Manual da Fossa: blogueira convida a encarar a dor de cotovelo com bom humor

Autora do livro, Mica Rocha promete: "tudo passa"

Arte/Gabriel Renner
Arte/Gabriel Renner

Quem nunca levou um pé na bunda e acabou naquela fossa que parecia não ter fim? Você, definitivamente, não está sozinha(o). Mica Rocha que o diga. A paulistana tem “dedo podre” e não tem vergonha de admitir. Tanto foi que a blogueira se tornou especialista no assunto. Ela acaba de lançar o livro Manual da Fossa, em que reúne experiências pessoais, de amigas e leitoras, mas sem drama e com muito humor. E ainda dá dicas de como superar o “boy”, como ela mesma diz.

As filas na turnê de lançamento do livro provam que Mica faz sucesso não só nas redes sociais. Ela também apresenta o programa SOS Pé na Bunda, exibido nos canais por assinatura Warner e Glitz, cujos episódios podem ser assistidos no YouTube. Ao lado de especialistas de diferentes áreas, aconselha pessoas que levaram um fora.
E não há nada de feio em sofrer. Na entrevista a seguir, Mica deixa bem claro que, no final das contas, tudo passa. E ela mesma é a prova disso: depois de alguns finais infelizes, Mica hoje se diz muito bem casada.

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Mica Rocha promete dar uma mão para quem levou um pé no livro
“Manual da Fossa” (Benvirá, R$ 21,90) e no programa “SOS Pé na Bunda”

Dor de cotovelo tem limite

Às vezes, a gente está lá no fundo do poço e ainda não se dá conta. Mas o ápice é quando perdemos nosso amor-próprio, esquecemos de nós mesmos porque nos doamos o tempo todo para esse sentimento da fossa e ficamos nele. Você acaba esquecendo seu valor, seu orgulho, quem você é. Se humilha, grita para todo mundo sobre o quão triste você está. Acho que o momento que não dá para passar é este em que você se expõe muito a ponto de as pessoas sentirem pena de você. Até o ex acaba ficando com dó – o que a gente não quer, né? Você não consegue fazer nada direito e só quer ficar falando sobre o fim do relacionamento e se lamentando. Se você chegou a esse ponto, está na hora de procurar ajuda. A vida não pode girar em torno desse sofrimento.

Uma hora passa

Se a gente não vive a fossa na hora, vai acabar vivendo depois porque a conta sempre chega. Não adianta fingir que você não está sofrendo. Tem pessoas que não sofrem se lamentando e chorando. Tem aqueles que descontam na bebida, na noite, na vida louca porque existem formas diferentes de extravasar a tristeza. Às vezes, a gente olha aquela amiga que acabou o relacionamento e pensa “Nossa, mas ela está ótima, está até indo para a balada”, mas pode ser que apenas esteja extravasando a tristeza de outra forma. A fossa é um luto, um processo. Tem a fase do choque, depois você fica em negação, daí tem a hora em que a ficha cai e você fica com raiva, depois vem a decepção. Dos maiores aos menores, o sofrimento ameniza e passa. Então, viva mesmo, fale disso, vá para a terapia, procure ajuda espiritual, fale com os amigos, fique em casa, chore quando der vontade, coma sorvete, escute música triste. Você tem que aceitar esse processo! Até que chega a hora em que você vai saber que sofreu, mas que passou.

Os tipos de fossa

Uma fossa que é uma desgraçada é quando a gente termina e depois se arrepende. Você fica lá falando “pelo amor de Deus, volta” e a pessoa não quer mais. E, nessa situação, a gente se culpa muito porque foi uma decisão nossa. Acho importante lembrar o que se queria naquele momento porque é óbvio que mudamos e ninguém está livre de se arrepender. Mas, se você não estava a fim daquela pessoa, não dá para ficar se culpando, achando que fez a pior coisa da vida, que nada vai ser como antes. Sem drama, né? Já a fossa de pegar alguém no flagra é muito traumática. É algo que a gente vê em novelas e imagina que nunca vai acontecer na vida real, muito menos com a gente. Mas, meu bem, isso acontece. Nesse caso, a pessoa fica atônita, se perguntando o que aconteceu e parece que um caminhão passou por cima dela. Mas, independentemente do tipo de fossa, no final tudo passa.

