Figurinha repetida, sim! A história (de filme!) de um casal que se conheceu na infância, namorou na adolescência e se reencontrou 13 anos depois

Foto: Ronaldo Bernardi
Foto: Ronaldo Bernardi

Você talvez já tenha ouvido o ditado de que “figurinha repetida não completa álbum”, não é? Às vésperas do Dia dos Namorados, Donna conta as histórias de três casais que se apaixonaram ainda na adolescência e, por um motivo ou outro, acabaram terminando. Mas, anos depois, eles se reencontraram e deram uma nova chance ao amor. Prova de que, às vezes, é justamente aquela figurinha antiga a que falta para completar seu álbum.

Ana e Eduardo já se acostumaram a ouvir que a história deles daria um filme. Com uma pitada de açúcar, claro. Mas também boas doses de humor do destino – que insistiu em fazer graça até que eles finalmente se reencontrassem. O roteiro começa em um lugar mais do que conhecido dos porto-alegrenses: a boêmia Cidade Baixa. Só que não foi entre uma ceva e outra que o encontro se deu. Ana ainda era pequena quando caminhava de mãos dadas com a avó até a farmácia que ficava pertinho de casa. Do outro lado do balcão, o filho dos donos matava o tempo depois do colégio. Seria ali, na esquina das ruas José do Patrocínio e Coronel Genuíno, que as vidas de Ana Paula Bettim Borges Seidel e Eduardo Seidel se cruzariam pela primeira vez.

13583042-_RBD3443.JPG-05_06_2018-11.07.07

Ana e Eduardo em 1996

Corriam os anos 1990. Na tela da MTV, que estreara há pouco por aqui, guris vestidos de camisa de flanela, All Star desgastado e cabelos compridos arrancavam acordes das guitarras. E foi então que Ana, já adolescente, começou a notar uma certa semelhança de Kurt Cobain, Eddie Vedder e companhia com o guri da farmácia.

– Ele tinha um cabelo lindo, encaracolado, que chegava na cintura. Eu, que nem ia tanto mais à farmácia, comecei a passar por lá todo dia só para ver o guri do cabelo! – recorda ela, aos risos. – Um dia, fui na cara dura falar com ele, que estava trabalhando com os pais. Passei a inventar, todo dia, uma desculpa para ir à farmácia.

#DiaDosNamorados
:: Sete coisas que só um casal de namorados gaúcho faz
:: Como criar um clima romântico na decoração da casa
:: Tiras da Mau: Sugestões de presentes para o Dia dos Namorados

Não deu outra: alguns meses depois da primeira visita para comprar aquela Aspirina que não precisava, Eduardo convidou Ana para dar uma voltinha. Passaram a tarde na Praça da Matriz. Um suco de laranja depois, rolou o primeiro beijo.

Simplesmente acontece

Por seis meses, eles não se desgrudaram. Até que uma crise no casamento dos pais de Ana começou a afetar a adolescente.
– Era muita coisa para lidar. E o Duda era daqueles guris grudentos e carentões, e eu estava surtada. Precisava me aliviar de alguma forma – recorda a guria.

A solução? Um pé na bunda do pobre Eduardo, que ficou sem entender nada.
– E isso acabou comigo porque eu gostava mesmo dele. Quando terminei, todo mundo me xingava. Minha irmã dizia que nunca um namorado meu ia ser como o Duda – diz Ana.

A reviravolta na vida dela continuaria. Após acompanhar a separação dos pais, Ana arrumou as malas e foi morar com a avó em Goiás. Mesmo magoado, Eduardo a levou até o aeroporto.

Foto: Ronaldo Bernardi

Foto: Ronaldo Bernardi

Nos dois anos em que Ana morou longe, um era atualizado da vida do outro por carta. Entre as encomendas que partiam de Porto Alegre, estavam até livros que a guria iria usar nos estudos para o vestibular – com direito a um bilhetinho que ela guarda até hoje.

De volta ao Estado, Ana logo foi saber por onde andava Eduardo. Descobriu que estava namorando firme. E o jeito foi seguir a vida. O que ela não sabia é que, quando Eduardo deu um fim no relacionamento, também foi atrás dela – que, por sua vez, estava comprometida. Até uma vizinha fofoqueira contribuiu para acabar com as expectativas:
– Ela me disse que o Eduardo tinha casado e ido morar no Interior – lembra Ana, rindo da fofoca furada. – A farmácia fechou, e eu não tinha mais contato com ninguém. Deixei o barco correr.

Mensagem para você

Corria o ano de 2010. Ana já era mãe de Ayumi, então com cinco anos. A irmã Camila, que sempre apoiara a volta com Eduardo, agora morava na Europa. Era a época do MSN Messenger, programa de troca de mensagens que Ana e a mãe usavam para se comunicar com a mana radicada em Portugal. Um dia, dona Maria Francisca estava de papo com Camila no perfil da Ana quando, de repente, a fatídica janelinha verde começa a piscar. “Tem um Eduardo aqui falando contigo”, avisa. Foi o suficiente para que Ana corresse até o computador:
– Pensei que o único Eduardo do meu MSN estava morando fora… Mas logo tirei minha mãe da jogada e respondi o “Oi, tudo bem?” dele – relembra. – Perguntei de cara do casamento. Ele me disse que estava morando fora, sim, mas que nunca tinha se casado e, inclusive, estava solteiro. Emendou até aquela cantada de rodoviária: “Tu nunca quis casar comigo” – diverte-se Ana.

Foto: Arquivo pessoal

Ana e Eduardo em 2010

Não deu outra: marcaram de se ver na semana seguinte. Mas demorou até que rolasse aquele beijo depois de 13 anos separados.
– Foram umas três semanas saindo, e ele me cozinhando. Todo dia pensava: “hoje vai” – ri a guria. – A gente sempre saía e bebia somente refri. Resolvi apelar para a cerveja. Deu certo!

Coincidências do amor

Parece que o relacionamento havia, finalmente, engatado. A sintonia incrível entre Ana e Eduardo permanecia quase intacta, tal qual nos dias de namorico da adolescência. Contudo, havia um porém: ele morava no Interior, na cidade de Encantado. A distância de cerca de 150 quilômetros não era tão grande assim… mas existia, diminuindo a frequência dos encontros entre os dois.

Foto: Arquivo pessoal

Ana e Eduardo em 2011

Foi nessa época que Ana começou a deixar de lado o trabalho com o seu blog de beleza, o Audrey Disse. Ficaram os muitos contatos da área – entre eles, o de uma antiga parceira do blog, para quem Ana havia enviado um currículo.
– Passei em todas as entrevistas, até que descobri que o meu local de trabalho seria justamente em Encantado, onde o Eduardo morava. Fechou todas – comemorava Ana. – Mas não quis morar com ele de cara. Aluguei meu apê no Centro, e o Duda seguiu morando com os amigos.
Mas não demorou nada para que eles resolvessem juntar as escovas de dentes. Dois meses depois, Eduardo se mudou para o apartamento da namorada – que impôs uma única condição:
– Queria casar com papel passado e aliança no dedo. E ter dois filhos! – pediu Ana. – Ele topou. Só não queria casar no religioso.
E assim foi. Não haviam se passado nem seis meses da união quando Ana engravidou de Alícia, a primeira filha do casal – casaram-se com ela ostentando o barrigão. Quando Alícia estava com pouco mais de um ano, a surpresa: viria um garotinho por aí, Davi. Hoje, eles moram em Lajeado.
– Quem sabe da história costuma dizer que é um roteiro de filme. Quando é para acontecer, acontece!

Leia mais
Comente

Hot no Donna