Entrevista! Modelo plus size Fluvia Lacerda lança livro e dispara: “Visto tamanho grande, sou gorda e bem-resolvida”

Foto: Gustavo Arrais, Divulgação
Foto: Gustavo Arrais, Divulgação

Sabe aquele papo sobre estar “acima do peso”? Fluvia Lacerda nunca entendeu que tal peso ideal era esse. Desde a infância e a adolescência em Boa Vista, no estado de Roraima, a carioca jamais teve problemas com as curvas que via ao se olhar no espelho.

– A vida é curta e frágil. Prefiro gastar a minha energia sendo cúmplice do meu corpo, porque não vejo outra razão de ser – sentencia, em entrevista a Donna por telefone.

Quem vê o mulherão de 1m72cm de altura entende bem: mais do que a beleza inquestionável, Fluvia transborda autoestima e confiança. Mesmo assim, custou a levar fé quando foi abordada com uma proposta daquelas em um ônibus em Nova York, para onde havia se mudado em 1996. “Você já pensou em ser modelo?”, questionou a mulher, que logo em seguida entregou um cartão no qual se identificava: era editora de uma revista plus size. Fluvia, que então trabalhava como babá, resolveu tentar a sorte – e, desde 2003, nunca mais parou de modelar.

Mais sobre plus size
:: Já conhece o nosso blog Um Plus a Mais? 
:: Estas fotos provam que mulheres gordas ficam incríveis em vestidos de festa
:: Alexandre Herchcovitch fala sobre coleção para plus size: “Elas querem roupa justa e tendência, só que em tamanho maior”
:: Duas novas grifes com tamanhos maiores que vale a pena conhecer
:: Conheça três marcas que criam lingeries incríveis para plus size

Hoje, aos 37 anos, é a top plus size mais famosa do Brasil e uma das principais do mundo, ao lado de nomes como Ashley Graham, Tess Holliday e Candice Huffine. Suas curvas já apareceram em um editorial da Vogue Itália e em uma campanha da gigante da moda Target. Coleciona superlativos: no ano passado, por exemplo, foi a primeira mulher gorda a posar para a capa da Playboy nacional. Só neste ano, mais dois débuts: estreou como estilista ao assinar uma linha de bodies com a grife plus size Kaone, além de cruzar pela primeira vez a passarela da São Paulo Fashion Week, no desfile mais recente de Ronaldo Fraga.

Timeline: momentos marcantes da carreira de Fluvia

Mais do que ser uma imagem representativa para as mulheres gordas, Fluvia virou também uma voz para quem se identifica como plus size. Depois de transformar suas redes sociais em fonte de inspiração diária, resolveu ir além e compartilhar sua história em um livro. Acaba de lançar Gorda Não é Palavrão (Editora Paralela, 112 páginas, R4 34,90), em que compartilha sua trajetória e divide depoimentos que ensinam a ser feliz gostando do próprio corpo como ele é.

– Entendi que seria uma ferramenta muito poderosa para conseguir compartilhar com as mulheres a minha forma de pensar e lidar com a autoimagem, autoconfiança. É algo que é nato em mim, mas não é nato em muitas pessoas – explica.

fluvialacerdagordanaoepalavrao

No intervalo entre uma sessão de fotos e outra em São Paulo, Fluvia bateu um papo com Donna sobre amor próprio, o mercado de moda plus size e gordofobia. Os melhores momentos da conversa inspiradora você confere nas páginas a seguir.

Você é modelo desde 2003, mas fez sucesso primeiro no Exterior e só um tempo depois ficou mais conhecida aqui no Brasil. Por que você acha que isso aconteceu?
Eu morava fora, e esse mercado plus size não existia no Brasil. A primeira vez que eu trouxe meu trabalho para o Brasil foi em 2007. Não tinha nada desta indústria: nem marcas, nem blogs. Foi a partir daí que comecei a divulgar meu trabalho aqui com o propósito justamente de abrir o mercado.

