Mais da metade dos gaúchos estão satisfeitos com a vida sexual e afetiva, diz pesquisa nacional

  • Viajou a São Paulo a convite da Pfizer.

As diferenças entre os gêneros em relação à própria sexualidade são conhecidas: homens e mulheres divergem em aspectos como número de parceiros ao longo da vida, frequência ideal desejada de relações sexuais, medos e expectativas a respeito do desempenho de ambos na cama. No entanto, uma nova pesquisa divulgada nesta quinta-feira, em São Paulo, aponta pequenas, mas relevantes, transformações no comportamento masculino e feminino a respeito de encontros casuais e da importância do sexo na realização pessoal.

Considerado o segundo maior levantamento já feito sobre o assunto no Brasil, o Projeto Mosaico 2.0 entrevistou 3 mil pessoas de 18 a 70 anos de sete regiões metropolitanas, incluindo Porto Alegre, para compreender o perfil contemporâneo do brasileiro nos aspectos da sexualidade e da afetividade. Conduzida pela psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do ProSex (Projeto Sexualidade) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, a pesquisa tem apoio da Pfizer para marcar os 18 anos do lançamento do Viagra, medicamento para disfunção erétil.

Leia mais:
:: Sem clima? Calma, não é só com você que o sexo esfria no inverno
:: Por que muitas mulheres preferem chocolate a sexo? Sexóloga explica
:: Saiba quais as reclamações mais comuns das mulheres sobre o parceiro durante o sexo

sexo3

A maioria dos entrevistados, tanto homens quanto mulheres (56%) declarou que faz distinção entre vida afetiva e vida sexual: separando por gênero, porém, vê-se que essa percepção é mais acentuada entre eles (59,7%) do que entre elas. A satisfação pessoal em ambas as esferas, sexo e amor, também é um pouco distinta: 50,8% dos brasileiros se dizem realizados com sua situação sexual-afetiva, enquanto 44,4% das brasileiras disseram o mesmo.

A região de Porto Alegre lidera as respostas nacionais neste quesito: 52,3% dos moradores da Capital disseram-se realizados em ambas as esferas.

No evento de divulgação dos resultados das entrevistas, Carmita destacou para a revista Donna que o comportamento feminino chama a atenção quando se compara estes dados com outros da primeira edição da Mosaico, pesquisa feita em 2008 quando o Viagra completou 10 anos de surgimento:

— A mulher vive mesmo uma mudança em relação à sua sexualidade. De oito anos para cá, observamos que muitas passaram a separar o que é erótico e o que é afeto. Se isso é bom ou não, não estamos aqui fazendo um juízo de valor. Mas nota-se que, neste aspecto, hoje várias já fariam ou fazem sexo baseadas apenas na atração.

Carmita Abdo - Foto: Divulgação, Pfizer

Carmita Abdo – Foto: Divulgação, Pfizer

:: Aquecimento no sexo: por que as preliminares são diferentes para homens e mulheres

Carmita refere-se às respostas de 57,1% das mulheres que disseram topar ir para a cama com alguém apenas por desejo físico. O número, ainda assim, é inferior ao dos homens: 76,4% deles fariam sexo só com base na atração.

A frequência de relações em uma semana tem respostas distintas também conforme o gênero e a faixa etária. Em média, as mulheres acreditam que 4 a 5 vezes por semana seria o ideal (4,58 foi a média), enquanto para homens a média ficou entre 6 a 7 (6,48 o número exato na conta da média). Nos percentuais, chamou a atenção a frequência perfeita desejada por 26,8% dos homens: oito transas por semana configuraria o número perfeito. Já a realidade está longe do sonho. Eles e elas, em média, têm relações sexuais de 2 a 3 vezes a cada sete dias. Mais: tem bastante mulher sem sexo algum – 16,5% delas versus 8,2% deles não estão tendo com ninguém.

