Peça “Como ter sexo a vida toda com a mesma pessoa”, que chega a NH e Porto Alegre, provoca casais sobre o tema

Foto Mascate Produções, divulgação
Foto Mascate Produções, divulgação

Enquanto uma sexóloga búlgara formada na Sorbonne apresenta receitas insólitas para revigorar a vida sexual (que tende a cair na monotonia depois de longos anos de convivência a dois), na plateia os casais não param de cutucar um ao outro. A cena, já apresentada em São Paulo e outras capitais na peça Como ter sexo a vida toda com a mesma pessoa, chega a Novo Hamburgo nesta sexta-feira (dia 18) e a Porto Alegre neste final de semana (dias 19 e 20). E a ideia é chacoalhar relações, segundo a atriz Tania Bondezan, que interpreta a sexóloga Annetta Poché.

– As pessoas encontram sua história na peça. Com riso e bom humor, elas descobrem que aquilo que está acontecendo com elas também é vivenciado pelos outros. No Brasil, onde nos dizemos um país tão sexualizado, há constrangimento para falar a sério de sexo. E por isso é importante entrar nesse assunto – diz Tania.

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Os desafios de manter a rotina sexual com um único parceiro é um tema que ultrapassa fronteiras.
Autora da peça, a advogada e atriz argentina Mónica Salvador preparou uma esquete despretensiosa para apresentar na despedida de solteira de uma colega. O sucesso imediato motivou convites para encenar com outros grupos de amigas. Quando o texto finalmente chegou ao teatro, Mónica se surpreendeu ao ver que os homens passaram a ocupar boa parte dos assentos na plateia.
Além da Argentina, o espetáculo foi levado à Espanha e a países latinoamericanos, além de ganhar versões no Chile e no Brasil.

– O humor é localista, não é sempre que funciona em outro lugar. Tive o prazer de assistir a estreia no Brasil e foi emocionante para mim, sentada na plateia, ver como uma obra que escrevi anos antes provocava gargalhadas em outro idioma – recorda a autora. Durante a peça, o casamento é dividido em períodos de cinco anos, passando pelo descobrimento e pela investigação – a fase onde tudo é fresco – até a chegada do primeiro filho e… do tédio. Para reverter a situação, aconselha- se retomar práticas esquecidas ao longo do tempo, como transar em lugares inusitados ou, mais simples, apenas acariciar o parceiro por alguns minutos para despertar a sensação de bem- estar.

– A trama funciona como uma aula também: ensinamos a mostrar ao parceiro a parte do corpo que tem mais sensibilidade e se deixar levar. A mensagem é que, com companheirismo, bom humor e criatividade, é possível, sim, levar uma relação por muito tempo – adianta Tania.

O ESSENCIAL NÃO ESTÁ NA CAMA
Depois do humor, vamos aqui falar um pouquinho sério sobre o tema. Há décadas pesquisando casamento e infidelidade, a antropóloga carioca Miriam Goldenberg não hesita em afirmar que o sexo não é a parte mais importante do casamento.

– Há outras coisas que as pessoas valorizam mais. Fidelidade, companheirismo, risada, leveza compreensão e carinho são mais citados tanto por homens quanto por mulheres – diz Miriam.

Depois de conversar com centenas de casais, a antropóloga concluiu que a traição não ocorre por falta de sexo no casamento, e sim porque não há reconhecimento, afeto, carinho e elogios na relação.

– Não sei se é possível fazer sexo a vida inteira com a mesma pessoa, mas acredito que é possível ser feliz por muitos anos com a mesma pessoa, com ou sem sexo, que não é o sexo idealizado, três vezes por semana – opina.

ENTREVISTA: MÓNICA SALVADOR, ATRIZ E AUTORA ARGENTINA

Mónica Salvador, divulgação

Mónica Salvador, divulgação

Se existe um tema sobre o qual a atriz, dramaturga e advogada Mónica Salvador se sente capaz de dar aula é sobre como ter um único parceiro sexual, afinal a portenha conheceu o marido aos 14 anos.
O sucesso no teatro – a obra ficou anos em cartaz em Buenos Aires – motivou a publicação de um livro homônimo e uma turnê por países vizinhos.

HÁ ALGUM MOMENTO NA RELAÇÃO EM QUE A VIDA SEXUAL COMEÇA A FICAR CRÍTICA?
As primeiras etapas da relação são de descobrimento e diversão. A partir dos 10 anos de casamento, começa uma fase de decaída que, se não for trabalhada, evolui para uma etapa de cansaço e desestruturação entre os 15 e os 20 anos de casamento, quando ocorre o índice mais alto de separações.

A IMPORTÂNCIA DO SEXO OSCILA NA VIDA CONJUGAL COM O PASSAR DOS ANOS?
Quando falo em sexo me refiro ao prazer. A obra estimula que as pessoas adotem exercícios que não têm a ver com o ato sexual em si, simplesmente são para dar prazer um ao outro durante 15 minutos, com carícias, e depois, se trocam entre si. Esse tempo é simples e nos faz refletir sobre muitas coisas.
Corremos com o trabalho, os filhos, os cachorros, e não reservamos 15 ou 20 minutos para acariciar a pessoa que escolhemos para compartilhar a vida.

QUAL A REAÇÃO DAS PESSOAS AO VER A PEÇA?
Me chama a atenção a identificação, especialmente dos homens. Eu escrevi o texto no pós-parto, sob a minha visão, e poderia dizer que inventei toda a parte da obra relatada do ponto de vista masculino.
Então, minha surpresa foi de que os homens não apenas riem muito nessa parte, mas também dizem que é exatamente como conto. E a faixa etária do público é ampla, me surpreendo que haja tantos jovens. Evidentemente, há necessidade de saber sobre sexo e conservar o relacionamento estável, pois como diz o personagem: “ sexo com qualquer um, qualquer um tem; o mais difícil é ter sempre com a mesma pessoa”.

A PEÇA
COMO TER SEXO A VIDA TODA COM A MESMA PESSOA

NOVO HAMBURGO
• Dia 18 de novembro, sexta-feira, às 21h
• Teatro Feevale (ERS-239 – Câmpus II da Universidade Feevale)

PORTO ALEGRE
• Sábado e domingo, dias 19 e 20
• Sábado, às 21h, e domingo, às 20h
• Teatro do Bourbon Country (Av.Túlio de Rose, 80, 2 º andar, Shopping Bourbon Country)
• Ingressos de R$ 40 a R$ 80 (50% de desconto para os primeiros 100 sócios do Clube e 10% de desconto para os demais sócios)

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