MMPB: o site que desvenda e analisa o machismo na Música Popular Brasileira

Foto: Divulgação
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Camila Maccari, especial

“Por trás de toda música inocente, o reflexo de uma sociedade machista”. É assim que começa a apresentação do MMPB – Música Machista Popular Brasileira,  projeto que discute a representação da mulher nas letras nacionais. Ao entrar no site, você é convidada a clicar no botão chamado “dá um shuffle”. A partir daí, é direcionada para uma série de músicas acompanhadas da letra e da explicação de por que a o tema é machista.

E não pense que você vai encontrar apenas funk e sertanejo por lá. De shuffle em shuffle, você pode se deparar com composições que são escancaradamente misóginas, mas também pode se surpreender. Alguém aqui já tinha reparado em quão tensa é a letra da música Maria Chiquinha interpretada por Sandy e Junior quando eram criancinhas? Ou alguma música de Roberto Carlos. Destinar um tempo para ficar explorando o MMPB pode ser perturbador e tudo bem. Conforme está descrito na página, “a intenção é só uma: provocar a reflexão”. É praticamente impossível passar alheia a tantas letras misóginas apontadas por lá.

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Joanna Burigo, fundadora da Casa da Mãe Joanna, projeto feminista de comunicação e educação sobre gênero diz que o site é mais que bem-vindo, porque “é papel do feminismo indicar os elementos machistas da nossa sociedade”:

– A única coisa que esse projeto faz é apontar que a cultura patriarcal é tão arraigada no nosso imaginário que produz músicas super machistas e que incitam a violência contra as mulheres e isso, muitas vezes, passa despercebido. Essa é a grande virada que o movimento feminista propõe no nosso entendimento de mundo. É muito importante esse movimento de ruptura daquilo que já naturalizamos: os elementos machistas na nossa cultura.

E há grandes chances de que você encontre uma (se não várias!) canções e artistas dos quais é completamente fã. E aí? Para Joanna, um dos riscos do projeto é o de ser mal interpretado, embora “esse seja o risco que todo feminismo corre”. Por exemplo, achar que apontar o machismo desqualifica completamente a música:

– Esse é um debate que se estende faz tempo. É uma interpretação distorcida achar que já que as músicas têm conteúdo machista, você não pode mais gostar delas ou do artista. Tem que aprender a lidar com essas contradições, essa é uma habilidade necessária se você quer ser feminista. No momento em que você entende que a sociedade é machista, você vê esses elementos em todas as coisas e se você não consegue lidar com a contradição, acaba surtando. A crítica feminista é feita para expôr casos assim, mas não significa que você precisa boicotar tudo – pondera.

Você pode conhecer o projeto aqui. Se depois de ver várias músicas você lembrou de tantas outras, pode enviar uma sugestão. E depois de tudo, como lembrou Joanna, se você quiser boicotar: tá valendo também!

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