Como foi o desafio de virar uma modelo plus no Brasil naquele cenário, então?
Eu não buscava trabalhar no Brasil. Eu tenho uma carreira estabelecida lá fora, e meu propósito era uma causa pessoal mesmo, por entender que uma mulher gorda no Brasil não tinha onde comprar roupa. O trabalho de modelar só pode existir onde há uma indústria, e como não existia… Foi uma causa pessoal que eu desbravei. Agora o mercado está começando a se estabelecer. Mas, a nível de profissionalismo, a indústria plus size de modelar no Brasil ainda está bem precária.

Como você avalia este mercado nos dias de hoje?
Evoluiu muito. As marcas entenderam que é uma mina de ouro no Brasil e que o poder aquisitivo desta mulher tem valor. Que ela quer não só algo que caiba, mas também informação de moda. Ela é uma consumidora exigente como qualquer outra. As coisas estão progredindo, a passos lentos, mas estão.

fluvialacerda3

Fluvia em ensaio clicado na Grécia. Foto: MAT, Divulgação

Na abertura do livro, você conta sobre uma viagem que fez de volta ao Brasil em 2006, quando suas malas foram extraviadas e não conseguia encontrar roupas do seu tamanho. Como avalia a evolução desde então?
Lembro que paguei para fazer uma pesquisa de mercado. Contratei uma empresa para descobrir se existiam marcas e quais eram. (Apareceram) pouquíssimas, marcas que sequer divulgavam o produto. Algumas tinham roupas de manequim maior, mas não divulgavam. A impressão que passava é que elas realmente tinham vergonha de vender roupas para uma mulher gorda. E evoluiu muito. Na época, encontramos seis ou oito marcas. Hoje, temos muitas mais, existe uma divulgação. Quando perdi minhas malas, precisei usar roupas de ginástica da minha irmã, achei um absurdo. Questionei: como uma mulher gorda se veste nesse país? Fiquei muito indignada, porque entendo o valor que tem você se vestir bem e conseguir se expressar através da moda. Tomei como causa justamente por isso.

Muitas mulheres reclamam que a roupa plus size é mais cara, tanto em marcas especializadas quanto em fast fashions. Você vê explicação para isso?
Para ser bem honesta, acho que tudo no Brasil é extremamente caro, sem a necessidade de ser. Também tenho compreensão que, no lado de negócios, é um país que consome qualquer empreendedor com impostos. Você precisa levar em consideração a concorrência entre as marcas. Quando aperta, o mercado se estabelece de outra forma. São vários fatores que não podem ser ignorados. As pessoas tendem a reclamar, mas o lance é reclamar de uma forma que a gente consiga empurrar o mercado para progredir. Reivindicar da forma certa. Demandar mais marcas, que cresçam e se desenvolvam.

Leia mais
:: 5 coisas que as mulheres gordas sempre ouviram que não, mas pode SIM fazer
:: Semana de moda de NY apresenta desfile com modelos plus size; inspire-se nas tendências

:: 5 razões para assistir “Gostosas, Lindas e Sexies”, longa que estreia com quatro protagonistas plus size

E nos Estados Unidos e na Europa, há dificuldade de comprar roupa lá?
Dificuldade nenhuma, graças a Deus! Temos muita disponibilidade. Países com uma mentalidade mais capitalista não sentam no trono da hipocrisia querendo determinar como as pessoas devem viver. Eles querem o seu dinheiro como consumidora. Acredito que deveria ser assim. Hoje você tem milhares de marcas com um produto tão bom como qualquer outro, com uma informação de moda como outras. Dificuldades não temos mais. Mas moda é um processo de evolução contínuo. A cada ano que passa, temos mais marcas nascendo e crescendo e multimarcas desenvolvendo esse setor.

fluvialacerda4

Você acredita que um dia possamos caminhar para o futuro “all sizes”?
Acho que sim. Vejo essa forma de inclusão como um direcionamento natural. As mulheres hoje partiram para realmente reivindicar aquilo que elas querem. Colocam sua voz para funcionar de uma forma que esse mercado não tem como dar mais marcha-ré.

