Difícil não se emocionar: cinco leitoras compartilham histórias que viveram ao lado dos pais

Fotos: Arquivo pessoal
Fotos: Arquivo pessoal

Dois dos pais desta reportagem posaram para a foto sem ter ideia do que se tratava. Agora, saberão: era surpresa de Dia dos Pais preparada pelas filhas, Michelle Manfroi e Manoella Treis. Uma declaração de amor pública para os grandes homenageados deste final de semana. Michelle e Manoella são duas das cinco leitoras que atenderam ao pedido de Donna feito nas redes sociais: compartilhar uma história marcante vivida com o pai e contar o que aprenderam com ele.

Também Izabelly Damasio, Marcisiane Roberta Soares e Ana Paula Schmidt reviraram as memórias. Você vai conhecer o pai que mudou a vida da filha com três frases, o pai mãe que deu um conselho memorável para a garota que ainda não havia dado o primeiro beijo, o que se tornou o melhor companheiro de shows, aquele que ganhou uma nova chance e o que teve a sorte de entregar um troféu a sua menina.

Grandes pequenas histórias, daquelas que certamente cada um de nós tem para contar.

Amor em três frases
Por Michelle Manfroi, editora de moda e blogueira, de Canoas (foto acima)

“Eu vinha enfrentando a decisão de deixar a Odontologia já fazia uns dois anos, mas era uma coisa somente eu comigo. Então, como todo ano, fiz meu mapa astral: apareceu algo relacionado a estética, viagens, morar fora do país. Coisas impensáveis para mim, que já tinha atingido a maturidade profissional, tinha uma clínica com bom retorno e em grande crescimento. Mas, naquele dia, eu estava acompanhada da minha melhor amiga. Como ela sabia da minha insatisfação profissional e do meu sonho de trabalhar com moda, me questionou: “Mas o que tu precisas para mudar?”. Respondi: “Apesar de ter 32 anos, preciso da opinião do meu pai. Ele pagou minha universidade em uma época de vacas magras e foi o cara que me emprestou a grana para montar a clínica. Devo isso a ele”. Ela: “Então, faz isso. Tu conhece teu pai”.
Paramos o carro no meio da estrada (estávamos em Dois Irmãos), peguei o celular e escrevi um e-mail enorme para ele, falando dos meus sonhos. Da minha insatisfação em passar 12 horas olhando, por uma janela, a vida passar. Que aquele amor que tive pela Odontologia tinha acabado, que eu tinha sido feliz, mas não era mais. Que sempre amei a área da moda, mas não sabia qual caminho seguir nem como isso seria possível. Afinal estavam em jogo um alto investimento feito e muitos anos de dedicação, estudo, especializações. Enfim, me faltava coragem. Que eu precisava desabafar para ele e para minha mãe pois não tinha mais ânimo para trabalhar e minha vida estava se tornando muito pesada. Meu corpo doía muito. Gastava muito dinheiro em medicamentos, terapias e fisioterapia – até uma cirugia no quadril eu tinha feito. Meu corpo não aguentava mais o peso da insatisfação.
Meia hora depois, recebo o retorno com três frases: “Filha amada: a única obrigação que você tem na vida é ser feliz. Se é para mudar que seja logo. Te amo, pai”.
Um ano depois, eu estava com a clínica vendida, casada, morando em Milão e estudando moda. Sem medicamentos, sem terapia, sem dores. E mais importante, feliz.”

Meu pai mãe
Por Manoella Treis, 19 anos, estudante de Processos Gerenciais e autora de dois livros, de Novo Hamburgo

“Meu pai é diferente da maioria dos pais. Ele foi pai e mãe, além de protetor, conselheiro e amigo, mas, acima de tudo, o melhor pai do mundo. O que eu aprendi com meu pai? Que ele é a melhor pessoa em todo o universo. Claro que todos temos nossas falhas, mas prefiro ver todas as qualidades dele. Se ele não estivesse ao meu lado, quem iria me cuidar? Ou ouvir aqueles papos chatos de adolescente? Ou aguentar minha TPM? Me ajudar nas minhas escolhas? Ou me fazer pensar no futuro? Somente ele!
Sei que não era nem um pouco fácil ser pai de menina. Teve aquela vez, aos 13 anos, em que eu fui questionar por que as meninas do colégio implicavam comigo só por ainda não ter beijado ou não fazer as coisas como elas. E ouvi o melhor conselho: “Filha, tudo ao seu tempo, tudo tem a sua hora, não te preocupa com isso”.

