#MeuCorpoDeVerão: 10 mandamentos para deixar os padrões de lado e celebrar a beleza de ser você mesma

Fotos: Samuel Gambohan, Especial
Fotos: Samuel Gambohan, Especial

Gorda. Magra demais. Com muito peito. Com peito de menos. Um pneuzinho aqui. A pele nem tão durinha ali. Com celulite, estria, cicatrizes. Todo corpo é belo à sua maneira e conta uma história única – a sua! Então, desamarre a canga, saia de baixo do guarda-sol e mostre seu corpo neste verão.

Mire-se no exemplo das cinco leitoras selecionadas entre as dezenas que atenderam ao nosso chamado para vestir o biquíni e despir medos e tabus: Angela Mattos, 61 anos, Luane Abatti, 25, Arantxa Von Appen, 21, Maira Peres, 26, e Cristiane Costa, 38, viveram um dia de modelo para celebrar a beleza e a liberdade de ser feliz com o próprio corpo.

#MeuCorpoDeVerão
:: Um Plus a Mais: O dia em que larguei a canga e usei biquíni sem medo
:: 5 leitoras compartilham sua trajetória de aceitação

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1. Ame seu corpo

Tenha 50 ou 150 quilos, é este o corpo que você tem hoje. São suas pernas com alguns furinhos de celulite que a levam para passear, e é nos seus olhos que aparece aquela ruguinha no canto quando você dá risada. Então, por que encontrar defeitos o tempo todo em quem você é hoje? Por que cobrar de si mesma a perfeição que não existe?

A pesquisa Verdade sobre a Beleza, realizada pela Dove em 20 países, revelou que, em um grupo de cem mulheres, apenas quatro se consideram bonitas. Mais: entre as brasileiras que participaram do estudo, 72% sentem-se pressionadas para serem bonitas e 40% assumem que a cobrança vem delas mesmas. Foi assim com a blogger Juliana Romano, uma das primeiras a militar contra a gordofobia no Brasil:

– Existe o preconceito dos outros, mas o meu preconceito comigo mesma era muito forte, eu era muito exigente comigo. Achava que não tinha jeito de ser feliz se não me encaixasse no padrão.
Vestindo manequim 50 e com 130 cm de quadril, Ju aprendeu a minimizar autocobranças e a valorizar o que gosta em si mesma.

– Comecei a perceber que, se eu não acreditasse em mim, ninguém acreditaria. Se eu não me achasse bonita, ninguém acharia. Parece um clichê, mas é verdade. Mesmo se alguém não me achasse bonita ou boa o suficiente, isso não definiria quem eu sou – afirma. – Percebi que o número de uma calça é só um número, não um julgamento moral. Continuo sendo atleta, inteligente e bem-humorada, usando 50, 36 ou 56. Se amanhã eu acordasse usando 36, seria a mesma pessoa.

VÍDEO: Por que escolhemos usar biquíni

 

2. Não julgue para não ser julgada

Você já parou para pensar por que reparamos tanto em quem está na nossa volta? De onde vem aquela vontade de comentar sobre a calça que a colega de trabalho veste, ou como a moça que passou por você no restaurante arrumou o cabelo? Para a jornalista e youtuber Daiana Garbin, precisamos parar de encontrar defeitos nos outros com base no nosso próprio corpo ou no padrão de beleza – até para que não sejamos alvos de críticas também.

– Só vamos parar de nos julgar quando pararmos de julgar o corpo das outras. Sem perceber, a gente olha para alguém na rua e fala sobre a bunda caída, a celulite, e isto nos faz sofrer também — afirma.

Para a psiquiatra Mariza Matheus, autora do blog Diário da Autoestima, o principal é pensar antes de falar: será que a minha crítica vai realmente ajudar? Ou é só uma ofensa gratuita? Mais: a pessoa quer de fato ser ajudada? Ela pediu sua opinião?

– É fácil olharmos para o que nos incomoda e, sem perceber, fazermos com os outros exatamente o que não queremos que façam com a gente – explica. – Deixar o outro se sentir mal não é opção para mim. Mentir ou ser falsa muito menos. Mas, muitas vezes, é melhor ficar em silêncio a falar algo que faça com que a outra pessoa se sinta mal com ela mesma. Lembre-se que a palavra fere muito mais do que um tapa. Não fale para o outro o que você não gostaria de ouvir. Uma coisa é querer ajudar quem deseja a sua ajuda, outra é abalar a autoestima alheia.