O que você acha do termo “plus size”?
O termo plus size, na tradução literal, é “tamanho grande”. Não tenho nenhum problema com isso. Se você veste 44 ou 46, não está fora daquilo que existe de disponível hoje no mercado. É um termo descritivo. Assim como você entra em uma Zara da vida e tem petite, tem tall, biotipos diferentes… É apenas isso. Não é algo que define a personalidade ou a pessoa como um todo.

Quando você cria uma coleção para uma marca, como a linha de bodies para a Kaone, o que busca passar através da roupa?
Disponibilidade e informação de moda, que são as duas peças-chave na hora de construir uma marca. Amo moda, busco assinar peças que eu curto e que tenho total controle de criação. Geralmente, busco criar coleções que eu uso, que visto e que gostaria de compartilhar com outras mulheres.

fluvialacerda6

Você fala sobre o quanto os manequins no Brasil são confusos e variam entre uma marca e outra. Como a numeração impacta a vida das mulheres?
Com a padronização estabelecida nos países europeus, se eu visto 18, raramente uma peça de qualquer marca não vai servir. No Brasil, ainda não existe um padrão. Quando fotografo no Brasil, visto do 48 ao 54. É muito louco. Pego uma peça, coloco na frente da outra e é o mesmo tamanho. A galera bota a etiqueta que quer. Para mim, é complicado apenas na hora de comprar roupa. É um desafio. Temos que ter um adivinhômetro e experimentar de todas as marcas, porque em cada uma você veste um tamanho diferente. É confuso. Mas, para quem não é bem-resolvida com a própria aparência, contribui muito para esse conflito pessoal.

Para quem sofre com os padrões de beleza e se incomoda com o próprio corpo, como se começa essa transformação?
Independência de pensamento.

Veja também
:: Look de Fabiana Karla no Emmy Internacional quebra mitos sobre moda plus size

:: Modelos plus size desfilam na SPFW e comemoram: “As pessoas precisam saber que o gordo existe”
:: Por que essa foto de Ashley Graham andando de bike é tão inspiradora – para gordinhas ou não

Em seu livro, você conta sobre como os médicos sempre tratavam seu peso como causa para quaisquer problema de saúde. Como isso impactou sua vida?
Pessoalmente, de forma nenhuma. Tenho um estilo de vida muito saudável e nunca tive muitos problemas de saúde. Mas sei, por amizades, que virou o botão da emergência. Se você está com tosse, é porque está acima do peso. É um assunto que não entro muito porque meu jeito de lidar com o problema é falar muito mais sobre o lado emocional de tudo isso. Levanto questionamentos, mas nesse assunto de saúde honestamente tenho até preguiça de lidar por causa deste tipo de argumento, que eu acho paupérrimo. Chegamos em um extremo em que o sintoma sequer é analisado de qualquer outra forma. Pelas minhas amigas, entendi que é algo que acontece muito no Brasil. É chocante.

Fluvia em campanha de lingerie para a 2Rios

Fluvia em campanha de lingerie para a 2Rios

Como você enxerga quem justifica o preconceito e comentários negativos em relação à pessoa gorda com “preocupação com a saúde”?
Por trás da tela do celular, todo mundo veste a máscara do médico, diz que é “para o seu bem”. Eu, sinceramente, tenho preguiça dessas coisas. É uma tentativa de ser perspicaz na hora de enrustir o seu preconceito contra mim.

Você passa a sensação de que o relacionamento com seu corpo é muito simples e comenta sobre isso no livro. Qual a dica para quem quer se encarar no espelho com mais leveza?
Quando você se olha no espelho e vê no seu corpo um inimigo, a partir do questionamento você começa a buscar de onde isso vem e tratar o processo de reverter. A vida é curta e frágil. Prefiro gastar minha energia sendo cúmplice do meu corpo, porque não vejo outra razão de ser. É a minha única ferramenta de vida, a única máquina que eu tenho. É fantástico quando você passa a refletir e ver que temos o poder de criar outras vidas, nosso corpo nos leva de um lugar a outro. Ama, tem amigos e família, constrói coisas. Tem outras coisas do que prefiro gastar a minha energia do que nessa guerra comigo mesma.

