Unidas da Fossa: o que fazer e o que não fazer depois de levar um fora

“Para você que não vive, apenas sobrevive, ao fim de um amor. Para você que descobriu uma traição ou que tomou um não. Para os corações desiludidos, para quem botou fé no crush errado, para todas que amam verdadeiramente e tomaram um tiro lá no miocárdio.”

O trecho acima resume um episódio pelo qual (quase) todas as mulheres já passaram ou ainda vão passar. Viver o fim de um relacionamento é doloroso, mas não é exclusividade de ninguém. Foi ao perceber isso que a jornalista Camila Oliveira criou a Unidas Da Fossa, uma página no Facebook em que compartilha seu luto e suas histórias amorosas.

Lançado em junho deste ano, o projeto surgiu do luto pelo sétimo término da paulista e já reúne mais de três mil mulheres. A página funciona como um recanto de corações partidos em busca da superação e, além de compartilhar mensagens positivas, oferece também o SAC, pelo qual a idealizadora conversa com aquelas que estão sofrendo.

– Nas interações e conselhos eu falo exatamente o que faria e envio textos de acordo com cada história. Também gravei um vídeo contando os cinco passos que fizeram eu esquecer meu ex, foi mais uma forma de ajudar as mulheres que estão desesperadas – conta Camila em entrevista a Donna.

Confira o vídeo

A maioria das mensagens que recebe é de pessoas que levaram o famoso pé na bunda e não estão conseguindo superar nem aceitar. – Também recebo desabafos de histórias abusivas, como relacionamentos em que o homem já tornou a mulher totalmente fragilizada e dependente emocionalmente.

Leia mais
:: Como identificar a hora de terminar um relacionamento
:: O  lado bom e o ruim de não estar em um relacionamento

Com os términos, Camila afirma que passou a gostar mais de si e ser mais independente. – O que aprendi nos meus namoros foi que devemos entrar em uma relação somente quando estamos bem conosco, para não criar nenhuma expectativa e descontar essa responsabilidade no outro – explica.

É muito engraçado como o coração nos prega peças. No mês passado eu tive uma gripe daquelas. Fui ao hospital – sozinha – e enquanto esperava o medicamento pingar de gota em gota na veia, fiquei pensando nas tantas outras vezes em que ele me acompanhou em uma consulta. Logo o ar voltou a entrar no pulmão, a dor de cabeça foi passando, olhei para o lado e vi quantas outras pessoas desacompanhadas também estavam com aquela tosse de quem mora em São Paulo e não vê chuva há semanas. Tive alta. De presente me dei um misto quente e um suco de laranja – sem gelo – enquanto esperava o Uber. Do Universo, recebi mais uma lição de que é apenas com duas pernas que podemos caminhar. #unidasdafossa ♥️ mais um texto e desabafo feitos por mim, Cami Oliveira (@canioliveira), fundadora do @unidasdafossa.

Uma publicação compartilhada por Unidas Da Fossa (@unidasdafossa) em

Da troca de experiências pela UDF, como foi apelidada a ideia, surgiram muitos ensinamentos que Camila compartilhou com a gente. Abaixo você confere um guia-prático para os momentos pós-términos.

5 lições essenciais de quem já levou um fora

  1. De amor ninguém morre. Somos muito melhores sozinhas do que podemos imaginar.
  2. Ninguém muda por ninguém. Muitas vezes relevamos os defeitos do outro acreditando na possibilidade de que ele vá mudar. A verdade é que isso não acontece, mas serve de lição para definir o que queremos em um relacionamento.
  3. A vida é feita de infinitas possibilidades. Quando o destino nos dá uma rasteira, está, na verdade, abrindo outros caminhos.
  4. O fim não passa de uma escolha do outro, que, naquele momento, precisou ir embora. E isso não diz absolutamente nada sobre nós.
  5. A saudade é dos bons momentos, nem sempre é a pessoa que está fazendo falta. Uma reflexão valiosa é se perguntar: “Estou fazendo o possível pela minha felicidade? Realmente preciso sofrer por essa perda?” Começamos a enxergar os finais como grandes possibilidades de começos mais felizes.

5 coisas que não se deve fazer – de jeito nenhum – depois de levar um fora

  1. Ligar implorando por uma chance. Na maioria dos casos, a pessoa sabe que o término foi a melhor opção, mas age no impulso da saudade.
  2. Procurar a família dele para desabafar. Por mais que exista uma forte ligação, é melhor buscar ajuda no seus parentes e amigos.
  3. “Stalkear” o ex nas redes sociais. A vida registrada na internet nem sempre condiz com a realidade e pode gerar uma imagem equivocada da atual situação do outro.
  4. Parar a vida em função da pessoa. É preciso evitar pensamentos que te colocam em posição de espera e expectativa, como “e se algum dia” ou “a gente tem volta”.
  5. Voltar a se envolver com o ex porque ele quer apenas curtição. Ele pode se aproveitar da vulnerabilidade alheia e isso vai prejudicar ainda mais a outra pessoa.

As atitudes fundamentais para sair da fossa

Aceitar que o fim chegou. Encarar os fatos é essencial e qualquer resistência só dificulta o processo de cura e duplica a camada de sofrimento.
Tirar o ex do pedestal. Uma pessoa apaixonada tende a exagerar apenas as qualidades, mas é preciso observar a realidade para lidar com os acontecimentos de forma mais racional.
Encarar o fim como novas possibilidades. Conversar, ler, ouvir histórias de pessoas que passaram por isso e estão melhores agora é muito inspirador e dá força para superar.
Levar tudo como uma experiência. Enxergar algo como um problema, acaba fechando portas. Ver os percalços como oportunidades, abre muitos novos caminhos.
♦ Viver o luto é essencial. Mas é ainda mais importante não se deixar afogar na tristeza.
Se esforçar para seguir em frente. Sair para encontrar amigos ou fazer algo que sempre quis eleva a autoestima, que é fundamental no processo  pós-rompimento.

E como todo relacionamento tem um trilha sonora, os términos também merecem. Por isso, pedimos para a Camila indicar as músicas favoritas das meninas do UDF para curtir a dor de cotovelo e também para reanimar e voltar à ativa. Confira abaixo.

Para curtir a tristeza

Para dar a volta por cima

Leia mais
:: Os 60+: a geração que fez a revolução sexual agora derruba estereótipos e clichês sobre o amor depois dos sessenta
:: Como identificar um relacionamento abusivo
:: Brigar pode ajudar o relacionamento: saiba como ter uma boa D.R.

Leia mais
Vídeos recomendados
Comente

Hot no Donna