Figurinha repetida, sim! Como no livro “Um Dia”, casal se reencontra várias vezes ao longo dos anos até ganhar um final feliz

Foto: Kelly Schmidt
Foto: Kelly Schmidt

Você talvez já tenha ouvido o ditado de que “figurinha repetida não completa álbum”, não é? Às vésperas do Dia dos Namorados, Donna conta as histórias de três casais que se apaixonaram ainda na adolescência e, por um motivo ou outro, acabaram terminando. Mas, anos depois, eles se reencontraram e deram uma nova chance ao amor. Prova de que, às vezes, é justamente aquela figurinha antiga a que falta para completar seu álbum.

“Tu queres ouvir a história do papai e da mamãe, filho?”, perguntou Verônica ao pequeno João Henrique, três anos, que brincava na sala de casa enquanto os pais falavam ao telefone com Donna. A trama que viria a seguir não era exatamente um conto de fadas como os que conduzem as crianças ao mundo dos sonhos na hora de dormir. Talvez tenha mais a ver com um romance que traz uma pitada de vida real: Um Dia, do britânico David Nicholls.

Na trama, dois jovens que se conhecem na noite de formatura passam apenas um dia juntos, mas não conseguem parar de pensar um no outro. A passagem dos anos não apaga o sentimento que nasceu quase sem querer – e que só ganha mais força com (muitos) encontros e desencontros inesperados. Pois foi bem assim a história de idas e vindas da jornalista Verônica Vargas Muccini e do admistrador de empresas Henrique Grazziotin Longhi, que parece ter sido transportada para as páginas do livro que virou filme com Anne Hathaway no papel principal. “Mas sem o final trágico”, como Verônica costuma dizer.

1999: eles se conhecem

O cenário: uma academia de ginástica em Passo Fundo, cidade onde os dois moravam. Ela com 13 anos. Ele com 15, ao lado da primeira namorada. Entre um exercício e outro, o bate-papo acabava fluindo – e a amizade nasceu. Mas parou por aí.

2003: ele leva um fora

Três anos depois, a garota da academia ainda estava na memória de Henrique: “Um dia, ainda vou ficar com aquela menina”. Até que o destino deu jeito de um segundo encontro acontecer. Era fim de mais uma noite de balada na cidade do norte gaúcho quando Verônica, pronta a voltar para casa, deparou com Henrique na porta. Como ela viria a descobrir, a casa noturna pertencia a um primo dele, que estava por ali ajudando. No meio do papo, Henrique tenta dar um beijo na guria, que prontamente desvia.
– Disse para ele parar, que éramos somente amigos – recorda Verônica.

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Três meses depois: o primeiro beijo

Corta para três meses depois do beijo que não aconteceu.
– Do nada – lembra Verônica –, Henrique liga com um convite para o aniversário de um amigo.
– Vai, leva tuas amigas e vamos lá – insistiu.
– Olha, não tenho companhia para levar, mas vou mesmo assim – garantiu ela.
Passaram a festa toda de papo, só que sempre acompanhados do resto da turma. Extrovertida que só, Verônica até fez campeonato de vira-vira com os amigos de Henrique – e “ganhou de todos”. A sintonia foi tanta que, no fim da noite, ela foi ficando, ficando… Depois de ajudar a arrumar a bagunça, acabou rolando o convite para ver um filme, o nada romântico Hurricane – O Furacão, de 1999. Ao som da canção homônima de Bob Dylan, trilha-sonora das cenas finais, finalmente dariam o primeiro beijo. Dali em diante, tudo aconteceu rápido. Logo Henrique apresentou Verônica aos amigos como namorada – sem ter pedido a guria oficialmente antes, vale dizer.
“E depois, quer comer uma pizza lá em casa e conhecer meus pais?”, convidou Henrique. Pronto: depois de muitos quase, era finalmente para valer.