No livro, você fala também sobre como muitas mulheres acreditam que não merecem ser amadas por não ter o corpo “ideal”.
Recebo isso de milhares de mulheres, principalmente nesses pontos como amor, atração física, relacionamentos pessoais, com o corpo delas. Uma pessoa deve gostar de você pelo que é e não só pela sua aparência.

Por que você diz que “gorda não é palavrão”, título do seu livro, inclusive?
Sempre martelei nisso porque fomos doutrinados a acreditar que é uma palavra que define você como pessoa. Eu, sinceramente, nunca consegui entrar nesta mentalidade porque não é uma palavra que me define, é uma palavra descritiva. Nunca consegui entender porque quando alguém chama você de magra é um elogio e porque quando te chama de gorda é uma ofensa. Não faz sentido nenhum na minha cabeça. Quando você é uma mulher bem-resolvida, uma palavra descritiva como essa não tem poder algum sobre você. A nossa aparência física, de fato, virou uma moeda de troca. Nosso valor está atrelado a aparência física. Em uma era que vivemos uma revolução feminista, é patético. E isso vai muito sobre como nós nos posicionamos como mulheres. A partir do momento em que tivermos uma atitude diferente, isso é derrubado. Não tem como (essa ideia) ter força, nós somos a maioria.

fluvialivro

A foto que ilustra a capa do livro de Fluvia, “Gorda Não é Palavrão”

O que foi mais difícil de se abrir e contar no livro?
Partes da minha vida pessoal foram um desafio. Talvez por eu não estar ainda muito preparada para falar sobre certos assuntos, que eu falei superficialmente, como a perda do meu marido (o advogado Walace Andrade de Araújo, encontrado morto em 2013, quando Fluvia estava grávida do segundo filho, Pedro, hoje com 3 anos. Fluvia também é mãe de Lua, de 17, fruto de um relacionamento anterior). Sou uma pessoa muito privada neste sentido. Incluí isso da forma mais suave e superficial que consegui.

Como você lida com críticas ao seu corpo?
Não é algo que passe com frequência. Tenho uma personalidade muito forte e nunca me posicionei de uma forma vitimizada por conta da minha aparência física. Acho que as pessoas têm até receio de querer me confrontar ou ofender. Quando ouvi críticas, é algo que passou muito batido. A minha filosofia de vida é que não tenho tempo e nem quero desperdiçar energia para lidar com esse tipo de coisa. Acredito que a forma com que as pessoas lidam com você é, de fato, uma reflexão delas. É o que sempre falo: seu problema com o meu corpo é seu, e não meu. É essa a ideia que passo no livro. É um diálogo que quis abrir com as mulheres justamente para falar sobre isso. Não basta só subir num palanque e falar: “vamos nos empoderar”. Nós temos que ter consciência de que é um processo que levou muitos anos para se enraizar na nossa mente. Precisamos levantar questionamentos para começar a reverter. É algo que leva tempo. Acredito que a vida é uma coisa frágil e curta, e que nossa energia deve ser direcionada a construir novas realidades, ao invés de ficar sentada lamentando que estão te ofendendo, porque aquilo reflete só aquela pessoa. Você tem o controle da sua vida e da sua cabeça. Você pode mudar esse quadro dentro do seu mundo e não permitir que os outros afetem você. É a forma como lido. Nunca tive problema com a minha aparência e nunca entendi porque deveria ter.

download

Em ensaio na ilha de Paros, na Grécia

O que é gordofobia para você?
No sentido literal, é um preconceito com pessoas gordas. Ao meu ver, é uma das formas mais precárias do ser humano exercer sua liberdade. A gente vive em uma sociedade democrática, onde temos liberdade de ir e vir, mas, muitas vezes, estar escondido atrás de uma tela de celular ou computador faz com que muitas pessoas se sintam na liberdade de denegrir outras. É algo que, infelizmente, sei que faz parte da nossa realidade hoje, mas também sou muito grata à vida de estarmos conseguindo derrubar isso através das nossas atitudes.