Leia também:
:: Guia da vagina: 10 curiosidades que podem melhorar a sua vida
:: Pesquisa aponta que dizer “te amo” durante o sexo deixa o casal mais satisfeito
:: Mindfulness: conheça a técnica de meditação que conecta você com suas sensações e ajuda no sexo

sexo1

Confira outros resultados da pesquisa:

# Dos 3 mil entrevistados, 58,1% dos homens são casados, 42,7% das mulheres também
# 35,7% dos participantes masculinos são solteiros, 49,3% delas o são
# 5,9% são divorciados, 6,5% são divorciadas
# 0,3% são viúvos, 1,4% são viúvas

Você faz sexo com quem?

Homens informam
===============
Homens com mulheres: 85,7%
Homens com homens: 8,2%
Homens com ambos os sexos: 3%
Não faço sexo: 2%

Mulheres informam
===============
Mulheres com homens: 83,1%
Mulheres com mulheres: 5,5%
Mulheres com ambos os sexos: 4,1%
Não faço sexo: 7%

 

“Quantos parceiros sexuais foram realmente importantes para você ao longo da vida?”

Para 30,9% das mulheres, apenas UM importou.
Para 22,7% dos homens, também apenas UMA pessoa importou.
Porém: logo em seguida, a resposta mais escolhida pelos homens (19,9% deles) foram mais de 5 pessoas que importaram ao longo da vida.

Carmita Abdo comenta:

— Não é porque eles trocam muitas vezes de parceira que eles não valorizam estas parceiras.

“Com quantos parceiros sexuais você manteve relações nos últimos 12 meses?”

# 69% das mulheres responderam que só transaram com uma pessoa, enquanto 59,8% dos homens disseram o mesmo.

# Entre os medos femininos e masculinos na hora de ir para a cama, elas temem contrair alguma DST (45,9% das respostas), enquanto eles estão preocupados se vão satisfazer o outro (54,8% das respostas)

# Na média nacional entre homens e mulheres, 18,1% das pessoas responderam que não têm medo algum sob os lençóis.

# A alternativa “não conseguir dar mais de uma” surgiu como preocupação de 23,3% dos homens, e só 5,4% das mulheres. “A famosa segundinha”, como diz Carmita, “é praticamente irrelevante para elas”.

# O medo de engravidar a parceira surge apenas para 17,7% dos homens, enquanto o dobro disso (35,2%) das mulheres ficam preocupadas com essa possibilidade.

# O uso de preservativos cai conforme o aumento da idade. Por exemplo: entre os que responderam que sempre usam camisinha para transar, os jovens de 18 a 25 anos foram a maioria, enquanto homens e mulheres de 61 a 70 anos foram a minoria. Aliás, 51,2% desta faixa etária mais elevada respondeu que nunca utiliza (versus 26,8% dos jovens até 25 anos). Carmita destaca a questão cultural neste aspecto, pois os jovens já nasceram em uma realidade diferente dos mais velhos em relação a comportamento e proteção frente às DSTs.

“O que significa para você ter um bom desempenho sexual?”

A intimidade entre os parceiros surgiu como destaque em todas as respostas das diferentes faixas etárias. Em segundo lugar, ficou o afeto como aspecto principal. “Conseguir um orgasmo” foi a terceira resposta mais citada por todos, com destaque para homens e mulheres de 18 a 25 anos (46,6% do grupo) e em menor relevância para as demais idades.

Sobre Porto Alegre:

# O baixo desejo sexual é relatado por 30,9% dos brasileiros, sendo que Rio e Porto Alegre estão acima desta média, com 34% de todos sofrendo desta questão.

#O maior medo dos brasileiros na cama é não satisfazer o/a parceiro/a: 50,3% dos gaúchos e gaúchas sinalizaram esta preocupação.

#A maioria das pessoas entre 41 e 50 anos declarou estar satisfeita tanto sexualmente quanto afetivamente. A região de Porto Alegre lidera as respostas nacionais neste quesito: 52,3% dos moradores da Capital disseram-se realizados em ambas as esferas.

# Em relação ao número de atos sexuais em um mesmo encontro, POA é a única região em que a maior parte das respostas foi “um ato”, opção escolhida por 40% dos entrevistados.

Leia também
:: Donna do meu desejo: “Eu não gostava de sexo” | A história de uma mulher sobre a descoberta do prazer
:: Por que é tão importante conhecer o próprio corpo para chegar ao orgasmo

Leia mais
Comente

Hot no Donna