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3. Use o que você tiver vontade

Quem nunca deixou de usar aquele vestido mais justo porque marcava a barriga? Ou esqueceu o short no fundo do armário pois “não tinha mais idade”? Quando o verão chega, quem vira vilão é o biquíni: o beachwear desperta tanto pavor que há quem deixe de ir à praia só para não ter que vestir um. E por que, hein?

Em tempos de moda mais democrática do que nunca, é bobagem se apegar a regras ultrapassadas, como limitar uma peça a determinada faixa etária ou tipo de corpo.

– Quando você coloca na cabeça que pode ficar bem e que é bonita usando um cropped ou um biquíni, muda muito na sua autoestima e na maneira como você se vê – afirma Bia Gremion, que veste manequim 60 e foi a maior modelo a desfilar na SPFW. – É muito mais gostoso você olhar no espelho e enxergar algo de que você gosta e com que se identifica.

Tem 50 anos e quer usar aquela minissaia? Tudo bem. Prefere um modelo mídi, mais abaixo do joelho? Também está tudo certo. Só deixe de usar algo quando você não quiser, e não quando alguém diz que você não pode. É a gente – e só a gente – que define o que podemos ou não vestir.

4. Esqueça os padrões e o ideal de juventude

A modelo da revista, a mocinha da novela ou até a própria Barbie: todas têm em comum a mesma silhueta longilínea, que somos condicionadas a ver como ideal desde pequenas. E não tem nada de mal em gostar e querer ter esse tipo de corpo. O que a gente não pode é acreditar que somente a barriga chapada e o bumbum na nuca são bonitos e merecem estar em um biquíni. Desconstruir esse modelo de perfeição não é algo que acontece da noite para o dia:

– Estou aprendendo a entender que um corpo fora dos padrões tem beleza, saúde e felicidade, e isso pode levar anos – conta a jornalista e youtuber Daiana Garbin, que sofre de transtorno da disfunção da imagem. – Não adianta a gente querer chegar no corpo do outro.

Quer uma dica prática? Daiana ensina: se você está se comparando o tempo todo com aquela musa fitness ou a top model do Instagram, simplesmente deixe de seguir. Livre-se de tudo que deixa de ser inspiração e se torna obsessão. E abrace as mudanças pelas quais seu corpo vai passar com a maternidade, a passagem do tempo e o que mais marcar sua história. A antropóloga Mirian Goldenberg, autora de livros como Bela Velhice, entrevistou mais de 1,7 mil mulheres e chegou à conclusão de que envelhecer pode ser também uma libertação:

– No Brasil, o corpo da mulher é um capital. Quando elas chegam aos 50, especialmente aos 60, libertam-se da necessidade de ter um corpo perfeito e passam a usufruir de outras coisas, como cuidar melhor do corpo, não em função da aparência, mas do bem-estar e do prazer. Elas dizem: “É a primeira vez que me sinto livre, que posso ser eu mesma”.

Não espere pelos 50, 60, ou mais: seja livre agora.

00c17432Luane veste biquíni Rosa Tatuada, pulseiras Clover, óculos e colar Renner e chapéu Mare Blu 
Angela usa biquíni Dulcet, colar B&G e óculos Carmim, bolsa Dumond, sandália Jump, chapéu branco Mare Blu e cangas Arara It

 

5. Desencane de celulites, estrias, rugas, flacidez

Do furinho tímido que aparece quando cruzamos as pernas até aqueles buraquinhos maiores que surgem com o decorrer dos anos: não há como negar, praticamente todo mundo tem celulite. Quando se fala em estrias então, os danados dos riscos na pele dão as caras até por conta do crescimento na adolescência. E isso tudo não poderia ser mais normal, como mostram as estatísticas.

– Oitenta por cento das mulheres têm estrias, e os 20% que pensam que não é porque têm em um lugar que não sabem – explica a dermatologista Fernanda Casagrande.