Terminantemente proibido

Evite “stalkear”. Não dá para ficar procurando o ex nas redes sociais. Não é fácil ver aquele nome saltando na tela do celular e não entrar por um minutinho só. Segurar o impulso é muito difícil, mas é bom tentar. Pior de tudo é ficar correndo atrás de uma pessoa que não quis nada com você. Não dá! Na primeira vez, tudo bem, a gente entende, quem nunca? Mas daí tem a segunda, a terceira, a quinta tentativa, e, quando vê, você está lá esperando a pessoa sair do trabalho, indo na mesma balada só para encontrar com ele. E aí você pode, inclusive, acabar com a possibilidade de a pessoa se arrepender. No mundo ideal, o legal seria a pessoa acabar e você dizer: “Ok, passar bem” e nunca mais procurar. Tirar o foco da pessoa, cuidar de você, cicatrizar suas feridas, ficar com seus amigos, com a sua família e nem pensar em falar com a pessoa. Mas a gente sabe que não é bem assim.

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Indiretas nas redes sociais

É de chorar! Ok, uma vez aqui ou ali, que não te comprometa tanto, até vai. Mas só. Agora, ficar colocando frase e textão transformando o mural no Facebook em muro das lamentações não dá. A pessoa posta uma foto e começa a falar sobre felicidade ou sobre o fim das coisas. Pare com isso, amor, está todo mundo percebendo!

De cara com o ex

Não cumprimentar é mostrar para a pessoa que ainda dói muito e que aquilo ainda é tão importante que você nem quer dar oi. Claro, se você pegou o cara na cama com outra, beijo e tchau porque ninguém é obrigada a nada. Mas, se foi um término tranquilo, não vejo problema em cumprimentar. Se fosse em uma balada, eu daria oi, sairia de perto e, se aquilo me magoasse ainda, iria embora. Porque ficar num ambiente com bebida (que solta tudo o que está ali guardadinho) com um monte de gente com quem o cara pode ficar, não vai dar certo. Eu manteria a distância.

O ombro amigo

Amigos, fiquem sempre por perto! É o que eu digo. São várias etapas, e os amigos precisam ter paciência para escutar, ficar horas ouvindo lamentações, emprestar o ombro. Depois, claro, umas doses de realidade são bem importantes, desde que em doses homeopáticas. Não dá para chegar jogando tudo na cara da amiga que está na fossa como “Olha, ele já tinha até xavecado a fulana”. E é bom ajudar na autoestima de quem levou o pé: mostre as coisas boas que ela tem, enfatize suas qualidades. Pegue a amiga pela mão e leve-a para se divertir – e não estou falando de festa. Vá ao cinema, saia para jantar, conhecer gente nova, vá viajar, dar risada, falar de outros assuntos.

Relacionamento estepe vale?

Vamos respeitar o período de luto. Ninguém preenche o lugar de ninguém. Tem gente que diz que só se esquece de um amor antigo com um novo. Mas não é bem assim. Quando você está esquecendo ou esqueceu o velho amor, é quando se abre para outra pessoa. A gente convive com uma pressão chata, e tem mulheres que acham que não podem ficar solteiras, mas as pessoas esquecem que é importante estar bem consigo mesmo. Uma coisa de cada vez.

Plano de ação

Pode parecer superficial, mas mudar um cabelo significa muito para uma mulher. Mas é bom tomar cuidado com mudanças radicais. Quer ficar loira? Tudo bem, vamos lá. Quer mudar de emprego? Calma aí, vamos conversar. Será que esse é o momento? Não dá para resolver a frustração amorosa, o cabelo, o emprego, o peso em uma semana. Mas mudanças estéticas são bem-vindas: ajudam na autoestima. Vá correr, fazer ginástica, dança, natação. Gastar energia com a saúde não faz mal.

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DICAS DA MICA SE…

…você descobriu que ele(a) te traiu ou pegou no flagra
Não escandalize! Não faça auê e espalhe para todo mundo. Pode, sim, extravasar com o culpado entre quatro paredes – porque ninguém é de ferro, né? É difícil não dar uns gritos. Mas tente se preservar. Você elege dois melhores amigos para meter o cacete no cara, mas não sai escandalizando.

…o boy terminou porque está apaixonado por outra
Esse é o famoso “aceita que dói menos”. Dói e é chato, mas pelo menos a pessoa foi honesta, o que é o mínimo. É mais difícil do que quando você termina com raiva. Por isso, é importante cuidar da autoestima que acaba abalada. Não se compare com a outra e não se trate mal.

…seu (sua) ex veio com o papo “Não é você, sou eu”
Responda: “Não tem problema! Está ótimo! Adorei te conhecer, passe bem! Beijão”. E aí, meu amor, vá viver sua vida, vá querer gente que te queira. Se você não ficar fraquejando e correndo atrás, o moço vai voltar, pois as pessoas odeiam ser ignoradas – e ele que conviva com a dor de cotovelo.

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