Flerte ou assédio? Mulheres opinam sobre os limites na hora da paquera após declaração de Henry Cavill

Foto: Divulgação
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Conhecido como o Superman dos cinemas, o ator Henry Cavill causou polêmica ao confessar, em recente entrevista, que não flerta mais por medo de ser acusado de assédio.

 – Uma mulher deveria ser cortejada e perseguida, mas acho que sou tradicional por pensar assim – afirmou ele, chegando a dizer que temia ser acusado de “estuprador”. – Agora, você não pode tentar persuadir alguém que disse “não”. É tipo: “Ok, tá bom”. Mas depois é: “Ah, por que você desistiu?”, e eu penso: “Bem, porque eu não queria ir pra cadeia?”.

O medo do britânico em ser mal interpretado na paquera suscitou debates nas redes sociais. Afinal, quando o flerte vira assédio? Convidamos personalidades e leitoras do Grupo da Beleza Donna, no Facebook, para se posicionarem sobre o tema.

Leia os depoimentos abaixo:

Patrícia Gomes Nunes

Formada em Educação Física, 42 anos

“Basicamente o flerte vira assédio a partir do momento em que a mulher dá uma resposta negativa a abordagem do homem e ele continua insistindo! E não precisa ser negativa e grosseira na resposta, mas se chegar a esse ponto é porque o cara passou dos limites e já está incomodando! Já passei várias vezes por essa situação, infelizmente. E uma vez fui pega pelo braço com força, só me livrei com ajuda de um segurança do local! Situação horrível! O pior cara é aquele que acha que está agradando e que quando dizemos “não” para ele é sinal de “charme”!!”

Patti Leivas

Gestora de relacionamento, 41 anos

“Acho absurda a rechaça em relação ao depoimento do Henry Cavill. É a opinião dele, gente! Necessita ser respeitada. Entendo a necessidade de se “preservar” de uma pessoa pública. E acredito muito no respeito de ser humano para com ser humano. Algo abusivo ou desrespeitoso não pode acontecer em nenhuma relação. Ora, se não somos o “sexo fragil”, não podemos nos colocar na situação de “vítimas” ou de “ofendidas” em determinadas situações. Uma mulher bem-resolvida, empoderada, estabilizada financeiramente, pode dar em cima de um homem, né? Claro que sim! Desde que com respeito. E o homem idem. Flertar, xavecar, dar em cima, todos podemos, desde que com respeito e sabendo recuar caso não tenhamos a contrapartida positiva. É sempre perigoso acharmos que tudo é assédio. “Como tu é linda!” Se uma mulher me diz isso e acabou de me conhecer, vou ficar lisonjeada. Se for um homem, na mesma situação, a dizer isso, vou me ofender? Não mesmo!”

Gabriela Carminatti

Publicitária, 28 anos

“O que parece é uma preguiça por parte dele (e de outros homens) de quererem compreender o que está acontecendo. É muito fácil ser extremista: ou eu paquero como eu quiser sem refletir sobre como isso pode afetar as mulheres e a sociedade ou eu não faço nada porque as mulheres estão “muito chatas” e cheias de mimimi”.

Duda Buchman

Colunista da Revista Donna e do blog Negra e Crespa, 25 anos

“Eu sinceramente acho que ele foi bem babaca nessa declaração! Ok, estamos falando bem mais de abordagem e assédio nos últimos anos, mas sempre se falou em respeito. ‘Não’ foi sempre ‘não’. E com tanta informação nos movimentos, na internet, nas mídias, enfim, é bem covarde da parte de Henry Cavill dar uma declaração como essa. Paquera e assédio têm uma linha tênue para quem não tem noção mesmo. Para quem respeita e aceita um ‘não’ tranquilamente, não há dúvida. Acho que tudo gira em torno do respeito mesmo”.

Márcia Fortes Garcia

Advogada, 41 anos

“O flerte deixa de ser flerte quando não há respeito. O bom senso deve ser usado como balança”.

Anaadi

Cantora e compositora, 31 anos


“O flerte nunca vira assédio, porque é um jogo de paquera que respeita o desejo ou a rejeição do outro. O flerte é um indício de atração que não constrange, não coage nem obriga ninguém a nada. Quando um flerte é retornado com um virar de olhos para outra direção, uma expressão de seriedade ou rejeição, o autor do flerte desiste, se coloca no seu lugar e respeita o lugar do outro. O autor do assédio não. Para, ele não importa a opinião do outro. Ele objetifica a mulher como algo que deve satisfazer o seu desejo é prazer a qualquer custo, inclusive às custas da paz e da dignidade dela. Ele invade o espaço da mulher com olhares insistentes, toques descabidos, falas inoportunas e, acima de tudo, a constrange e, mais grave, a obriga a fazer o que não quer, agir como não quer, sentir o que não quer, viver o que não quer. Quando Henry Cavill diz que não flerta mais por medo de ser acusado de estuprador, ele reduz uma causa tão séria, que fala de violência, violação do corpo e abuso de poder, a algo cotidiano, leve e inocente como uma paquera.”

Adileny Meneghetti

Analista de recursos humanos, 27 anos

“Paquerar com educação é super válido. Troca de olhares, uma “chegada” com papo legal e respeitoso, é bacana. Mas quando o cara passa do limite, como por exemplo, se usando de toques, de insistência para sair ou beijar, já é assédio. O mais importante de tudo é respeitar o “sim” ou o “não”. Ter entendimento de até onde se pode ir é fundamental. Hoje em dia, as mulheres também paqueram mais abertamente que antigamente. É algo normal na sociedade. Mas como há aqueles que ultrapassam os limites com insistência e uso físico, esse assunto de assédio na paquera passa a ser considerado”.

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