Ou seja: assim como flacidez ou rugas, todo mundo já tem ou ainda vai ter celulite ou estrias. Ou as duas. Por que você vai deixar de usar uma saia em um dia de calor por causa de um furinho natural que, no fim, só prova que você tem pele? Atrás da canga ou exposta ao sol, a celulite é só mais um detalhe do seu corpo, que não deixa de existir se você cobrir. Então, para que esconder, não é?

 

6. Não se esconda sob a canga, o shortinho ou o guarda-sol

Depois de muita resistência consigo mesma, você colocou o biquíni na mala de férias. Mas, ao chegar à praia, reluta na hora de vestir as duas peças. É nesses momentos que a famigerada canga vira quase um escudo.

Renata Poskus, autora do blog Mulherão, conta que chegava a se cobrir com a tal canga ou um shortinho só para ir até a barraca de praia para comprar refri.

– Eu me sentia enorme – relembra.

Até que um dia deu um basta: comprou um biquíni estilo cortininha, com estampa de onça. Era o que ela precisava para ser feliz sem ter vergonha de si mesma:

– Foi libertador. Eu me senti bonita, poderosa. Voltei com a barriga bronzeada para casa. Era aquilo que eu queria para mim: usar o que tivesse vontade, sem me importar com o que os outros dizem.

Quer tentar também? Para Renata, sair de casa com a canga (e o biquíni embaixo!) é o primeiro passo para se libertar. Mas, quando chegar à beira do mar, desamarre da cintura sem medo e saia debaixo do guarda-sol.

– Cada mulher tem seu próprio tempo para começar a se amar. Porém, sempre digo: “Você é linda. Quando estiver na praia, olhe para o lado, você não é a única gorda do mundo”.

00c1744bDa esquerda para a direita, biquínis Lua Bella Bikinis, Renner, Lehona, Mare Blu e Ellis Beach Wear. Coroas de flores Arquitetura das Flores

 

7. Ignore os comentários alheios – eles não definem você

Quando não estamos seguras sobre quem somos e o que podemos ser e fazer, é mais fácil ser influenciada. Acontece quando você está em dúvida se aquele vestido está bacana mesmo e alguém te diz que não e você troca, por exemplo. Ou quando ouve que não pode usar um biquíni porque está “acima” do peso ideal, ou porque é magra demais ou “passou da idade”. E, se o nosso amor-próprio não está em dia, a gente acaba acreditando, cedendo e nos escondendo por causa da opinião alheia.

– Muitas vezes, damos ouvidos àquelas críticas em que realmente acreditamos – explica a psiquiatra Mariza Matheus, autora do blog Diário da Autoestima. – Antes de mais nada, é importante saber como você se sente em seu corpo. Se eu estiver com boa autoestima, mesmo não estando na minha melhor forma, e uma crítica vier referente ao meu corpo, terei um julgamento diferente. Não vou deixar aquilo estragar meu dia.

Não custa repetir: a única opinião que importa de verdade é a sua.

 

8. Não tenha vergonha de praticar esportes

Primeiro, reclama que não está em forma e resolve se exercitar. Ao chegar na academia, bate aquela vergonha porque todo mundo ali é malhado e você não. Na praia, a mesma coisa: como é que eu vou jogar frescobol com a barriga e o bumbum balançando assim, hein?

Parece besteira, mas uma pesquisa realizada em 2015 pela organização Sport England mostrou que 75% das mulheres que se identificavam como sedentárias diziam querer fazer mais exercícios, mas que tinham vergonha do corpo. A personal trainer e life coach Márcia Refinsky percebe esse comportamento feminino em seu dia a dia:

– Existem pessoas que esperam emagrecer para “poder” entrar na academia. Vejo como um desperdício de tempo de vida, mas entendo e respeito esse sentimento, porque o padrão estético é cruel.

Quer recuperar o tempo perdido? Para começar, a profissional indica caminhadas ao ar livre, que ajudam a ganhar preparo físico. Depois, é hora de escolher a atividade que mais tem a ver com o seu estilo de vida – que tal chamar as amigas para deixar o sedentarismo de lado juntas?

