Massagem tântrica: conheça a técnica para se conectar com o corpo e o prazer

Mateus Bruxel / Agencia RBS
Mateus Bruxel / Agencia RBS

Apesar do nome, a massagem tântrica não é exatamente uma massagem – ou, pelo menos, não é só isso. E, embora de cara nos faça lembrar de sexo tântrico, também não é só sobre sexo. A técnica, que tem origem na filosofia do tantra na Índia, tem como objetivo final o autoconhecimento. E, assim, o prazer e o bem-estar.

Um tratamento pelo tantra tem três passos: pré-avaliação por telefone ou mensagem, entrevista e massagem. As duas primeiras funcionam para o profissional entender qual o problema e, a partir disso, aplicar a massagem tântrica, que também é feita em duas etapas. Primeiro, por diferentes partes do corpo, em que a pessoa guia o profissional para encontrarem juntos os seus pontos de excitação. Depois, a massagem é feita nas partes íntimas, de acordo com a avaliação feita pelo profissional.

Leia mais
:: O que as mulheres esperam que seus parceiros façam para apimentar a relação?
:: Por que é tão importante conhecer o próprio corpo para chegar ao orgasmo
:: Mindfulness: conheça a técnica de meditação que conecta você com suas sensações e ajuda no sexo

A técnica é baseada na premissa de que existe uma ligação direta entre saúde mental e disfunção sexual e de que a cura está no corpo – não só para problemas ligados à sexualidade, mas também para questões como depressão, vergonha e insegurança. Cada questão – falta de libido, de orgasmo, vergonha, entre outras – vai pedir uma abordagem específica.

– É uma massagem que visa trazer coerência entre sexualidade, emoções, pensamentos e espiritualidade. Utiliza a energia sexual para a pessoa se conhecer mais profundamente porque, quanto mais profundo o autoconhecimento, mais conexão emocional, mental e espiritual com ela mesma é possível. E isso amplia a autoestima e o prazer sexual – explica a sexological bodyworker Paula Fernanda Andreazza, que trabalha com educação social somática e massagem tântrica.

Para as profissionais, o mundo cheio de distrações em que vivemos afeta a capacidade de perceber as emoções e focar no prazer. É possível compreender tudo sobre suas inseguranças, mas, ainda assim, não conseguir lidar com elas. Esse é o objetivo da massagem tântrica: sentir os medos para livrar-se deles.

Mateus Bruxel / Agencia RBS

Mateus Bruxel / Agencia RBS

Terapia no corpo

– (Na maca) uso técnicas para relaxar a mente, deixar os problemas fora da sala e depois faço uma técnica pra despertar a libido – explica a terapeuta tântrica Andréia Souza. – O foco é entender: como eu sinto e como é melhor para mim?

Foto: Andréia Souza, divulgação

Foto: Andréia Souza, divulgação

É possível fazer a sessão sozinho, aos pares (normalmente, os dois são atendidos separadamente primeiro, antes de o casal ser atendido junto) ou em grupos, que funcionam como uma espécie de terapia em conjunto.

A educadora física Raquel Quartiero queria levar a relação longa em que estava para um nível maior, tanto de intimidade quanto de prazer sexual. Então, começou a estudar e encontrou a massagem tântrica. A experiência mudou seu jeito de entender a diferença entre desejo e excitação.

– Consegui entender o poder dessa energia sexual para mim mesma como cura e meditação, e esta possibilidade de despertar a energia sexual de maneira assexuada – ela conta. – Fui atendida por uma mulher e foi muito confuso por eu não sentir atração por mulheres. Eu tinha um monte de preconceitos e me dei conta de que não tem nada a ver com desejo, é uma pessoa que está ali como instrumento para o meu autoconhecimento. O desejo depende de outras pessoas e a excitação só depende da gente, e é isso que a gente sente na sessão.

Empoderamento sexual feminino

A maioria das pessoas busca a massagem tântrica por estar com dificuldades em relação ao sexo: dor na relação, falta de vontade, dificuldade em ter orgasmo… Segundo a terapeuta tântrica Andréia Souza, 80% das visitas do site dela são feitas por mulheres, enquanto, no consultório, elas são apenas 40% das clientes. Para a profissional, isso se dá porque os homens investem em tratamento quando estão com problemas de libido, enquanto as mulheres ficam com vergonha de procurar ajuda.

– Elas não se conhecem porque não sabem o que o corpo pode trazer para beneficiá-las. Tem mulheres que nunca se viram nuas no espelho e para quem falar de masturbação é aterrorizante – destaca a terapeuta. – Elas normalmente vão para a minha sala para satisfazer os outros, mas a gente só pode satisfazer o outro se satisfazemos a nós mesmas. O empoderamento feminino sexual é muito importante.

Mateus Bruxel / Agencia RBS

Mateus Bruxel / Agencia RBS

Raquel fez o primeiro curso sozinha e, depois, com o namorado da época. Ela primeiro se dedicou a entender a relação consigo mesma para depois trabalhar a sexualidade e energia do casal.

– É uma coisa que virou definitiva da minha vida, esse jeito de entender a sexualidade. Isso traz muita autonomia, não faz com que eu precise, no momento em que estou solteira, transar com qualquer um só para vivenciar um orgasmo – comenta a educadora física.

(Re)educação sexual

O tratamento para mulheres normalmente inicia com uma reeducação sexual: esqueça tudo o que aprendeu sobre sexo e foque em si.

– Nós nunca tivemos uma educação sexual adequada, ela é baseada no medo de engravidar ou contrair DSTs e não em como eu posso ter prazer ou ajudar meu parceiro ou parceira a ter mais prazer – define Paula Fernanda.

A massagem tântrica, então, vai trabalhar essa possibilidade de se desligar do mundo em volta e se concentrar em sentir prazer com pequenas coisas, pequenos toques, em construir uma sexualidade desligada do ideal midiático e focada em cada um. E, nesse caminho, também mexe no bem-estar do corpo e da mente como um todo.

:: Veja mais fotos de uma sessão de massagem tântrica

Leia mais
Vídeos recomendados
Comente

Hot no Donna