Dia internacional da igualdade feminina: por que ainda não vivemos em uma sociedade igualitária?

Nessa sexta, 26, é comemorado o dia Internacional da Igualdade Feminina. A data serve para comemorar os avanços, mas também para refletir e lutar contra a desigualdade de gênero que ainda existe. Conversamos com cinco mulheres que apontam alguns dos maiores desafios a vencer para chegarmos a uma sociedade mais igualitária:

Ana Lonardi, cantora
ANALONARDI__(FOTO-Diórgenes Güntzel)“As mulheres são subestimadas o tempo todo em seu poder criativo e em sua capacidade de resolver problemas, enquanto os homens são superestimados quanto aos mesmos quesitos. Temos o exemplo clássico: um homem que no trabalho dá ordens, sabe o que quer e exige que sua equipe corresponda aos seus objetivos, é um profissional exigente, um líder, um cara ambicioso, ou seja, a ele são atribuídos valores positivos. Uma mulher que faz o mesmo é apontada como mandona, machorra, cobra – atributos todos negativos.”

Babi Sousa, criadora do Vamos Juntas
13266039_1276372655724348_8550317939746268882_n“Um dos lugares em que a desigualdade é gritante é nas ruas. Ser mulher e andar na rua é completamente diferente de ser homem em andar na rua visto que o corpo da mulher é extremamente objetificado e a cultura do estupro institucionaliza o machismo em forma de assédio e desrespeito. Um dia, perguntei pra um amigo meu se ele não tinha medo de correr na Redenção à noite. Ele disse que não pois não levava nada. Essa resposta demonstra demais como é desigual a nossa forma de ocupar espaços públicos.”

Lucia Pesc, sexóloga
IMG_1162“Falando no âmbito dos relacionamentos afetivos e sexuais, uma parte das mulheres ainda sofre uma pressão muito diferente da que os homens sofrem. Ao mesmo tempo em que eles querem mulheres mais participativas, ainda há uma porcentagem significativa que reforça o preconceito da passividade feminina. Começa pelo lado moral, de não querer se relacionar com mulheres que tiveram muitos parceiros, mas também entra um certo medo deles de ser comparado.”

 

Joanna Burigo, fundadora da Casa da Mãe Joanna e cofundadora do Guerreiras Project e do Gender Hub.
1 (1)“Desigualdade social e cultural se vê, por exemplo, nas formas como mulheres e homens são, costumeiramente, representados pela mídia. Para as mulheres, a representação é maciçamente atrelada a papéis tradicionais do feminino, e isso é feito com constante hiperssexualização de nossos corpos, narrativas de maternidade ideal/compulsória ou enaltecimento de características de passividade (alô, #belarecatadadolar). Já os homens, costumeiramente, não são sexualizados, deles raramente é cobrada responsabilidade pela paternidade, e características de atividade são preferidas (alô, heróis de ação).”

Nana Soares, colunista de desigualdade de gênero e coautora da campanha contra o abuso sexual no metro de São Paulo
13096036_10208364173477234_5994420794312838648_n“Mulheres são mais da metade da população, mas são menos de 10% na câmera dos deputados, e apenas 13% no senado. É um descompasso muito grande, da porcentagem real da população e do que está sendo representado entre os políticos, que são quem decide os rumos dos país. Enquanto sociedade, estamos avançando, mas não encontramos representação constitucional. Esse é o nosso maior desafio. Conseguimos até ter voz nas ruas, mas não adianta quando quem tem a caneta na mão, o poder de vetar e aprovar as coisas se importa pouco com essas pautas.”

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