Natal em família: um breve guia para driblar qualquer saia justa

Natal em família é 99% feito de comunhão, paz, reencontro e comilança, mas aquele 1%, como diria Wesley Safadão, é de jogo de cintura para saias justas e situações sociais que envolvem as melhores famílias, e a sua não deve ser exceção. Pensando nisso, Donna consultou a psicóloga e terapeuta de
família Márcia Pettenon e a obra de Joe Navarro, psicólogo norte-americano e especialista em comunicação não verbal, para demonstrar os obstáculos para uma noite feliz e os respectivos antídotos. Boas festas e boa sorte!

161224 ilu FESTA 01 LAMENTACOES

A tia perguntou sobre “os namorados”, e a minha vida amorosa em 2016 teve a mesma pujança da economia brasileira. O que eu respondo?

Depende, é claro, do seu bom humor. Mas independentemente dele, se vocês não tiverem intimidade para estar discutindo aquele assunto, um bom recurso pode ser surpreender a tia dando uma evasiva e invertendo os papéis. Pergunte do casamento dela, de como o tio tem se comportado, se os últimos anos são tão bons quanto os primeiros… É provável que ela encurte a conversa se for puxada para o meio da roda.

O namorado da minha prima chegou à festa atrasado e ainda com a camisa do Grêmio, dizendo que só dará presentes com “B” neste ano. Os colorados estão ficando literalmente vermelhos, o que faço?

Toda família tem pessoas assim. Gostam de uma entrada dramática e fazem questão de ter plateia. Dois pontos fundamentais: sobre atrasos, há pessoas que o fazem de propósito, para chamar a atenção. Se você sentir que o atraso não tem motivos de força maior, estimule que a festa comece sem esse parente, de modo que a chegada do atrasado tenha o efeito inverso, chamando menos atenção do que o previsto. Sobre a corneta futebolística, uma opção é propor uma votação rápida (“Levante a mão quem…”) para vetar alguns assuntos que só semeiam discórdia entre uns e tédio entre outros. Sua turma deverá vencer de lavada. Lembre-se sempre que é mais eficiente dissipar a plateia do que inibir quem quer atenção.

161224 ilu FESTA 05 REENCONTRO

Ouvi em outra rodinha a palavra “impeachment”, e não foi um espirro. Algumas pessoas estão se exacerbando e outras estão ficando desconfortáveis. Posso dar um golpe?

Pode, não. Deve. É imensa a chance de política ser o que Navarro chama de “conversa tóxica”, especialmente ruins para ocasiões como festas familiares. Se você esqueceu de vetar o tema política fazendo aquela enquete recomendada no segundo item, o jeito é sabotar elegantemente as discussões antes que a coxinha saia da ceia para virar um xingamento. Tente mudar o assunto da roda e, se não funcionar, puxe pelo braço uma das pessoas enredada na discussão e leve-a para um passeio pelo salão com uma desculpa qualquer. Repita a operação até funcionar.

 

 

Falando em política, briguei com um primo por redes sociais e é a primeira vez que estamos nos reencontrando pessoalmente. Devemos aproveitar o Natal e fazer as pazes?

Segundo Márcia Pettenon, vai do quanto você deseja mudar essa situação. Se você ainda está magoada, ser polida e cortês com esse parente basta por ora. Mas se você deseja reatar, vá além da diplomacia. Puxe outros assuntos, sorria, mas, recomenda a psicóloga, sem necessariamente trazer a discussão à tona. Em vez de verbalizar, demonstre que para você aquele é um episódio superado e deixe a porta aberta para retomar as boas relações.

Perguntei a um tio não muito próximo como ele estava, só por educação, mas eu não esperava que a resposta fosse um rosário de lamentações. E agora?

Ouça, ora. Pense no problema dele. Ajude no que puder, nem que seja apenas sendo solidária. Algumas pessoas não gostam de expor seus sentimentos aos parentes, e talvez você seja uma delas, mas outras precisam de atenção. Seu tio, ou quem quer que seja, ficará feliz de ser acolhido por um parente legal como você. Tenha sensibilidade para perceber isso.

161224 ilu FESTA 04 ADOLESCENTES

Eu realmente gosto e me importo com os meus parentes, mesmo os distantes. Mas não sou a melhor pessoa para puxar assunto. Como faço para saber mais sobre a vida deles sem ser eu a indiscreta da família?

A psicóloga Márcia Pettenon tem algumas dicas. Primeiramente, aborde as pessoas com elogios. Se você não sabe puxar assunto, comece elogiando uma roupa, um prato que a pessoa trouxe para a ceia, uma foto dela que você viu ao longo do ano no Facebook… De cara, haverá uma pessoa sorridente e envaidecida falando com você. Outra tática: não faça perguntas pontuais sobre relacionamento, trabalho, moradia. Pergunte sobre os planos delas para o ano seguinte. Ela automaticamente escolherá um tema que é importante e que se sente confortável em compartilhar.

Mais alguma dica?

Sim, abrace muito. Espalhe abraços pelo salão, e siga abraçando seus familiares ao longo da semana sem muita cerimônia. Além de uma demonstração querida e sincera de afeto, é comprovado o efeito terapêutico de um abraço de apenas alguns segundos. E não há data melhor para começar o hábito.

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