Falta diversidade: apenas 3% das bonecas à venda online no Brasil são negras, aponta pesquisa

Foto: Pixabay
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O Dia das Crianças já está aumentando a procura por brinquedos para os pimpolhos. Mas será que o mercado brasileiro contempla todas as meninas? Segundo a Avante, ONG de educação e mobilização social, as empresas voltadas ao público infantil deixam a desejar no quesito diversidade. Um estudo divulgado em setembro pela organização mostrou que nos maiores e-commerces do país, apenas 3% das bonecas ofertadas são negras. A exclusão vai de uma ponta à outra da cadeia produtiva: dentre os 31 principais fabricantes de brinquedos no Brasil, só 16 têm bonecas negras em seu portifólio.

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O levantamento integra a campanha Cadê nossa boneca?, que chama atenção para a importância da representatividade na infância. A pesquisa dividiu-se em duas etapas e monitorou tanto os sites dos fabricantes quanto revendedores de brinquedos online. Na consulta aos fabricantes, de 1.945 modelos encontrados, apenas 131 eram de bonecas negras. Milk, Miele e Sideral foram as marcas com
o maior índice de bonecas negras no catálogo.

– Moramos em um país em que, segundo dados do IBGE, negros e pardos representam 53,6% da população – lembra Ana Marcilio, coordenadora de projetos da Avante. – Ainda assim, a proporção de bonecas brancas em relação às negras é de 95% nos portifólios dos fabricantes.

A análise das lojas virtuais foi feita nos sites Americanas.com, Walmart e Ri Happy. A situação mais crítica é a das Lojas Americanas: do total de 3.030 bonecas disponíveis, somente 18 (0,6%) são negras. Com a Cadê nossa boneca?, a Avante busca sensibilizar a sociedade, a indústria e o varejo para a necessidade de variar os produtos.

– Mudanças sutis como esta são um grande passo na construção de uma sociedade que respeita e aceita suas diferenças raciais. Isso contribui para que haja diminuição do preconceito, além de elevar a autoestima das crianças, que passarão a ver a si mesmas representadas nos brinquedos – diz a coordenadora da campanha, Mylene Alves.

Sediada em Salvador (BA), a Avante trabalha há 20 anos em prol da formação cidadã e da proteção dos direitos da criança.

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