MANOELLACLEBER
Pai, acho que metade das coisas que conquistei nesses 19 anos não seriam nada sem você. Aprendi que cada escolha tem uma consequência e não devemos olhar somente para esquerda ou direita, e sim para todos os caminhos possíveis. Que conhecimento é a única coisa que não nos tiram. Que você sempre tem razão, sempre quer só o meu bem. Quando era um pouco mais nova (ou, às vezes, hoje ainda), pensava que faria tudo diferente quando crescesse. Hoje, vejo que não: a educação que você me deu, os valores que me ensinou serão levados aos meus filhos.
Quando mais nova, sempre que vinha alguma coisa do colégio ou precisavam entrar em contato, pediam pela minha mãe, e eu dizia: “Vou entregar para meu pai”, “Você tem que falar com meu pai”. As pessoas achavam muito estranho, e eu levava o fato de ser eu, você e meu irmão como a situação mais linda, maravilhosa e normal do mundo. Você era meu pai, quem cuidou de mim e me criou.
Hoje, vejo que é uma situação especial: nem todos os homens abririam mão de tudo para criar seus filhos sozinhos. Por isso, tenho orgulho de você, pai. Você é uma peça rara, que, por sorte, é minha – para o resto da vida.”

Um grande parceiro
Por Izabelly Damasio, 24 anos, publicitária

“Durante toda a gravidez da minha mãe, meu pai era quem tinha os desejos e enjoos. Nos nove meses, ele engordou, teve que ir para o hospital em alguns momentos, e minha mãe saía de madrugada para comprar a comida do desejo da vez.
Minha mãe faleceu quando eu era pequena, minha avó paterna ajudou meu pai a me criar, enquanto ele trabalhava e estudava. E, por mais que ele seja fechado, sempre foi muito parceiro. Quando estava aprendendo a caminhar, tive um acidente e precisei levar pontos na língua: ele foi o único que conseguiu me segurar para o médico poder costurá-la. Em 2007, me levou no aniversário de 10 anos da rádio Pop Rock, como surpresa, e assistiu comigo aos shows de Nenhum de Nós, Cachorro Grande e Bidê ou Balde, mesmo não sendo fã das bandas. Shows do Ringo Starr (eu de muleta!) e do Roger Waters: fomos juntos também. Rolling Stones em Porto Alegre: nós de novo (mas com o meu namorado e a namorada dele junto). Além das várias vezes em que eu o obriguei a ir comigo no cinema, mesmo não gostando do filme. Até dormir, de roncar, ele dormiu. Mas nunca deixou de ir.

ISABELLYMAURICIO
Aos 10 anos, ele me ensinou a andar de bicicleta, e, aos 42 dele, eu o ensinei a andar de roller. Na adolescência, ele tentou me ensinar a dirigir, o que sempre foi um grande medo pra mim, pois minha mãe morreu em um acidente de carro. Quase bati e não teve nenhum grito ou xingamento, só consolo. Hoje, já com carteira, estou voltando aos poucos a dirigir depois de ter batido o carro, e ele está do meu lado, me dando apoio e me acalmando.
Aprendi com ele a gostar de indiada, e a fazer muitas. Íamos para Curitiba de carro passar Natal e Ano-Novo, só nós dois por quase 12 horas na estrada. Bate-volta para a praia, nem que fosse só para me levar para passar o tempo na casa de alguma amiga. E sempre fomos fãs de dar presente com alguma brincadeira – até máquina de papel picado tínhamos lá em casa para poder encher as caixas! Quando eu fui assaltada e levaram meu iPod, no meu próximo aniversário ele me entregou uma caixa de um chocolate de que não gosto embrulhado em um saco de lixo. Fiquei p. da vida, mas dentro tinha um iPod novo. Até hoje, não ficamos um dia sem nos falar, nem que seja um “Oi, tudo bem?”.

