Depois de boneco do Star Wars, crianças negras fazem campanha: “Não me vejo, não compro”

Em janeiro deste ano, uma imagem na qual um menino negro ensaia um sorriso enquanto segura um boneco teve mais de 35 mil curtidas e quase 10 mil compartilhamentos no Facebook. Viralizou. Isto porque o brinquedo é do personagem Finn, do filme “Star Wars — O Despertar da Força”, interpretado pelo ator negro John Boyega. A historiadora Jaciana Melquiades, mãe do pequeno Matias, de 4 anos, publicou na legenda da foto: “Ele nem sabe o que é Star Wars, sabe que o boneco é igual a ele”.

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Em entrevista ao canal UOL Entretenimento, o menino contou o porquê de ter gostado tanto do personagem:

— Ele é pretinho igual mim.

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(Reprodução/Facebook)

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Porém pouco tempo depois, uma marca de produtos infantis disponibilizou uma fantasia do mesmo personagem negro, mas o menino da imagem que ilustrava a embalagem era branco:

(Reprodução/Facebook)

(Reprodução/Facebook)

Então a Crespinhos SA, uma agência que oferece serviços de fotografia voltados para o seguimento afro, criou a campanha “Não me vejo, não compro” em sua página no Facebook. No post, Renata Morais, responsável pela agência e idealizadora de uma marca de acessórios infantis para cabelos crespos, disse: “Como cidadã, mãe e consumidora, tenho o direito de ter a opção de comprar produtos que se pareçam com a minha filha ou que ela seja representada ali. A gente sempre fala de representatividade, porém não faz pressão na indústria”. E convidou outros pais a contestarem as fabricantes de brinquedos. ” Qual a dificuldade de colocar uma criança negra nas caixas dos brinquedos?”, questionou. A campanha ganhou adeptos rapidamente.

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Em entrevista à revista Donna, Renata contou que decidiu criar a campanha porque a marca não trabalha com crianças negras frequentemente e o momento (o lançamento do boneco) era de protagonismo do movimento negro, afinal Finn é um personagem negro.

— Conversei com os pais e coloquei a ideia que já tinha dentro de mim. Por que a gente não se vê nas prateleiras? Onde estão os produtos destinados as crianças negras? Por que as bonecas negras são bonecas brancas pintadas e não tem seus traços negróides? Propus a campanha e pedi para que os pais explicassem para os seus filhos o que estava escrito no papel — disse.

Em nota de esclarecimento, a Rubie’s Brasil, responsável pela fabricação do produto, explicou que as embalagens são criadas para retratar os trajes e não as semelhanças físicas do personagem:

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Para Renata, a intenção é pressionar fabricantes e conscientizar os pais, que são os consumidores e que muitas vezes esbarram na dificuldade de encontrar brinquedos que representem seus filhos de fato.

— A gente não quer deixar de comprar, a gente só quer ter a opção de escolha. A gente que poder chegar em uma loja e se ver. Aqui é o Brasil, país onde temos a maioria de negros declarados. Chega a ser surreal essa dificuldade de representação. Temos o direito.

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