Mulheres trabalham 30 horas a mais que os homens por mês, aponta estudo

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou essa semana o mais recente Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, levantamento de alcance nacional que apura, entre outros tópicos, as configurações familiares e o tempo de trabalho de mulheres e homens, dentro e fora de casa.

O relatório aponta que as mulheres trabalham a mais quando somadas a atividade principal e os afazeres domésticos. Na jornada média semanal, são 40,8 horas para eles e 34,9 para elas; na jornada semanal total (somando o trabalho doméstico), se chega a 53,6 horas para elas e 46,1 horas para eles, alcançando 30 horas mensais de disparidade.

Além dos empregos, 90% das mulheres – proporção que permanece praticamente a mesma há 20 anos – afirmaram realizar atividades domésticas, enquanto, entre os homens, o percentual é de 50%. Os dados são resultados de comparações entre os registros feitos de 1995 a 2015 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

Natália Fontoura, especialista de políticas públicas, ressalta que a fatia ocupada por elas no mercado de trabalho teve um boom entre as décadas de 1960 e 1980, mas estabilizou desde que os dados para este estudo começaram a ser coletados, há 20 anos.

Foto: Pexels, reprodução

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– Parece que as mulheres alcançaram o teto de entrada no mercado de trabalho. Elas não conseguiram superar os 60%, que consideramos um patamar baixo em comparação a muitos países – afirma Natália, que é uma das responsáveis pelo levantamento.

Os resultados indicam ainda um aumento de 17% da presença feminina nos cargos de chefe da família, totalizando 40% das residências consultadas. E não apenas em casos de ausência masculina, pois em 34% desses casos há um homem no domicílio.

Quanto à disparidade salarial, o Ipea revelou que a hierarquia com base no gênero e na raça dos trabalhadores permanece atual. De acordo com Fontoura, mesmo com conquistas relevantes, os salários ainda são maiores para homens brancos, mulheres brancas, homens negros, mulheres negras – respectivamente.

– A desvantagem das mulheres negras é muito pior em muitos indicadores, no mercado de trabalho em especial, mas também na chefia de família e na pobreza. Então, é quando as desigualdades de gênero e raciais se sobrepõem no nosso país – esclarece Natália.

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