Meu padrasto, meu pai
Marcisiane Roberta Soares, 38 anos, analista de departamento pessoal, de Porto Alegre

ROBERTAVALDOMIRO“Sou filha de mãe “solteira”, meu pai biológico não teve interesse por mim. Então, até os quatro anos, fomos eu e minha mãe. Aí ela conheceu meu padrasto e se apaixonou. Por dois anos, tudo foi ótimo, tenho lembranças de muito carinho e brincadeiras entre nós dois, meu padrasto e eu. Então, nasceu meu irmão, filho dele, e daí tudo mudou. Ele literalmente me deixou de lado.
Entre a infância e a adolescência, muitas vezes nos cruzamos na rua e ele fingiu não me ver: meus amigos estranhavam e eu dizia “Ele não me viu”, mas por dentro chorava muito.
O mantra da minha mãe sempre foi: “Tu não és filha dele, tens que entender e aceitar”. Ela disse muitas vezes que ele não iria aceitar um filho meu como neto, para eu já me acostumar. Confesso que não aceitei, nunca entendi o porquê de ele ser assim comigo, pois com meu irmão era carinhoso. Então, achava que o problema era eu.
Há oito anos, meu padrasto teve uma isquemia e mudou. É como se fosse outra pessoa. Passou a falar comigo, me tratar como pessoa. Quando meu filho nasceu, ele ganhou um avô maravilhoso, tanto que o convidei para ser dindo também. De tudo isso, posso dizer que aprendi com meu pai – pois sempre considerarei ele assim – que devemos dar uma segunda, terceira, quarta chance às pessoas.
Não vou dizer que esqueci o que passei, mas eu o aceitei em minha vida completamente. Ele faz parte da nossa vida, e meu filho o ama demais. Todo amor que me faltou, meu filho ganha, e isto, para uma mãe, não tem preço.”

Nós dois e a música
Por Ana Paula Mendonça Schmidt, compradora, 32 anos, de Porto Alegre

“Eu tinha uns 10 anos e aquele seria o meu primeiro festival de música. Estava muito nervosa, mas meu pai já havia ensaiado comigo muitas e muitas vezes: letra na ponta da língua e melodia afinada. Mas eu tinha um medo muito grande de errar, ou de sentir vergonha das pessoas na plateia. E ele dizia: “Ana, faz de conta que são cabeças de repolho”. Eu ria dessas palavras, mas funcionavam.
Meu pai sempre gostou de música e participou de diversos festivais, eu sempre ia junto: até uma música para mim e a minha irmã ele compôs. Por estar sempre envolvido com música, era convidado a participar como jurado. E, na minha estreia nos palcos, na cidade onde me criei, Horizontina, ele estaria lá. Quando chamaram para cantar, anunciaram: “A cantora Ana não receberá nota do jurado João Schmidt pois é filha dele”. Nessa hora, vi meu pai largar caneta e papel só para me olhar, aquela magrelinha cantando.
ANAPAULAJOAO
Depois de anunciarem todos os ganhadores, chegou a vez da categoria infantil. Já haviam premiado o terceiro lugar e o segundo, e pensei que já tinha perdido, até que anunciaram: “E o primeiro lugar vai para Ana Paula Schmidt! Convidamos o jurado João Schmidt para a entrega do prêmio”. Lembro até hoje que nos olhamos e nos abraçamos, e foi muita emoção. Neste dia, um dos mais emocionantes da minha vida, vi meu pai radiante de alegria.
Pai, obrigada por me ensinar o dom da música – que repassei aos meus filhos – e de insistir comigo toda vez que eu desafinava. Porque, como diz aquela canção, na vida é assim: “a história não tem fim/ continua sempre que você responde sim/ à sua imaginação/ a arte de sorrir toda vez que o mundo diz não”.

Leia também
:: Talento de família: veja cinco filhos de famosos que seguem os passos dos pais
:: Dia dos Pais! 13 dicas de presente para diferentes perfis, da lembrancinha ao presentão

Leia mais
Comente

Hot no Donna