Mulheres dizem qual é o presente ideal para o Dia Internacional da Mulher

Por Natasha Heinz, especial

O Dia Internacional da Mulher, comemorado nesta terça-feira (8 de março) é, historicamente, uma data de luta pelos direitos femininos. Mesmo que muito já tenha sido conquistado, ainda há um longo caminho pela frente.

Pensando nisso, perguntamos a cinco mulheres que presente gostariam de receber e compartilhar neste 8 de março. Em resposta, nada de flores, roupas ou doces: a demanda é por direitos iguais e mais respeito.

Cláudia Tajes, escritora e colunista de Donna

“Gostaria de ganhar o direito de ficar mais velha sem que isto fosse visto como uma diminuição da minha capacidade de trabalho ou de entender as coisas desse nosso tempo. Lembro de um sujeito em uma agência de propaganda dizendo que eu não poderia fazer o anúncio de um chinelo porque já tinha passado da idade. Isso há quase 10 anos! Se existe preconceito contra pessoas mais velhas em geral nos ambientes profissionais, é maior ainda com as mulheres. E, se a Meryl Streep sente isso, imagina o que sobra para nós, as mortais. Só um pequeno detalhe: o chinelo, a agência, o sujeito, todos desapareceram. Já eu acho que ainda continuo, e com vontade de principiante, por muitos e bons anos”.

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Cláudia Laitano, editora e colunista de ZH

“O melhor presente para as mulheres brasileiras neste dia 8 de março seria ver a discussão sobre a descriminalização do aborto ganhar o apoio de homens e mulheres no Congresso. Diante da epidemia do zika vírus, torna-se ainda mais urgente um debate adulto sobre o tema, livre da pressão dos grupos religiosos”.

:: Leia as colunas de Cláudia Laitano publicadas em Zero Hora

Patrícia Pontalti, jornalista de moda e colunista de Donna

“Eu adoraria ganhar respeito para todas nós. Simples assim. Que nossas escolhas sejam respeitadas. Que nossos trabalhos sejam respeitados. Que nossos corpos sejam respeitados. Que nossas filhas sejam respeitadas. Sim. Que minha filha cresça em um mundo de mais respeito, afinal, é o mínimo que todas nós merecemos e é o que a gente poucas vezes tem”.

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Babi Souza, do movimento “Vamos Juntas”

“Nem flores, nem chocolates (ainda que eu adore os dois). O presente que eu gostaria muito de ganhar seria, na verdade, uma presente para todos os seres humanos: a consciência do poder da mulher. Consciência principalmente sobre o fato de que a vida e o corpo da mulher são dela. Ao meu ver, esse é um dos pontos mais importantes do feminismo atual, lutar pelo direito a sermos donas e senhoras da nossa própria vida. Que os homens entendam isso e respeitem nosso “não”. Que as mulheres entendam isso e tenham certeza do seu poder e da sua força para não ter dúvidas de que podem, sim, cuidar muito bem si mesmas e viver da forma que quiserem, livres de toda a opressão”.

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Diana Corso, psicanalista

“Queremos apenas a liberdade natural de ir e vir, trajar e expressar-se sem que isso seja considerado uma disponibilidade sexual. Liberdade é não ser acusada de estar em perigo quando desacompanhada de um homem. Mas isso não é presente, é direito! Mais um desejo: o verdadeiro desafio da maternidade é que ela seja fruto de uma escolha. Porém, nem sempre estamos em condições para tanto e nem todas o querem. Por isso, o direito ao aborto, uma experiência sempre dolorosa mas por vezes imprescindível, não poderia ser jamais negado àquelas que o quisessem”.

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