Esbanjando saúde dos 70 anos para cima: como aproveitar a vida na Terceira Idade

Foto: Paul Rogers / NYTNS
Foto: Paul Rogers / NYTNS

Por Jane E. Brody, The New York Times

livro70CandlescoverA leitura do livro 70Candles! Women Thriving in Their 8th Decade (70Velinhas! As Mulheres que Continuam À Toda na Oitava Década de Vida) me inspirou a analisar a minha própria vida mais de perto – já que me aproximo dos 75 anos – e o que posso fazer para aproveitar os anos que me restam da melhor maneira possível. Seria uma boa ideia se as minhas contemporâneas fizessem o mesmo; afinal, com um número cada vez maior de mulheres chegando ao centenário, ainda há um bom tempo pela frente.

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Não é a primeira vez que reflito sobre as implicações da longevidade. Quando o meu neto de oito anos me perguntou se estaria viva quando ele se casasse, respondi:

– Certamente espero que sim. E ainda quero dançar! – Mas completei: – Só espero que você se case cedo.

A pergunta, por mais inocente que tenha sido, foi mais um estímulo para que eu continue a manter um estilo de vida saudável, que inclui alimentação de qualidade, exercícios diários e relações sociais prazerosas. Embora nunca haja garantias, como muitas outras septuagenárias, já vivi mais que meus pais: minha mãe, que morreu com 49 anos, e meu pai, com 71.

Se há uma coisa que temo com a passagem do tempo é o fato de não poder fazer e ver tudo o que quero antes de chegada a minha hora – e é por isso que estou sempre planejando atividades enquanto posso.

Organizo caminhadas e passeio de bicicleta nas partes do mundo que quero conhecer e combino visitas a amigos distantes e familiares, fazendo questão que aconteçam. No meu momento mais pragmático, tricotei um cobertorzinho de cor neutra para meu primeiro bisneto – mas anexei um bilhetinho carinhoso, caso já não esteja mais por aqui para entregá-lo pessoalmente.

É claro que, com a idade avançada, as coisas ficam – e continuarão ficando – cada vez mais complicadas. Não é raro acordar com as pernas meio bambas; minhas costas odeiam dias chuvosos e já não caminho, pedalo ou nado tão rápido quanto antes. Uso só sapatos confortáveis e sempre seguro no corrimão ao descer escadas.

Também sei que, ao contrário da vida de Coelhinho da Energizer que levava, agora tenho que administrar meus recursos com atenção. Embora fique feliz em preparar um prato ou dois para alguma reuniãozinha, minha energia e interesse em receber em casa caiu consideravelmente – e apesar de adorar ir ao teatro, concertos, cinema e festas, acho maravilhoso poder ficar quietinha em casa, na companhia de Max, o meu bichon havanês.

Foto: Reprodução

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Jane Giddan e Ellen Cole, autoras de “70Candles! “, não vendem seu livro como uma pesquisa definitiva; ao contrário, seu trabalho reuniu centenas de postagens de um blog e oito reuniões, em cidades diferentes, com mulheres que estão na casa dos 70 ou dela se aproximando, que foram encorajadas a compartilhar suas histórias de vida e geraram questões que podem ser exploradas em maiores detalhes com pesquisas científicas. Tais estudos são importantes, pois as baby boomers, ou mulheres na casa dos 70, que já são um grupo grande, representarão uma boa parcela da população. Garantir seu bem-estar será um desafio cada vez maior.

Quais são as questões mais importantes para essas senhoras e como a sociedade pode facilitar sua adaptação no futuro? Os tópicos recorrentes escolhidos pelas participantes das discussões foram trabalho/aposentadoria, envelhecimento, mudanças funcionais, a necessidade de cuidadores, modo de vida, relações sociais, o convívio com os netos e a aceitação das perdas e da morte.

Como integrantes da primeira geração na qual inúmeras mulheres tiveram carreiras que definiram quem são/foram, decidir a hora de se afastar pode ser difícil. Algumas não têm escolha, outras não querem nunca ter de fazê-lo e há as que continuem trabalhando em meio período. Porém, cedo ou tarde, a maioria terá que encontrar atividades gratificantes para preencher o tempo repentinamente livre.

– As mulheres pareciam temer a aposentadoria antes e adorar as oportunidades recém-abertas depois – disseram as autoras.

Muitas falaram da pressa em assumir muitas atividades voluntárias, sugerindo que as recém-aposentadas tirem um tempo para explorar o que pode ser significativo e interessante, como um curso de artes ou música, dar aulas particulares ou iniciar uma nova carreira.

– Há muitos lugares onde precisam de você e onde pode fazer toda a diferença – uma mulher lembrou. Outra comparou: – É mais ou menos como colocar um novo jogo de pneus. É começar tudo de novo!

Muitas, entretanto, lamentaram o foco da sociedade na juventude e a falta de consideração com valores como a sabedoria e a experiência dos mais velhos. O que não falta é preconceito etário, reclamam.

– A empresa onde trabalho segue uma política implícita; por causa dela, nenhuma mulher com mais de 55 anos é contratada. É como se quisessem nos fazer crer que não temos condições de manter um diálogo com a população mais jovem, nem as habilidades técnicas necessárias para preencher a vaga – uma mulher escreveu. – Muita gente não me ouviria se soubesse que tenho 71 anos, então fico bem quieta – admitiu uma advogada.

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O ajuste às mudanças físicas que acompanham a idade também é difícil. Os netos, embora para a grande maioria seja uma grande alegria, cansam, e exigem uma soneca para recuperação. As mudanças também são necessárias para evitar o risco de quedas e fraturas. Iluminação mais eficiente, ajuda para ouvir melhor, a necessidade de confiar nos Post-its, além de bengalas e andadores, podem se tornar essenciais para a segurança e um “funcionamento” eficaz.

– O corpo muda com a idade, mesmo para quem tem uma alimentação saudável, se exercita e tenta se cuidar. Visão, audição, ossos, juntas, equilíbrio, mobilidade, memória, continência, força e energia nunca mais serão os mesmos – escreveram Giddan e Cole.

Há também a questão de cuidar e/ou conviver com as dores. Como disse o médico de uma mulher de 70 anos:

– Todos os meus pacientes da sua idade que não sentem dor já morreram.

Eu não sou de correr para o consultório com qualquer pontadinha; ao contrário, espero algumas semanas, até um mês, para ver se some sozinha. Mesmo com a cobertura integral do Medicare, uma consulta exige tempo e sacrifício, sem contar os exames que geralmente são exigidos.

Também importante para as mulheres idosas são as relações sociais, principalmente com outras mulheres. Casadas, solteiras, viúvas ou divorciadas, as participantes confirmaram que as amigas eram sua maior fonte de apoio e consolo.

Talvez o mais importante, porém, tanto para homens como mulheres, seja encarar o envelhecimento de forma positiva. Segundo um estudo feito em 2002 por epidemiologistas de Yale, indivíduos com senso mais positivo de percepção da idade, medido até 23 anos antes, viveram 7,5 anos a mais do que os que encaravam a questão com negatividade.

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