Na SPFW, modelo que teve perna amputada fala sobre inclusão: “cicatriz ou amputação não te faz pior que ninguém”

Ao lado da Galeria Ovo, local escolhido pelo estilista Vitorino Campos para apresentar sua coleção de inverno na manhã deste segundo dia de São Paulo Fashion Week, blogueiras e convidados disputavam espaço para garantir o clique do look do dia. Entre elas, estava uma garota com porte de modelo, longos cabelos louros – e uma prótese na perna, coberta de glitter. Ela é Paola Antonini, modelo mineira que viu seu destino mudar após um acidente há pouco mais de dois anos.

#DonnaNaSPFW
:: 5 looks que marcaram o primeiro dia de desfiles

Na madrugada de 27 de dezembro de 2014, ela viu sua história mudar drasticamente em questão de minutos. Enquanto colocava as malas no carro para viajar com o namorado no Ano Novo para Búzios, no Rio de Janeiro, uma motorista perdeu o controle do veículo e atingiu a jovem em cheio. Após uma cirurgia de 13 horas, Paola acordaria no hospital com uma das pernas amputadas.

Dia de SPFW ? ?@leofaria Beleza por @fabinhoaraujo e @aleguerreiro_

Uma publicação compartilhada por Paola Antonini (@paola_antonini) em

 

Era o começo de uma nova trajetória que a então blogueira encara com naturalidade e muita força. Hoje, a garota faz questão de não jamais esconder quem é: adora usar saias, shotinhos e vestidos para os looks que posta em seu Instagram, com mais de 1,4 milhão de seguidores. O objetivo é um só: inspirar outras mulheres a encontrar sua própria beleza e encarar a diferença como algo que nos torna únicos. A seguir, veja um pouquinho do nosso papo com Paola durante os bastidores da SPFWN43:

Como você se sente sabendo que é um exemplo para tantas mulheres a usar o que tem vontade?
Comigo sempre foi com muita naturalidade. Desde que sofri a amputação, nunca tive vergonha de sair com minha prótese. Pelo contrário, acho legal minha perninha cinza e penso: por que não? Não sabia como as pessoas iriam reagir, mas acabou que tive um retorno muito legal. As pessoas olham, perguntam, mas eu nunca me incomodei com isso. Acho que é legal que as pessoas se acostumem com o diferente, para se tornar cada vez mais comum. O que eu sempre falo para as meninas é para elas não terem vergonha. Ter uma cicatriz, ser acima do peso, ter uma amputação, isso não te faz pior do que ninguém, não te deixa mais feia do que ninguém. Sua beleza é mais do que isso. Aproveite sua vida e não encasquete com besteira.

E você acha que a moda é inclusiva?
Estamos indo no caminho. Nos desfiles já podemos ver mais inclusão, mas o caminho ainda é longo, falta muito. A moda precisa retratar a realidade, e a realidade do mundo não são pessoas altas, com corpos perfeitos. Existe uma diversidade muita grande, e eu espero ver daqui um tempo na passarela muitas modelos plus size, com algum tipo de deficiência. Espero que um dia não seja uma surpresa ver na passarela uma modelo amputada, que seja algo normal.

 

E qual a importância para você de ver pessoas que não se encaixam nos chamados padrões na passarela?
Existem padrões há muito tempo, mas eles precisam ser quebrados, e existe uma pressa para que isso aconteça. Vemos mulheres tristes e infelizes com o próprio corpo, ou em depressão porque se comparam muito com o padrão, acham que se não estiverem nele não estão bem, e não é isso. Independente de qual seja a sua diferença, isso realmente não é nada. Existe uma necessidade muito grande, e eu luto muito por isso, para as pessoas se aceitarem mais. Uma menina precisa olhar para uma modelo e pensar que é igual a ela e se identificar, saber que ela pode trabalhar com o que ela quiser, que tudo é possível. Acho que já está se encaminhando para isso, mas na moda o caminho é um pouquinho maior. Todo mundo deveria ser feliz do jeitinho que é.

#DonnaNaSPFW

Você também pode acompanhar nossa cobertura direto da Bienal pelo Stories, no nosso Insta @revistadonna, e pela página no Facebook. Todos os detalhes da passarela e do backstage você encontra na hashtag #DonnaNaSPFW.

 

Line-up: o que vem por aí na SPFWN43

Terça, 14
10h – Vitorino Campos
11h – Atelier Sissa
14h30min –  Ellus
15h30min – Lolitta
17h – Gig Couture
18h30min – Two Denim
20h – PatBo
21h – Lino Villaventura

Quarta, 15
11h – Giuliana Romanno
15h30min – Isabela Capeto
16h30min – Memo
17h30min – Fabiana Milazzo
18h30min – Apartamento 03
21h – Ellus 2nd Floor

Quinta, 16
11h – A La Garçonne
16h – Cotton Project
17h – Alexandrine por Batista Dinho
18h30min – Juliana Jabour
20h – Amir Slama
21h – Tig

Sexta, 17
15h – Ratier
16h – A.Niemeyer
17h – Sebrae Top 5
18h – Reserva
19h30min – Amapô
20h30min – LAB

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