Alguns meses depois: a separação

Tudo corria às mil maravilhas por meses a fio até que, um pouco antes do Carnaval, Henrique decidiu colocar um ponto final no namoro. Por telefone, como Verônica faz questão de lembrar, aos risos. Se hoje o término inesperado é motivo de piada entre eles, na época não foi bem assim: ela entrou em depressão e ganhou cerca de 40 quilos. Não foi nada fácil.

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Verônica e Henrique em 2004

2005: o reencontro

Mas a vida reservara mais um encontro inesperado dois anos depois. Desta vez, ela saindo do médico, ele chegando ao consultório.
– Nos olhamos e deu aquele frio na barriga – recorda Verônica. – A gente se encontrou no olhar, mesmo. Tive a certeza de que ainda havia alguma coisa ali.
Mas ainda não era hora. Verônica foi tentar a vida em São Paulo, onde ficou por cinco anos. Namorou, viveu, se reencontrou. Henrique continuou no Sul, entrou em um novo relacionamento e quase casou. Mais um quase na vida de cada um, que determinaria o (re)início da vida a dois.

2012: o segundo primeiro beijo

Solteiro novamente, Henrique estava zanzando pelo Facebook quando deparou com o perfil de Verônica. Não pensou duas vezes e resolveu adicionar “para ver o que acontecia”. O papo rolou por alguns meses, sempre restrito à janelinha do chat – já que ela estava na capital paulista, e ele havia se mudado para Caxias do Sul.
– Ficamos amigos, um sabia da vida do outro – conta Henrique. – Nós já tínhamos um carinho grande um pelo outro. Um dia, caímos no assunto do relacionamento, e eu disse que nunca havia deixado de amá-la. Que ainda havia um sentimento lá dentro. Ela duvidou. Disse que, se era verdade mesmo, precisávamos nos encontrar.

No feriado seguinte, Verônica veio de São Paulo direto a Passo Fundo. Henrique fez o mesmo. Reencontraram-se na cidade em que se conheceram. Enquanto passeavam pelas ruas, os lábios se tocaram para aquele que seria o “segundo primeiro beijo” deles.

E os quase mil quilômetros que separam Caxias de São Paulo? Por alguns meses, conseguiram driblar a distância. Henrique viajava para a capital paulista a trabalho com frequência e aproveitava para ver Verônica. Até que, depois de sair do emprego, ela decidiu voltar para a casa dos pais em Passo Fundo. Só que a mudança, feita aos poucos, demorava cada dia mais. Durante uma visita ao já namorado, ligou para a transportadora para saber quando o caminhão iria para o Interior. Mais um acaso daqueles: a próxima data para Caxias seria dali a dois dias, enquanto demoraria um mês para Passo Fundo. Era o empurrão que faltava.

Verônica e Henrique em 2013

Verônica e Henrique em 2013

2014: uma surpresa

Um ano e meio depois, estavam noivos. Em meio aos preparativos, Verônica vai ao hospital tratar o que pensava ser uma crise de apendicite. Alguns exames depois, mais uma surpresa: estava grávida de três meses de João Henrique. O momento não era dos mais propícios: Henrique acabara de perder o emprego.

– Bateu o desespero – recorda ele. – Mas, se era pra ser, que fosse. Saí do hospital contando para todo mundo que a Verônica estava grávida.
À espera do primeiro filho, o casal acabou se mudando novamente para Passo Fundo, onde tudo teve início. E foi lá também que a família Esquilo – apelido de Henrique, que acabou virando um jeito carinhoso de se referir ao trio – encontrou seu primeiro lar.

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Verônica e Henrique em 2014

2018: a família Esquilo

Hoje, o amor dos três ganhou um novo endereço, em Dois Irmãos. Sempre juntos, como a vida mostrou que deveria ser.
– Se não tivéssemos nos separado e amadurecido, hoje não estaríamos juntos – pondera Verônica. – O Henrique teve outras escolhas, eu também poderia ter tido… Mas a gente se escolheu de novo porque sabíamos que tinha alguma coisa não resolvida ainda. Era para ser nós.

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