Figurinha repetida, sim! A história de um casal que se separou e encontrou um final feliz ao recomeçar 10 anos depois

Fotos: Otávio Conci, Especial e Arquivo Pessoal
Fotos: Otávio Conci, Especial e Arquivo Pessoal

Você talvez já tenha ouvido o ditado de que “figurinha repetida não completa álbum”, não é? Às vésperas do Dia dos Namorados, Donna conta as histórias de três casais que se apaixonaram ainda na adolescência e, por um motivo ou outro, acabaram terminando. Mas, anos depois, eles se reencontraram e deram uma nova chance ao amor. Prova de que, às vezes, é justamente aquela figurinha antiga a que falta para completar seu álbum.

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Amor, meu grande amor

Basta olhar a foto ao lado para saber: Thayná Candido e Moisés Borba são um casal rock and roll. Talvez por isso, eles mesmos custem a admitir que são protagonistas de uma história para lá de fofa e romântica – com direito a profecia, sim! Daquelas que fazem até as mais incrédulas depositar todas as fichas de novo no amor.

A fábula da vida real começa na adolescência. Eles se conheciam dos corredores do colégio, mas nunca havia passado disso. Nem um oi. Talvez uma que outra troca de olhares, e só. Pouco antes do início do ano letivo em que finalmente seriam colegas, uma tragédia em alto-mar marcou a vida de Moisés. O guri, então com 16 anos, perdeu seu melhor amigo. Para completar, repetente, ainda preparava-se para encarar uma turma mais jovem – o que nem sempre é tão fácil. Já nos primeiros dias de aula, Moisés e um amigo formaram um grupo de trabalho com outras duas gurias, Thayná e Samanta. E acabaram virando um quarteto daqueles inseparáveis: gostavam das mesmas bandas e dos mesmos filmes, passavam horas e horas de papo, inventavam apelidos.

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Geração Coca-Cola

Não demorou tanto assim para que Thayná, do alto de seus 13 anos, passasse a enxergar Moisés de um jeito diferente. Rolava um climinha, sabe? Até que, numa daquelas reuniões dançantes, a guria tomou uma atitude: pediu para a amiga contar ao colega que ela gostava dele. Não deu outra: uns dias depois, atrás do bar do colégio, trocaram o primeiro beijo.

– Nos apaixonamos demais! Imagina poder namorar com o teu melhor amigo? A gente se divertia juntos, fazia tudo juntos, era um sonho incrível. Minha maior referência de amor sempre foi ele – relembra Thayná.

 

VÍDEO: Thayná e Moisés contam o melhor de viver um relacionamento em “duas temporadas”

 

Quase sem querer

Um ano depois, o “grude” excessivo do casalzinho começou a pesar. Não para eles, que adoravam dividir tudo e mais um pouco, mas para a mãe de Thayná, que começou a notar a desatenção da filha com os estudos. A solução? “Cortar as asinhas” deles, não tinha jeito. Nenhum dos dois queria se separar, mas era o que precisavam fazer.

– Estávamos naquela fase em que fervilhavam sentimentos. Acabamos na época, mas sempre ficou alguma coisa no ar – diz Moisés.

Moisés e Thayná em 2008

Moisés e Thayná em 2008

De cara, rolou aquele distanciamento necessário, com uma certa dose de mágoa. Com o tempo, a amizade falou mais alto: voltaram a se ver eventualmente, principalmente por conta da paixão pelo punk. Foi Thayná, aliás, que apresentou vários dos amigos de Moisés naquelas noites de muito rock no antigo Garagem Hermética. Aprenderam, também, a ver o outro com pessoas diferentes. Um dos rolinhos de Moisés, aliás, foi ficando mais sério… E ele se casou.

– Havia momentos em que ficava pensando “e se”… – recorda Moisés.

Foi nessa época que eles se distanciaram de vez. Um pouco pelo casamento de Moisés, claro, mas também por exigência da então esposa.

– A minha ex sentia que havia algo estranho, um carinho diferente com a Thayná – explica ele.

– O Moisés sempre teve uma queda por mim. Ela soube disso e vetou a gente completamente. Ficamos interditados por 10 anos, sem notícia nenhuma um do outro – conta Thayná.

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Fixação

Em 2007, o relacionamento de Moisés terminou. Ficou uns meses solteiro, mas sempre pensando por onde andaria a guria do colégio. Não saía da memória aquela “profecia” de Thayná, que saiu quase sem querer, no ônibus, em uma das vezes em que Moisés tentou reatar.

– Ela falou que não era pra ficarmos juntos naquela época. Disse para seguirmos nossas vidas, que talvez teríamos de casar e separar para só então ficarmos juntos – recorda Moisés. – Na época, achei que era papinho furado, mas sempre fiquei com aquilo na cabeça. Não deu outra.

– A verdade é que aquilo foi um lapso de sanidade – diz Thayná. – Pensava que, se o nosso amor era tão grande assim, não iria acabar do nada. É aquele clichê óbvio, mas era o que eu pensava.