00c17438Cris veste biquíni Mar Rio, bolsa Dumond e óculos e brinco de acervo.
Maira usa maiô Renner, colar B&G, pulseiras Valéria Sá e óculos Carmim.
Arantxa veste biquíni Lehona, colares Valéria Sá, óculos Carmim e chapéu Zara 

 

9. Busque a melhor versão de si mesma sem neuras

Aceitar e amar seu próprio corpo não quer dizer que você tenha de se manter do mesmo jeito para sempre. Aceitação é diferente de comodismo: você pode gostar de quem você é e ainda assim querer mudar. É justamente essa ideia que norteia a mudança de hábitos de Nuta Vasconcellos, uma das criadoras do portal de empoderamento feminino GWS. Nas redes sociais, ela compartilha seu novo estilo de vida, com alimentação mais saudável e exercícios.

— Acho irreal e não humana a ideia de que um dia a gente possa estar 100% satisfeita com quem somos — explica. – A chave que tem que mudar é saber seu valor, e que ele não depende da sua forma física. Se você quiser mudar seus hábitos, seu corpo, sua alimentação, mude porque você ama seu corpo e não porque você o odeia. Foi essa ficha que caiu pra mim.

Para Nuta, é preciso ter consciência de quem você é e continuar gostando da imagem que vê refletida no espelho – antes, durante e depois de qualquer processo. E, importante: sem tornar isso seu único objetivo de vida.

— Toda mudança que você deseja fazer tem que ser fruto do amor-próprio e não do ódio. Afinal, em qualquer peso, com qualquer pele, com qualquer cabelo, você é sempre digna.

VÍDEO: Veja como foram os bastidores do nosso editorial

 

10. Ajude as outras mulheres a se aceitarem também

É raro encontrar mulheres que sempre estiveram de bem com quem são e com o corpo que tem. Que nunca quiseram perder aqueles três quilinhos, encucaram por conta da celulite ou deixaram para lá a ruga no canto do olho. A maioria de nós passa por um longo processo até aceitar (e gostar!) de verdade da própria imagem – como é o caso da blogueira Juliana Romano. Até os 19 anos, viveu em meio a dietas, teve bulimia e enfrentou um relacionamento abusivo que prejudicou sua autoestima:

– Nunca fui parecida com as meninas do colégio. Sempre fui atleta, tive coxa grossa, era baixinha e troncuda. Nunca me senti muito confortável com o meu corpo.

Ju começou a olhar para si mesma de outra forma, e decidiu ajudar outras mulheres a se encontrarem também. Entre looks com muitas listras, estampas e tudo o que sempre se ouviu falar que “gorda não pode usar”, a paulista lembra do impacto que a primeira foto que postou usando biquíni causou: foi até notícia em portais na internet. Faz sentido: quando você vê outra pessoa com o corpo parecido com o seu vestindo algo que foi ensinada que não deveria usar, gera identificação e a sensação de que você também pode.

– Quando você encontra pessoas que sofrem o mesmo que você, é extremamente libertador. Você não se sente sozinha, louca, abandonada – afirma. – Não tem preço ajudar alguém a ser mais feliz e livre.

00c17439Ângela – Biquíni Ellis Beach Wear, colar B&G e óculos de acervo
Luane – Biquíni Rosa Tatuada, pulseiras Clover, óculos e colar Renner e chapéu Mare Blu
Maíra – Maiô Renner, colar B&G, pulseiras Valéria Sá, óculos Carmim e sandália de acervo
Cristiane – Biquíni Mar Rio, óculos e brinco de acervo
Arantxa – Biquíni Lehona, colares Valéria Sá, óculos Carmim e chapéu Zara

Ficha técnica

Produção e conceito: Thamires Tancredi
Fotos: Samuel Gambohan
Assistente de fotografia: Vinicius de Antoni
Styling: Ana Carrard
Assistente de styling: Tanize Sauthier
Cabelo: William Teixeira (RhedCo)
Make: Raquel Rocha (RhedCo)
Lojas que participaram deste editorial: Arquitetura das Flores, Borda Barroca, Dumond, Ellis Beach Wear, Lua Bella Bikinis, Maison Jump, Mare Blu, Mulher Bonita, Renner e Zara.
Locação: O Butiá (www.obutia.com)

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