sucesso.

2. Importante: analise o mercado 

Pesquise se tem mercado para sua ideia, focando no público-alvo. Assim, ensina Susana Zaman, você terá mais segurança para empreender. Antes de lançar seu clube de assinaturas para gestantes, ela fez duas pesquisas – a primeira, com nutricionistas, para entender melhor o funcionamento da nutrição infantil e buscar parcerias e apoio. Depois, contatou futuras mamães, suas possíveis consumidoras; pelo Facebook, elas responderam a perguntas sobre seus interesses em um formulário online que serviu de guia para o produto a ser lançado.

– Tive um bom nível de participantes que ajudaram a resolver algumas dúvidas – garante Susana.

3. Saiba por que você quer empreender 

Saber a razão pela qual você quer começar um negócio é fundamental, destaca Iva. Não importa qual o motivo – colocar uma ideia em prática, ganhar dinheiro, inovar –, tê-lo em mente vai ajudar na hora de construir a empresa e pensar o conceito.

4. Pense em um conceito

O que será sua empresa? O que busca? Como você a enxerga e como quer que os outros a vejam? São perguntas extremamente importantes para, mais tarde, vender seu produto ou ideia. Com essas respostas em mente, vai ser mais fácil entender quem serão seus consumidores e investidores (onde encontrá-los) e desenvolver um plano para o futuro.

5. Aposte no planejamento 

Ter um planejamento detalhado é fundamental para estabelecer uma estratégia de negócios, definir as etapas a cumprir, bem como tomar decisões diante de novas possibilidades e escolher o caminho a tomar em caso de alguma dificuldade. Se necessário, liste os prós e contras de cada investimento. Segundo Claudia Barbosa, é apenas com um plano de negócios em mãos que o empresário realmente começa a perceber a viabilidade do projeto, quem são seus concorrentes e que metas deve perseguir. Para isso, ela indica buscar empresas que disponibilizam serviço de consultoria, como o Sebrae:

– Não tem como montar uma empresa do nada, e é melhor ficar no planejamento por mais tempo, quando ainda dá para mudar de ideia sem perder dinheiro.

Claudia destaca ainda que você deve se policiar para não deixar de lado tarefas chatas, mas determinantes para o bom andamento dos negócios, como manter a papelada em ordem:

– O trabalho burocrático vai ser essencial no futuro, quando, por exemplo, você precisar de um empréstimo para vender ou fornecer material.

6. Avalie quanto pode investir

No plano de negócios, um ponto importante é a questão financeira. Primeiro, avalie: quanto você pode investir? Há uma reserva monetária para ajudar a sustentar sua família, enquanto o negócio não gerar lucro? As três empreendedoras consultadas contam que estavam em uma situação financeira confortável quando investiram no próprio negócio, o que lhes permitiu ficar um tempo se ter uma renda. Sem esta possibilidade, muitas empresas fecham as portas no primeiro ano porque não equilibraram despesas e gastos.

– Imaginar que vai ficar um ano sem tirar dinheiro da empresa. Tu consegues viver por esse tempo sem receber nada? – pergunta Claudia.

7. Foco no networking

Converse com o maior número de pessoas possível, esteja disposto a ouvir opiniões diferentes, não tenha vergonha de pedir ajuda e ofereça parcerias. Como diz a Susana: invista na rede de contatos, porque ninguém cresce sozinha.

– Uma dica é procurar amigos que têm um ramo de trabalho similar ao que tu necessitas – afirma.
Ela recomenda que as mulheres aproveitem a facilidade que muitas têm para oferecer e aceitar ajuda e invistam em networking.

8. Administre o tempo 

Ter uma agenda atualizada permite não apenas organizar compromissos, mas também saber quando parar. Gerenciar o tempo é determinante para conseguir focar no que é prioritário, seja uma reunião de trabalho ou um momento para levar os filhos para passear – afinal, uma das razões para abrir or próprio negócio é ter mais controle dos próprios horários, não é? Para as mulheres, entretanto, esse desafio costuma ser maior.

– A gente tem muitas tarefas porque continuamos com as atividades do lar além de todo o resto – comenta Iva, que organiza a rotina do dia, da semana e do mês para conseguir se dedicar 100% a cada uma de suas tarefas. – Tenho tempo para cada trabalho e para a família. Tendo foco, tu consegues fazer tudo com mais tranquilidade e qualidade.

9. Aprenda a errar

Errar serve de teste quando a empresa ainda dá seus primeiros passos.

– É importante lembrar os pequenos empresários que uma parte positiva do negócio é que o erro ainda não custa tão caro – comenta Susana. – Quanto você erra e replaneja rapidamente para acertar, não há tanto prejuízo.

10. Tire a ideia do papel 

Se você está decidida, não deixe seu grande projeto na gaveta. Busque informações e parcerias, identifique oportunidades e realmente faça acontecer.

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