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O casal em 2008

A essa altura, Moisés já havia feito o que qualquer interessado em outra pessoa faz: foi dar uma vasculhada nas redes sociais de Thayná. Descobriu que a guria estava namorando. Parecia feliz, o que lhe tirou um pouco a coragem. Mas resolveu ir conversar com ela mesmo assim. Um dia, apareceu na loja de Thayná – a marca all sizes Chica Bolacha, hoje uma das etiquetas plus size mais famosas do Brasil –, que à época ficava na Avenida Independência. Ela não estava. Pediu o telefone dela para uma funcionária, e resolveu ligar mais tarde.

– Achei até bom, na real – ri Moisés. – Por telefone seria mais fácil.

Do outro lado da linha, Thayná nem imaginava que o namorado do colégio ainda se lembrava dela. E não pensava também que o sentimento talvez adormecido pelo guri ainda estava assim, tão vivo. Até que atendeu o telefone: “Oi, Thayná, aqui é o Moisés, do colégio…”. Era o suficiente para dar aquele estalo interior.

– Eu gelei, quase derreti na cadeira – lembra ela. – Botamos em dia todo o papo possível e imaginável.

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No noivado do casal, em 2009

Foram mais de quatro horas no telefone. Começamos a nos falar todo dia, o dia inteiro. Saíamos e ficávamos dando banda até as 5h da manhã, conversando. Sabe quando você não consegue desgrudar da pessoa?

Parece que a amizade permanecia ali, intacta, imune à ação do tempo. A sintonia e a cumplicidade, também. Mas Moisés sabia que poderia ir além:

– Um dia, tomei coragem e falei que era apaixonado por ela desde aquela época, que pensava nela todo dia. Mas ela achava que era coisa da minha cabeça.

Coincidência ou não, a revelação veio bem nos dias em que Thayná planejava sua mudança para São Paulo.

– No dia em que ela se despediu e me deixou em casa, lembro que subi as escadas do prédio chorando. Pensei: “Já era, voltei à estaca zero” – conta Moisés.

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Amor, I Love You

Na capital paulista, o que era para ser o emprego dos sonhos de Thayná estava virando um pesadelo. Sabe quando o universo tenta dizer que não era para ser?

– Trabalhava, trabalhava e não me pagavam. Parece que não acontecia. Minha vó fez até promessa – relembra Thayná. – A verdade é que fiquei o tempo todo pensando nele, e a gente não tinha nem se beijado.

Três meses depois, Thayná desembarcou no Aeroporto Salgado Filho de volta com uma certeza: precisava contar tudo o que sentia para Moisés. Parece que o tempo longe a fez ter certeza de que ele e ela, eles juntos, sempre foram o certo.

– Liguei e deslanchei tudo! Disse que amava ele, que queria ficar com ele e que era nosso momento. Detalhe: falei tudo em inglês, de tanta vergonha que estava – diverte-se ela.

Não deu outra: com o romance engatado, uns meses depois já estavam morando juntos. Simplesmente, era para ser.

– Ele é a minha casa – resume Thayná. – Temos uma conexão muito louca. E imagina poder casar e ficar com a pessoa que mais admira. É o combo!

Em 2009, no noivado dos dois

Em 2009, no noivado dos dois

 

Família

Para Thayná e Moisés, uma certeza: a vida sempre soube o momento certo de fazer tudo acontecer. Mas também há surpresas pelo caminho, como a gravidez totalmente inesperada e (quase) impossível.

– Eu sempre soube que não poderia engravidar por causa da endometriose. Já tinha feito 10 cirurgias, e, na última, a médica me disse que não havia chances, que era para desistir da ideia. Um ano depois disso, fiquei grávida. O médico disse que era um verdadeiro milagre. Foi incrível! – conta Thayná. – Imagina ter uma parte de nós dois para amar, dar carinho, que é tudo o que a gente é, mas é ele também.

Com o filho, Dante Gael, em uma viagem a Londres em 2017

Com o filho, Dante Gael, em uma viagem a Londres em 2017

Ao lado do pequeno Dante Gael, hoje com quatro anos, Thayná e Moisés se preparam para comemorar os 10 anos da “segunda temporada” juntos, no dia 18 de junho. O que só torna esse Dia dos Namorados ainda mais especial.

– A gente está exatamente onde deveria estar. Não existe lugar melhor no mundo do que agora – garante Thayná.

O olhar apaixonado de Moisés não deixa margem para discordar.

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Ficha técnica

Direção: Gabriela Casartelli (A Imaculada)
Fotografia e tratamento de imagem: Otávio Conci (Studio Conci)
Produção executiva: Ju Silva (Studio Conci)
Assistente de fotografia: Vinicius De Antoni (Studio Conci)
Styling: Gabriela Casartelli (A Imaculada)
Beauty: Rick Tadeu
Na capa: Thayná Candido veste na capa blusa Chica Bolacha, saia Renner, jaqueta Ellus e coturno Doc Martens. Moisés veste camisa, camiseta e calça Levis e coturno Doc Martens
Na página ao lado, Thayná usa vestido chica Bolacha, bota Louloux, jaqueta Levis (com ilustração Luan Zumbi), e Moisés bermuda Renner, camiseta Chico e tênis vans

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