Novo app de paquera feito no RS esconde a foto dos usuários para focar nas afinidades

Foto: Pexels
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Por Rossana Silva, especial

O deslizar do indicador na tela como comando para ver novas opções de crushes é quase igual ao dos apps de paquera convencionais. Mas e se, em vez da foto, o critério para dar like fossem os interesses em comum das duas pessoas? É essa a proposta do Deeper, aplicativo desenvolvido no Estado e autointitulado o “Tinder que vai além das aparências”.

– Estamos levantando a questão de que os aplicativos de relacionamentos só se baseavam na aparência e mais pareciam um cardápio humano. Por isso a importância de conectar as pessoas pelas afinidades. Queremos fazer as pessoas pararem de perder tempo com quem não tem nada a ver com elas – explica o diretor de marketing do app, Lucas da Silva Pereira.

Com cerca de 12 mil downloads em Porto Alegre e na Região Metropolitana desde junho, o novo app traz como únicas informações visíveis o nome, a idade e a porcentagem de interesses em comum com o usuário em questão.

O cálculo é feito com base em tópicos como viagem, parque, cozinha ou o gênero musical favorito de cada um. É permitido selecionar até 10 opções – se alguém escolheu as mesmas 10, por exemplo, a compatibilidade será de 100%. Se tem nove interesses em comum, o índice de afinidade será de 90%, e assim por diante. A cada rodada, o app mostra duas cartas de crushes. A foto até aparece, mas tão borrada que não deixa adivinhar o rosto do outro lado da tela. Um like recíproco pode, como nos demais apps, ser o início da conversa. Mas só depois de algum tempo e muito papo, aparece a possibilidade de ambos revelarem suas fotos.

A novidade tem chamado a atenção especialmente das mulheres, que são cerca de 54% dos usuários. Uma estudante de 20 anos que prefere ficar anônima conta que percebeu no Deeper a oportunidade para “conhecer uma pessoa pelo que ela é”:

– A gente sai um pouco da realidade do Facebook, de ter que postar uma foto bonita, um prato bonito. Eu vi o app como um volta aos primórdios na internet, em que uma foto não te define tanto. É bacana bater um papo com alguém só pra conhecer a pessoa. O Deeper proporciona encontrar pessoas muito parecidas contigo que tu pode conversar.

Para a estudante, o momento de revelar sua fotografia e conhecer o rosto da outra pessoa tem sido a parte mais inusitada da experiência com o app. A opção de mostrar a foto para o interlocutor é habilitada após o início da conversa. Se, por um lado, só revela o rosto quem quer; por outro, a conversa costuma chegar a um ponto no qual não evolui se as identidades de ambos não forem reveladas.

– Acho que nos outros apps, tu descobre uma pessoa bonita e vê que a personalidade dela talvez não seja o que tu busca. No Deeper, tu encontras o que busca, mas talvez a pessoa não seja bonita. Encontrei pessoalmente um menino que conheci no Deeper, ele era bem baixinho. E eu tenho quase 1m80cm – diverte-se a estudante.

Telas Sharron

Moradora de Guaíba, a estudante Fernanda Silveira, 19 anos, se considera com mais sorte. Depois de testar outros aplicativos, constatou que os usuários do Deeper parecem mais hábeis em “desenvolver assunto”. Com interesses como luta, animais, pub, sertanejo, MPB, viagem e praia, ela descobriu alto índice de afinidade com um rapaz e resolveu iniciar uma conversa. Depois de muito papo, quando decidiram revelar as fotografias um ao outro, ela descobriu que na verdade, já se conheciam do Tinder – o que, para ela, foi um ponto a favor.

– Nós nos reencontramos no Deeper sem saber que éramos nós. E ainda estamos falando. Uma hora, vai! – brinca Fernanda.

A ideia de criar o app surgiu em maio de 2016, quando um grupo de amigos do Vale do Sinos participou do StartUp Weekend – evento onde os empreendedores têm 48 horas pra achar a solução de um problema e desenvolver um protótipo. Ao entrevistar 500 pessoas, eles descobriram que 92,4% consideravam os aplicativos de paquera superficiais. Desenvolveram, então, um modelo para conectar as pessoas pelas afinidades e hobbies em comum.

Nos últimos 30 dias, foram registradas 8.391 combinações (quando as duas pessoas dão like e abre um chat onde os usuários só podem ver as afinidades em comum, e as fotos do perfil aparecem levemente borradas, mantendo o mistério) e 1.472 deeps (quando as duas pessoas gostam da conversa e decidem revelar o perfil completamente). Agora, os idealizadores trabalham em uma nova versão, para ser lançada nacionalmente no primeiro semestre de 2018.

conversa tela 2

COMO FUNCIONA

Veja o passo a passo depois de baixar o Depper na App Store ou Play Store:

• Ao fazer o login, há a possibilidade de sincronizar o Facebook com o app, que utilizará sua foto de perfil e cruzará dados da rede social (como lugares que a pessoa frequenta e páginas que curte) para apresentar as pessoas com mais afinidades. A foto ficará oculta até você decidir revelá-la a alguém.

• Depois, escolha 10 entre 28 seus interesses e hobbies, como gênero musical, viagem, lutas, futebol, parque e animais, entre outras opções.

• É possível adicionar mais fotos e uma descrição sobre você ou sobre o que procura no app.

• Ao buscar pessoas, o Deeper te apresentará dois perfis mostrando os hobbies em comum e o grau de compatibilidade em vocês. Você pode escolher um deles para dar like. Se a pessoa curtir o seu perfil também, é só começar a conversar.

• Quando vocês estiverem conversando, poderão selecionar a opção de mostrar as fotografias um para o outro. O recurso não é obrigatório. Se o papo não fluir bem, você pode continuar anônima.

• O app é voltado tanto para heterossexuais quanto para o público LGBT.

tela interesses

ALÉM DE UM ROSTO BONITO

Quando você conhece alguém ao vivo, tende a ser mais aberta ao desconhecido e a valorizar outras características além do visual. Com base nisso, a psicóloga Leila Bortoncello, especialista em vínculos, aposta que um app como o Deeper, com foco mais nas afinidades do que na aparência, pode ser bom para quem busca algo mais sério.

– A estética não mantém nem aprofunda relacionamentos se não houver afinidade. Atração podemos ter por muita gente, mas, no geral, todos querem um amor. As pessoas buscam mais do que um corpo sarado, desejam encontrar alguém que seja parceiro e curta programas de interesse comum – explica.

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