Como você lida com as histórias de gordofobia, como a da seguidora que quis cometer suicídio por conta disso, que você conta no livro?
Eu incluí esse depoimento porque foi um divisor de águas para mim na decisão de escrever um livro. A Companhia das Letras já vinha em uma paquera comigo há muitos anos. Sempre acharam minha história incrível e queriam que eu fizesse uma biografia, mas achava que ainda não era o tempo certo. Lembro que recebi essa mensagem da menina e me afetou profundamente. Fiquei muito mal. A ficha caiu quanto à importância de escrever um livro. Entendi que seria uma ferramenta poderosa para compartilhar com as mulheres a minha forma de pensar e lidar com a autoimagem, autoconfiança. É algo que é nato em mim, mas não é para muitas pessoas. Conto experiências pessoais e profissionais, e uso essas experiências para falar sobre esses assuntos.

download (2)

Você acredita que nosso mundo hiperconectado, com influencers surgindo a todo instante, ajuda a quebrar padrões de beleza?
Sempre falo que, para 10 vilões, hoje existem 40 heroínas e assim vai. Ao passo que temos a maldade, também existe o lado bom que rebate isso através de comportamento e discurso. Há muitas mulheres se posicionando de forma diferente, com uma mentalidade diferente, revertendo esse jogo.

Hoje muitas meninas entram no mercado de modelos plus para se aceitar. O mesmo acontece com concursos de miss. O que você acha disso?
Infelizmente, ser modelo plus size profissional no Brasil ainda não é uma prática estabelecida. Vejo meninas trabalhando de graça, em troca de roupa. Vejo meninas tentando se inserir nesse mercado para fazer uma autoterapia. Ainda é um mercado muito precário. Tem pessoas que se vendem por nada, em troca de atenção. Ser modelo é uma profissão complicada, que exige muito. Não basta ser gorda e alta, ter medidas, colocar silicone e fazer cirurgias. Vejo meninas com um discurso absurdo, que trabalham como modelos plus e fizeram mil cirurgias, mas que odeiam quando estão gordas. É tudo muito bagunçado. Não existe a seriedade que há lá fora. Não existe perspectiva profissional, direitos. Sempre falo para quem quer ser modelo que não adianta ser modelo se não existe um mercado. Você precisa ajudar a empurrar o mercado para que ele cresça. Modelar é vender roupa. Não adianta ter 300 mil meninas querendo ser modelos e só 50 marcas. De uma forma, está todo mundo praticamente se prostituindo para modelar e aparecer, para se sentirem melhor com elas mesmas. Ser modelo é um pacote de coisas que muitas não têm. Em 15 anos de carreira, já vi muitas meninas irem e virem, e poucas se manterem. Não é só ter pele ou altura, é um conjunto. Precisa ter profissionalismo, um posicionamento também moral, habilidade de atuar na frente da câmara. É um leque de coisas que é supercomplicado, e nem todas têm. É muito triste ver isso acontecer no Brasil, é uma realidade muito forte.

O título que você acabou ganhando da mídia, de “Gisele Bündchen plus size”, incomoda? Por quê?
Me sinto muito lisonjeada, porque Gisele é uma profissional impecável. Admiro muito o trabalho dela, acho uma mulher incrível, sou muito fã. Mas acredito que isso ficou atrelado por muito tempo justamente porque a sociedade brasileira tem dificuldade de aceitar que sou uma mulher gorda de sucesso vendendo beleza. Existia uma necessidade muito grande de atrelar o meu nome ao nome de uma mulher magra para dar valor ao meu trabalho. É algo que, ultimamente, tenho martelado bastante, porque acredito que, com 15 anos de carreira, em nível internacional e sendo a única brasileira entre as cinco tops (plus) do mundo, eu mereço ser apenas Fluvia Lacerda. Isso é algo que, aos poucos, a própria mídia tem percebido, que não precisamos mais atrelar uma figura à outra. Fico lisonjeada sim, mas acho que mereço muito ser só Fluvia Lacerda.

download (3)

Leia mais
Vídeos recomendados
Comente

Hot no Donna