Mulheres especialistas em cerveja dizem por que não precisamos de uma “cerveja feminina”

O lançamento da cerveja Mulher – Rosa Vermelha, da Proibida, causou polêmica nas redes sociais: a proposta foi considerada machista, como se lê em comentários nos posts, que ironizam a ideia de uma cerveja “delicada e perfumada, feita especialmente para você, mulher”. Conversamos com três mulheres sommeliers de cervejas, e a opinião é unânime: não precisamos de nenhuma cerveja feminina. Confira os depoimentos:

Júlia Bondan, sommelier, professora de cursos de extensão na Feevale e especialista em harmonização

“CERVEJA DE MULHER É A CERVEJA QUE ELA QUISER”
Este tipo de ação é só para chamar a atenção. (As empresas) sabem da importância do movimento feminista, é um assunto que está em alta, e tentam ser notadas. É um mercado basicamente masculino. Uma boa iniciativa no passado foi feita pela Perro Libre, que lançou o rótulo 803 e, como homenagem, chamou pessoas para responder à seguinte pergunta: “O que é cerveja para mulher?”. E a resposta foi: é a cerveja que ela quiser. Conheço inúmeras mulheres que odeiam cerveja de frutas, por exemplo, e gostam de estilos mais amargos e encorpados, como stouts e IPAs.

Entenda a polêmica
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Jéssica Lopes, sommelier de cerveja e YouTuber

“É UM RETROCESSO LANÇAR ESSE RÓTULO”
O grande problema é, de fato, a rotulagem. A marca já sai determinando que uma cerveja para mulher é bem mais leve, frutada e aromática. Não tem problema nenhum uma mulher gostar desse tipo de cerveja, mas é um estereótipo que precisa ser quebrado. É um retrocesso lançar esse rótulo dessa forma. Como se uma mulher não pudesse consumir os demais rótulos? No ano passado, uma cervejaria de São Paulo, a Dádiva, lançou um projeto muito bacana: a cerveja E.L.A., que significa Empoderar Libertar e Agir. Foi feita só por mulheres e seu estilo é o barley wine, com alto teor alcoólico (10.5), justamente para quebrar o paradigma. Cerveja de mulher é a cerveja que agradar ao paladar dela.

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Dóris Fialcoff, jornalista e sommelier de cervejas

“O PALADAR NÃO É PADRONIZADO COM BASE NO GÊNERO”
Quem gosta de cerveja gosta. Pode preferir alguns estilos a outros e mudar de ideia quando e pela razão que quiser. Ponto. Isso é totalmente subjetivo para cada um. A criação de uma receita específica para mulheres é desnecessária, até porque a relação do público com qualquer bebida ou comida é baseada nas preferências pessoais. O paladar não é definido nem padronizado com base no gênero. Conheço mulheres que gostam das cervejas mais amargas e homens que preferem as mais leves, isso não é regrado. Tentativas como essa acabam afastando o público, e esta, em específico, está ligada a uma ideia antiga de que as mulheres são o sexo frágil.

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