Garotinha faz festa de aniversário com decoração do super-herói e mãe dá lição sobre igualdade de gênero

(Foto: Renata Palmeira Braga)
(Foto: Renata Palmeira Braga)

Logo depois do aniversário de três anos da pequena Marina, sua mãe, a belenense Renata Palmeira Braga, questionou qual seria o tema do próximo, ao que a menina respondeu sem titubear:

Homem de Ferro.

(Foto: Bruno Monteiru)

(Foto: Bruno Monteiru)

Renata conta que, na época, ficou surpresa. Marina havia descoberto os “super-heróis”, mas não brincava com eles. Seu único desejo era “salvar o dia”, como ela mesmo brincava. Assim, Renata e o marido, Marcelo Batista, concluíram que aquele deveria ser, de fato, o tema da festa. Afinal, o que havia de errado com isso? Desde cedo, eles tentavam quebrar as barreiras sexistas que atravessam os caminhos de toda criança:

— Ela chegou em casa falando que azul era de menino e rosa de menina. Eu não imaginava que já teria que introduzir o assunto tão cedo. Então, aproveitávamos as brincadeiras para mostrar que cada um pode gostar do que quiser. Que papai pode cozinhar e cuidar da casa, e mamãe também pode trabalhar e fazer o que quiser — disse Renata em entrevista à revista Donna.

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E Marina contou desde sempre com o exemplo dos pais. Em sua casa, as tarefas diárias são divididas entre a mãe e o pai. A pequena também era estimulada a participar e ajudar nos cuidados e tarefas do lar. Por ocasião da festa de quatro anos, Renata resolveu conversar sobre sexismo com a filha, que nunca havia imaginado que a escolha de um super-herói poderia causar algum estranhamento em alguém.

— Para ela, era tão normal quanto deveria ser para todos — conta.

Na festa, a pequena vestiu uma fantasia de Homem de Ferro. Nascia a “Super Marina”. Apesar dos poucos convidados para a comemoração, alguns amiguinhos ou seus irmãos mais velhos acharam um pouco estranho aqueles super-heróis espalhados pelo salão. Até o bolo ostentava as cores do personagem predileto de Marina.

(Foto: Marcelo Batista)

(Foto: Marcelo Batista)

— Foi tranquilo explicar a quem ainda tinha dúvidas se aquela era festa de menino ou menina, se o tema poderia ou não ser usado assim. Dava para ver que era apenas uma falta de problematização, e não contrariedade ou preconceito — lembra Renata.

Além disto, Renata e o marido, em conjunto com uma tia de Marina, produziram um livro (“O que eu posso então?! – A história da menina que descobriu seus poderes) para ser a lembrancinha da festa. O livreto falava sobre todas as possibilidades que uma menina pode ter, com histórias de heroínas da vida real.

— Queríamos ilustrar as conversas com as crianças e levar informação de modo bem lúdico — conta.

(Reprodução)

(Reprodução)

Marina, seus amigos e a família se divertiram sem problemas. Tanto foi que Renata resolveu compartilhar a experiência publicando em seu perfil no Facebook três fotos da festa acompanhadas de um texto. A publicação teve quase quatro mil compartilhamentos. Nos comentários, outras mães relatando experiências semelhantes com suas filhas e filhos e as dificuldades que enfrentam, sobretudo dentro da própria família, para deixar as crianças livres em suas escolhas.

— É claro que não agradaríamos a todos e não é fácil receber críticas que não acrescentam em nada. Mas faz parte do processo de desconstrução do senso comum. Acreditamos que uma das formas de combater a desigualdade de gênero tão gritante no mundo adulto é instruir nossas crianças e criar uma futura geração mais consciente — finaliza Renata.

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